Em 1959, na Feira dos Brinquedos de Nova York, foi introduzida a boneca mais famosa da história: a Barbie Homenageando a filha caçula, Ruth e Elliot Handler, os inventores, não tinham a mínima idéia do frenesi que iam causa muito menos que estavam na verdade criando um ícone pop.
Vendida em todo o mundo, esta coroa de biotipo improvável continua jovem e vendendo a pleno vapor. Trinta e quatro por cento do faturamento total da gigante Mattel vem diretamente dela (Barbie atingiu o faturamento de US$ l.000.000.000 em 1993). Só para se ter uma idéia, a Barbie já vendeu mais de 1 bilhão de pares de sapatos, mais de 30 milhões de metros quadrados de tecidos foram usados para confeccionar seus “modelitos” (fazendo da Mattel uma das maiores confecções do mundo) e, a cada segundo, duas bonecas Barbie são vendidas em algum lugar do planeta.
Afinal, qual é o segredo de tanto sucesso? Imitações de todo tipo já foram lançadas, e nenhuma vingou. A Maxie (você conhece?) foi a que mais se aproximou – era do mesmo tamanho, podia usar suas roupas, e era mais barata. Mas o nome, a marca e o estilo de vida da Barbie encontram-se tão profundamente arraigados na sociedade que ela tem sido difícil de duplicar (ou clonar, o termo da moda).
Mesmo sofrendo críticas do feminismo histérico americano, que a consideram um símbolo de futilidade, a Mattel tem conseguido driblar bem todos os problemas nestes 38 anos de sucesso. Vamos ver como:
Vem de encontro às aspirações de seus clientes:
A Barbie é na verdade uma representação tridiniensional do mundo adulto). Junto com seu parceiro inseparável (o gostosão playboy Ken), ela vive as aventuras que as crianças fantasiam sobre os adultos. Mais importante ainda – com a aprovação dos pais, pois a Barbie acompanha fielmente os movimentos da sociedade. Quando ela foi lançada, era uma dona de casa. Em 1986 saiu a Astronaut Barbie, e hoje já é (ou pode ser) a dra. Barbie, acompanhando, portanto, a liberação e ascenção social da mulher na sociedade moderna.
Procura incansável de novidades:
Todos os anos são lançadas coleções novas para a Barbie. Para tanto, são pesquisados os desfiles da alta costura em Paris e Milão, catálogos de roupa, revistas da moda, etc. Uma Barbie vestida com um conjunto Calvin Klein, por exemplo, custa US$ 75,00. E todos os anos saem coisas novas (que as crianças tem que ter), tanto que a média nos Estados Unidos, em meninas de 3 a 10 anos de idade, é de 8 Barbie””””””””s per capita.
Inovações tecnológicas:
Além de estar sempre chiquérrima, a própria Barbie tem passado por diversas cirurgias plásticas, acompanhando sutilmente os padrões de beleza reinantes (sem perder, porém, suas características originais marcantes, que são justamente seu charme). Outras inovações tecnológicas foram pernas e braços dobráveis, cabeça e tronco que giram, pele que muda de cor (permitindo o bronzeamento), cabelo que pode ser tingido, etc. A mudança mais discutida publicamente foi a da Barbie falante, pois as feministas de plantão não gostaram de uma das frases – “Math is tough” (Matemática é difícil.). Embora a frase tenha sido sugerido pelas próprias crianças, os adultos, sempre atentos, reclamaram e conseguiram que a Mattel tirasse a frase do chip da Barbie.
Atenção aos detalhes:
Como a Barbie é na verdade uma representação da vida real, todos os seus acessórios são criados para fortalecer essa impressão. Ela tem anéis, pulseiras, brincos, as calças têm zíper, as roupas têm etiqueta, a calculadora tem todos os números, os lenços são de seda… enfim, tudo para que a criança tenha o máximo de subsídios para criar seu mundo particular.
A boneca vende os acessórios e os acessórios vendem a boneca:
Apenas em 1990 a Mattel passou a licenciar a marca Barbie para uso por outras empresas. Sempre existiram produtos próprios (na década de 60 a Barbie gravou até um disco), mas hoje existe de tudo: livros, revistas, discos, softwares. jogos, CD-ROM, catálogos, roupas, acessórios, “sets” (cozinhas, barracas para acampar, motor-home, Carros de luxo, etc.). E tudo isso ajuda a vender mais bonecas.
Posicionamento e propaganda:
Todas as propagandas da Barbie foram sempre aprovadas pelas crianças. Ou seja, a Barbie não impõe um modelo – ela apenas reflete as aspirações das meninas. Por isso elas querem tanto a boneca. A Mattel ouve o público e responde, usando as críticas para seu benefício. Por exemplo, hoje existem Barbie””””””””s italianas, orientais, hispânicas… Francie, que era a Barbie negra, falhou miseravelmente em 67, por causa do preconceito dos pais. A Mattel insistiu e em 68, no auge do movimento Black Power, saiu a Christie, com personalidade própria, e que foi um sucesso. Nos anos 80, quando começaram a dizer que a Barbie era fútil e egoísta, 39 crianças do mundo inteiro se encontraram na Unicef, patrocinadas pela Mattel, para “discutir o futuro”. É lógico que logo depois foi lançada a Barbie Unicef, e uma parte da arrecadação foi para a Unicef. Calaram-se os críticos, e mais um ponto para a Barbie.
Acompanha a mudança dos tempos:
A Barbie já usou jeans Lee, agora usa Calvin Klein. Ela come no seu mini McDonald””””””””s, toma Coca-Cola, tem um Jeep igual ao do programa da televisão. Ou seja, ela acompanha a sociedade, e as crianças vêem refletidas naquele mundo miniatura o seu próprio dia-a-dia, bem como o do seus pais.
Você pode até achar que isso é meio americanizado demais, mas a realidade fala mais alto. Barbie é um sucesso no mundo inteiro, em qualquer idioma, cor ou religião. E o motivo e um só – personalidade. Se eles conseguiram fazer isso com uma simples boneca (e faturam um bilhão) de dólares, pense Só nos ganhos que sua empresa poderia ter criando uma personalidade e diferenciando-se da concorrência.


