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Recebo pelo correio a minha fatura mensal do Credicard. O primeiro débito que aparece é de “encargos contratuais” no valor de míseros R$ 0,12. Depois de uma série de telefonemas frustrados, lutando contra um sistema automatizado que insistia em cair quando eu terminava de digitar os 16 números do meu cartão, finalmente descobri do que se tratava. Eram os juros sobre o 1 real que eu decidi não pagar, relativo ao seguro contra roubos – que segundo correspondência que havia recebido antes, era eu que escolhia pagar ou não. Parece que, depois que você paga, o primeiro dançou. Precisa avisar a Credicard que não vai mas pagar (simplesmente não pagar não pode – eles te cobram 12% – mensais! – de juros. Logo eles que são uma multinacional com acesso a credito barato lá fora). É um absurdo. Onde já se viu que eu cliente tenha que fazer força para tratar com meu cartão de credito? Abre o olho, Credicard, que as coisas estão mudando. Não adianta mudar o logotipo, e depois me fazer ligar 5 vezes (5!) para não ter que pagar juros extorsivos sobre um seguro que eu deveria decidir se pago ou não.

Leio na Gazeta Mercantil que as ilhas Bermudas estão criando uma frente contra a entrada de McDonalds na região. Dizem que “não querem se transformar uma Disneylândia” e que “o McDonalds empobrece tudo que toca”. Esse assunto ainda vai longe, porque trata basicamente, da invasão “capitalista ianque” em algumas regiões que não aceitam isso muito bem. Como existem diversos tipos de McDonalds (o de Las Vegas, por exemplo, imita um cassino), tenho certeza de que acabarão chegando num acordo mesmo assim é de se pensar. Aqui no Brasil temos a mania de achar que qualquer coisa americana é maravilhosa. Algumas coisas realmente são e trazem muita riqueza mas devem respeitar a nossa cultura, beleza e história.

O carteiro me estende a mão com a dezena de correspondência que recebe diariamente. Separo-as em duas pilhas: nacionais e “gringas”. Final da contagem: 2 para o Brasil (uma era a conta da Credicard), 12 para os gringos (newsleters e revistas que assino, bem como malas-diretas vendendo os mais diversos tipos de produtos e serviços). Como é que pode: eu morar no Brasil e receber 6 vezes mais correspondências de fora de que daqui? Só tem uma explicação: os empresários brasileiros ainda não acordaram para o poder da mala-direta (e do marketing direto como um todo). É uma pena, porque existe um potencial de lucros imenso a ser explorado.

Vou ver “Fogo contra Fogo”, com Al Pacino e Robert De Niro. No meio de um dialogo. Al Pacino (que é policial) pergunta para Robert De Niro (que é o mau, mas todo mundo torce por ele) como é que ele explica o seu estilo de vida para a namorada. “Eu disse que sou vendedor”, responde De Niro. Impassível. Al Pacino sorri, concordando que é uma boa desculpa. Minha namorada olha para mim, me cutuca e começa a rir. Talvez esteja na hora de começarmos repensar a profissão: na hora em que Hollywood define um cara que nunca pára em casa, totalmente absorvido pelo trabalho, sem tempo para se divertir, sério e solitário, como um vendedor (e a tua mulher concorda), é porque alguma coisa está errada. Ou será que sou só eu?

Falando em alguma coisa errada, o sucesso do nosso evento de Motivação me fez parar para pensar: porque que é que as equipes de vendas andam tão desmotivadas? Todos os meses recebo pedidos de matérias sobre o assunto. Basicamente, eu sempre achei que a motivação fosse pessoal e viesse de dentro, mas o sucesso de autores como Lair Ribeiro, Roberto Shinyashiki, Paulo Coelho, Daniel Godri e Luiz Marins demonstra que existe um campo imenso a ser explorado, principalmente por aqueles que tiverem um bom conteúdo e conhecimentos para transmitir. Mesmo assim, continuo achando que muitas empresas estão passando por cima do seu processo de seleção – e depois tem que ficar inflando um bando de bolas murchas. Provavelmente o erro está na contratação e no treinamento, e não nas desculpas mas comum que ouvimos por aí para a desmotivação geral da equipe.

Vejo no Jornal Nacional um repórter entrevistando desempregados semi-analfabetos numa fila. “Tá difícil”, responde um. “Só tem vaga de auxiliar de escritório ou de vendedor”. Provavelmente, tanto o dono da empresa contratante quanto o seu gerente comercial deveriam ser fuzilados. Depois não sabem porque o nível dos vendedores (e do atendimento geral) é tão baixo no Brasil.

Para terminar, recomendo àqueles que trabalham de alguma forma com o varejo que se inscrevam o quanto antes no próximo evento – Venda Mais: Varejo. Se as inscrições forem tão rápidas quanto as do seminário de Motivação, as vagas vão acabar rapidinho. Para assistir as palestras de Gustavo Huber e Daniel Mac Adden, basta mandar por fax o cupom da frente corretamente preenchido ou simplesmente ligar para cá: (041) 336-1613 e falar com Carla ou Ale. Se puder organizar um grupo melhor, porque as inscrições em grupo tem desconto. É isso aí. Um grande abraço, e boas vendas.

Raúl Candeloro
Editor

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