Quais são as principais lições que a Google pode dar a partir de seu modelo de negócios?
Seis letras coloridas. Nunca uma combinação tão simples se transformou numa fórmula de inovação e sucesso tão surpreendente. Apesar de terem sido preparados para um caminho de prosperidade, certamente os colegas da Universidade de Stanford na década de 90, Larry e Sergey, não imaginavam que o projeto de pesquisa que desenvolviam na incubadora de empreendedorismo da universidade poderia lhes render algo muito maior do que uma fortuna bilionária – sua criação, o Google, seria em pouco tempo tão conhecida quanto os Beatles na década de 60, integrando o dia a dia das pessoas como a energia elétrica.
Para quem ainda não sabe – e sempre teve curiosidade de pesquisar, mas não teve tempo de fazê-lo no site de busca que leva seu nome –, a palavra “google” foi escolhida pelos fundadores por ser deliberadamente um erro de soletração da palavra googol, que, por sua vez, significa um seguido de cem zeros e reflete a missão da empresa: organizar o mundo da informação.
Como em todos os casos nos quais a inovação se torna tão conhecida que a marca assume um caráter de substantivo, aos poucos a palavra “google” se transformou no próprio sinônimo de portal de pesquisa de informação (somando-se todas as ferramentas que começaram a ser disponibilizadas, logo chegaremos ao conceito de gerenciador da vida virtual dos usuários na web). Aliás, dessa mesma origem, já surgiram termos como googly, utilizado dentro da empresa para descrever qualquer coisa compatível com a cultura da Google, e até o verbo google, já incluído no dicionário Oxford English Dictionary, em 2006.
A verdade é que, por diversos motivos, a Google é o modelo de empresa bem-sucedida no século 21: ela utiliza a tecnologia de novas maneiras para tornar a informação universalmente acessível, promove a cultura corporativa que encoraja a criatividade entre os funcionários e encara seu papel de empresa cidadã com seriedade, investindo em iniciativas sustentáveis e desenvolvendo a maior fundação corporativa dos Estados Unidos.
Em seu livro Google: lições de Sergey Brin e Larry Page, os criadores da empresa mais inovadora de todos os tempos, a autora, Janet Lowe, coloca os fundadores da companhia em perspectiva, mostrando como transformaram uma ferramenta de busca em uma empresa colossal com cerca de US$16 bilhões em receita anual. Lowe também apresenta os valores que guiam esses incríveis empreendedores e explica como eles criaram uma cultura corporativa que fomenta a diversão ao mesmo tempo em que mantém a empresa na linha de frente da tecnologia, com implacáveis investimentos em pesquisa e desenvolvimento e parcerias criativas com organizações como a Nasa.
Os funcionários acham que esses dez princípios, expostos no site da Google (na parte de informação corporativa), sempre os ajudam a tomar decisões e a fazer produtos que realmente sejam diferenciados – você também poderá aprender com eles, tornando seu modelo de negócio muito mais googly.
10 coisas que a Google descobriu serem verdadeiras
- Concentre-se no usuário e todo o restante virá no bojo – A empresa se esforça para colocar o usuário diante dos acionistas na hora de tomar decisões. Além disso, a Google promete que:
- A interface da página será clara e simples.
- As páginas serão carregadas instantaneamente.
- Posicionamento ou ranking em resultados de busca nunca serão vendidos a ninguém.
- Anúncios deverão ser relevantes à busca, e não gerar distração.
- É melhor fazer uma coisa muito, muito bem – “A Google faz busca”, a empresa costumava dizer. À medida que cresceu e lançou novos produtos, ela ficou cada vez mais distante dessa máxima. Ainda assim, afirma que outros produtos, como o Gmail, o Google Desktop e o Google Maps, são parte do esforço para melhorar a busca na internet.
- Ser rápido é melhor que ser lento – “A Google acredita em satisfação instantânea”, ela diz, acrescentando que “pode ser a única empresa no mundo cujo objetivo claro é fazer os usuários saírem do site o mais rápido possível”.
- Democracia funciona na internet – “A Google trabalha porque confia nos milhões de sites postados para determinar quais outros oferecem conteúdo de valor”, explica a empresa. Isso também tem sido chamado de “sabedoria das multidões”.
- Você não precisa estar em sua mesa de trabalho para ter uma resposta – É por isso que a Google se lança em tecnologia: para tornar a busca na internet disponível em PDAs, em telefones celulares e nos automóveis.
- Você pode ganhar dinheiro sem precisar fazer maldade – Esse é um dos mais difíceis e controversos preceitos da Google.
- Sempre há mais informação por aí – A Google indexou mais páginas do que qualquer outro serviço de busca, e ela continuamente disponibiliza mais material para pesquisa. Isso não é apenas desejável, é também necessário à medida que a internet se expande.
- A necessidade de informação atravessa todas as fronteiras – Mais da metade dos resultados de busca do Google são enviados para usuários fora dos Estados Unidos. A busca está disponível em aproximadamente 118 idiomas e o serviço de tradução melhora continuamente.
- Você pode ser uma pessoa séria sem estar vestindo terno – Nada prova isso melhor que o traje de Sergey e Larry. Eles costumam ser vistos usando calças Levi’s e camisetas, às vezes calçando Crocs. Até mesmo o chefe do escritório de Paris veste jeans para trabalhar. Recentemente, os garotos do Google ficaram famosos por colocarem
- blazers por cima de camisetas.
- Ser ótimo não é bom o suficiente – A Google diz aos funcionários: “Sempre entregue mais do que o esperado”. Ela não concorda que ser o melhor seja o ponto de chegada, mas sim um ponto de partida.
(Nota: os dez princípios são da Google. As explicações são uma adaptação do conteúdo do site da empresa e de outras fontes.)
Livro:Google: lições de Sergey Brin e Larry Page, os criadores da empresa mais inovadora de todos os tempos
Autora:Janet Lowe
Editora:Campus/Elsevier
Preço:R$63,00
Visite o site: www.elsevier.com.br
“Eu, na verdade, não acho que manter a cultura seja um objetivo. Acho que melhorar a cultura sim. Não devemos ficar olhando para trás, para os anos dourados, e dizer: ‘Ah, queria que tudo fosse igual’”
Sergey Brin


