Um dos grandes desafios dos líderes de vendas é aprender a identificar os profissionais de sua equipe que são extremamente criativos e buscar entendê-los, para poder despertar neles a inspiração de que precisam para gerar mudanças efetivas. E uma excelente ferramenta para superar esse desafio é o livro Originals: How Non-Conformists Move the World (Originais: Como os inconformistas movem o mundo, em tradução livre, já que ainda não foi lançado no Brasil), de Adam Grant, pesquisador americano da área de psicologia organizacional.
Na obra, Grant revela quais são as principais características das pessoas consideradas “originais”, ou seja, aquelas que não são conformadas com a realidade e que estão sempre em busca de fazer melhor e diferente. Além disso, o autor ainda indica de que maneira os líderes podem construir uma cultura que incentive a busca pela inovação e apresenta alguns atributos inesperados de profissionais inovadores. É sobre esses atributos que falamos a seguir. Entendendo essas características, liderar uma equipe de criativos será muito mais fácil.
Eles são procrastinadores
Pode parecer estranho, mas as pesquisas realizadas por Grant mostraram que, entre as pessoas que querem terminar a tarefa logo no início do prazo e aquelas que deixam tudo para a última hora, existe um terceiro grupo: os procrastinadores médios. E segundo o pesquisador, esse é justamente o tipo de profissional mais propenso a ter ideias inovadoras!
O estudo aconteceu assim: Grant dividiu uma turma em dois grupos e enquanto pediu para que o primeiro terminasse determinada tarefa logo de cara, deu dez minutos a mais (e ainda um jogo no computador para distrair) para a segunda turma. Ao fim do período determinado, veio a surpresa: aqueles que procrastinaram e jogaram durante o processo foram 16% mais criativos. O autor destaca que isso não quer dizer que o jogo em si ajuda na criatividade, pois aqueles que jogaram antes de começar a executar a tarefa não tiveram crescimento criativo. “Apenas quando dizem que você tem que trabalhar em determinado problema e somente então você começa a procrastinar, apesar de a tarefa ainda estar ativa no fundo de sua mente, é que você começa a incubar ideias. A procrastinação dá tempo para que você considere ideias divergentes, para pensar de forma não linear e, assim, chegar a conclusões inesperadas”, explica Grant.
Muitos líderes podem enxergar a procrastinação como algo não muito produtivo, mas ela parece funcionar muito bem na busca por inovações. Além disso, quando se fala em inovar, muitos relacionam a fazer algo pela primeira vez, mas Grant explica que ser pioneiro nem sempre é uma vantagem. Ele aponta um estudo que mostrou que os pioneiros em determinados mercados tiveram uma taxa de falha de 47%, enquanto os que vieram depois e aperfeiçoaram o modelo de negócio tiveram apenas 8% de falha. “O Google, por exemplo, veio anos depois de Altavista e Yahoo”, lembra Grant. Sendo assim, procrastinar no sentido de melhorar os processos e amadurecer boas ideias pode ser um ótimo caminho para inovar com eficiência e resultado.
“A lição que eu aprendi é que, para ser original, você não precisa ser o primeiro. Você tem que ser diferente e melhor”, salienta o especialista.
Eles são cheios de dúvidas e medos
Muita gente acredita que inovadores são superconfiantes e cheios de “momentos eureca”. Grant afirma que tal como a maioria das pessoas, os originais também são cheios de dúvidas. Mas ele explica que nesse processo criativo existem dois tipos de dúvida: a dúvida relacionada à ideia e a dúvida de si mesmo. Enquanto a dúvida em relação à ideia pode fazer você avançar em busca de aperfeiçoamento, a dúvida de si mesmo pode acabar paralisando. O segredo dos originais está em saber que uma boa ideia pode passar por momentos ruins, mas que se as primeiras tentativas não deram certo, é pelo simples fato de que a ideia ainda não está pronta, que precisa ser melhorada.
O autor destaca que essa postura dos originais tem como ponto de partida o pensamento de que sempre dá para melhorar. Ele comenta sobre uma pesquisa que mostrou que profissionais que usam navegadores Chrome e Firefox têm melhores performance e comprometimento do que aqueles que usam Safari ou Internet Explorer. Por quê? Tem a ver com o fato de que o segundo grupo aceita o navegador que veio instalado no computador. Já o primeiro grupo questiona o padrão e vai atrás de novas opções. “É sobre ser um tipo de pessoa que toma a iniciativa, que duvida do padrão estabelecido e vai atrás de uma opção melhor”, destaca Grant.
Além disso, ele também descobriu que os profissionais mais originais têm, sim, muito medo de falhar – mas têm ainda mais medo de falhar em não tentar. Eles têm medo de que as coisas deem errado, sabem que sua ideia pode não ser a melhor, mas simplesmente precisam tentar para aprender e, assim, melhorar. Aliás, essa é uma característica importante: os maiores inovadores da história falharam muito antes de ter sucesso. Bach, Beethoven e Mozart criaram milhares de composições até conseguirem alcançar um pequeno número de obras-primas. Por isso, é importante ter um ambiente propício a falhas. Do contrário, você pode estar barrando a próxima obra-prima de sua empresa.
E aí, já sabe quem são os inovadores da sua equipe?
Aprenda mais
Para assistir à palestra completa de Grant no TED, acesse: bit.ly/adam-grant-originals