Estaríamos usando a Internet de forma errada?

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A Internet desponta como o futuro da comunicação entre pessoas e empresas. Porém seu uso ainda parece estar um pouco confuso; pequenos e grandes investimentos nesta área não estão atingindo seus objetivos – e mais do que isso, levando investidores e suas enormes quantias para o buraco. É fácil notarmos isso, basta lembrarmos da Boo.com e do e-commerce da Disney, dentre tantos outros. Fazendo uma seria reflexão sobre tudo que tenho acompanhado, levantei alguns pontos, que talvez possam ser a chave dessa questão.

Em primeiro lugar, esqueceram a razão de ser da Internet, não o computador, mas o indivíduo que o usa, que está por trás dele, que tem sonhos, sentimentos e vontades, faz parte da raça humana a curiosidade, a emoção de descobrir novos mundos. Talvez, o maior lazer dos seres humanos seja passear, viajar, conhecendo culturas diferentes, costumes, culinária, história, música. Nestas viagens, além das fotos, compramos objetos, artesanato e trazemos, portanto, lembranças. Na Internet, o que vemos hoje é uma espécie de padronização: quanto mais o tempo passa, mais iguais ficam os sites de qualquer lugar do mundo. Uma mesmice sem fim, todos copiam aquele que aparentemente está dando certo. Você navega por um site e parece ter navegado por todos, apesar dos conteúdos serem diferentes.

Existe uma enorme e desesperada corrida em busca de novas tecnologias; mal uma está começando a ser bem usada, já surge outra. É difícil distinguirmos se isso é busca pelo novo e melhor ou se só representa faturamento para as empresas que os produzem. Mesmo os gráficos apresentando formas e cores diferentes no fundo continuam sendo iguais. Ou seja, não existe uma preocupação em usar toda esta tecnologia de forma regional e criativa. Talvez eu tivesse mais interesse em navegar nos portais ou sites do Nordeste, desde que eles usassem imagens, figuras, gráficos e textos de sua região – algo novo e diferente do que estou acostumado a ver por aqui. Se a Internet é o futuro e o futuro se tornar igual em todos os cantos do mundo, vai ser muito chato utilizá-la! Não terei nada de novo para descobrir, pois, os meus conceitos e idéias serão iguais aos de qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo. Infelizmente os jovens não se preocupam tanto em dar continuidade aos costumes (cultura) de sua região, e utilizando a Internet desta maneira, estaremos ajudando a “matar” o que há de melhor nos seres humanos, suas diferenças. A Internet veio para diminuir distâncias, aproximar pessoas de diferentes lugares… Mas isso só acontece se uma pessoa tem algo de bom e novo para acrescentar a outra, caso contrário, por que vamos procurá-la?

A Internet vai ter cheiro? E ele será igual em todos os sites? Se for, para que comprar este equipamento?

Num outro aspecto, as empresas estão apostando suas fichas em mercados mundiais – não que isso seja proibido ou impossível, mas talvez aí esteja o erro, a utopia! As pessoas ao redor do mundo tem conceitos, culturas e gostos diferentes, como já disse anteriormente, portanto, será que a linguagem usada em um site nos Estados Unidos é a mesma linguagem a ser usada na França, na África, no Chile? Com certeza não. Podemos ir ainda mais longe: a linguagem para conquistar os gaúchos é a mesma para conquistar os mineiros (quando digo linguagem, não é o idioma) ? É incrível como o uso da Internet está distante dos conceitos do mundo de “tijolo”. Será esse o caminho mais correto? Depois de séculos de estudo, todos os conceitos de marketing deverão ser jogados fora? Acho que não, afinal o ser humano continua o mesmo. Parece que houve uma confusão, a Internet surgiu em meio à era da globalização, e de forma errada as empresas querem levar este conceito para dentro da rede. É maravilhosa a idéia de estarmos em um ponto do planeta e poder vender a todos os outros; mas, ela é por demais gananciosa. Suponhamos que isso possa ser real um dia: imagine uma super livraria mundial, uma super loja de CD mundial, enfim, em cada segmento, um, dois ou três super “comércios” mundiais. Para quem eles iriam vender, se a maioria absoluta da população vai estar desempregada? Iriam eles ficar trocando figurinhas entre os extremamente ricos. É devemos pensar até onde é o limite para isso. Fica óbvio que inúmeros comércios pequenos não têm condições de concorrer com gigantes – porém a maioria dos empregos está nas micro, pequenas e médias empresas. E isso não é só no Brasil. Se essas empresas fecharem ao longo de um tempo, será criado um exercito de desempregados, e as grandes companhias não terão como absorver toda esta mão de obra. E aí, como ficamos?

Mas voltando a realidade dos nossos dias, que vantagem eu tenho em comprar algo da Europa ou de outro lugar do planeta, se tenho o mesmo produto aqui, no máximo a algumas quadras de casa? E pelo visto, hoje em dia, quase sem diferença de preço – na maioria das vezes até menor. E vale lembrar dos meus costumes: eu gosto do atendimento do “Seu João” da esquina. Depois entra a questão da confiabilidade, não só em relação ao “dar o número do meu cartão de crédito”; é sabido que a segurança já é eficiente. Mas quem é afinal a empresa? Onde ela está de verdade? Como é a cara do vendedor, como são suas instalações? Se o produto apresentar defeito, com quem vou reclamar? E quanto tempo isso vai levar? Podia até ser divertido no inicio da Internet comprar algo do outro lado do mundo, só para ver o correio vai entregar, vindo de tão longe… Mas agora perdeu a graça, já sei que bem ou mal isto funciona, posso voltar a normalidade e, pessoalmente ou virtualmente, comprar onde sempre comprei e sempre me trataram bem. Isso se chama fidelidade, algo que qualquer empresa luta muito para conseguir hoje com seu cliente. Uma das vantagens da regionalização com certeza é a propaganda. A partir do momento em que existirem portais bem regionalizados, os mesmos poderão veicular propaganda de empresas de “tijolos” – o que hoje na Internet é raro, ou até inexistente. Pensar que não é necessária a participação dessas empresas na Internet é um erro grotesco. Afinal existem serviços e produtos que não podem ser feitos via internet, como abastecer seu carro, experimentar uma roupa, andar de montanha russa… Você pode até comprar o bilhete do parque, mas não vai andar via Internet – e assim por diante. Talvez uma forma dos grandes portais conseguirem esta regionalização é o sistema de franquias: em cada cidade ou região seria mantido o “conteúdo nacional” dos portais, suas noticias e informes – porem adicionando-se verdadeiramente os “conteúdos regionais”. Desta forma eles se tornariam ainda mais interessantes e organizados. As buscas na Internet poderiam ser também regionalizadas, afinal se desejo comprar um carro ou contratar um serviço na minha cidade, não preciso receber os endereços de todo o país. Caso esses portais regionalizados fossem uma realidade, um fabricante de erva-mate para chimarrão (bebida típica do sul do país) poderia veicular propaganda somente no portal regional – é mais fácil e menos complicado. A padaria da esquina e a pizzaria do bairro poderiam anunciar na área de alimentação; se eu quisesse localizar um hotel na Bahia, entraria no portal da região, nas páginas de turismo; e por aí vai…

As franquias, por sua vez, deveriam trabalhar de forma ainda mais regionalizada. Selecionando até os bairros de sua cidade, e criando assim mais organização, mais páginas e portanto, mais espaço para anunciantes, logo, mais receita.

Voltando ao fator humano, a Internet deve ser um facilitador, um agilizador. Ela deve economizar nosso tempo, para que possamos gastá-lo com lazer. Não devemos imaginar-nos vivendo através da Internet. Iríamos nos tornar pessoas frias. Devemos colocar limites em seu uso, não limites sobre o que deve ou não deve ser veiculado através dela. Conteúdos impróprios devem ser cuidados, mas não proibidos. O que quero dizer é que podemos conhecer algo do Japão através dela, mas jamais trocar isso pela oportunidade de estar lá pessoalmente. Ela não pode acabar com nosso gosto pela vida. Devemos usá-la com sabedoria, afinal tudo que é demais enjoa. É muito bom conversar com alguém via net, mas pelo menos no sábado à noite vamos continuar saindo de casa, para jantar ou para beber com amigos… É gostoso pedir uma pizza em casa e saborear um vinho, mas é muito melhor ir a um restaurante e provar sabores novos. Vai ser ótimo escolher todos os detalhes de seu novo carro num site bastante interativo… Mas devemos usá-lo, se não para que compramos um carro? Enfim, gostaria de participar de um novo mundo virtual, mas não viver dentro dele.

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