Dentre as melhores ferramentas de vendas que conheci na vida, a arte de fazer as perguntas certas é a principal delas. Mas tão importante quanto saber perguntar é saber decidir seu foco. E para ajudar nessa missão, existe uma ferramenta poderosa: a matriz estratégica de prospecção – clientes por volume versus barganha, que é simples de fazer e nos faz pensar definitivamente se estamos trabalhando do jeito certo, com a base de clientes que nos valoriza e na qual vale a pena focar.
Não estou dizendo que devemos descartar clientes num primeiro olhar – aliás, sou um dos que mais defendem que é um grande erro prejulgar o cliente antes de uma boa qualificação. Porém, clientes que não podem comprar e que não colocam o seu valor em primeiro lugar não devem ficar no topo das suas prioridades.
Uma vez, um corretor de imóveis me disse: “Eu atendo muitos ‘bolulas’ (clientes que só perguntam, pedem informações e não compram).” E eu questionei: “Você faz perguntas de qualificação antes de mostrar o produto?” Ele disse: “Nem sempre, pois eles querem ver logo o empreendimento e saber o preço.”
Primeiramente: pare de chamar o cliente disso ou daquilo. Clientes são as nossas principais unidades de lucro. Entenda que se você mostrar um produto ou serviço sem entender a situação do prospectivo contato, poderá ter como resposta: “Legal, se eu tivesse dinheiro, eu compraria.”
Uma das formas de qualificar clientes é fazendo todas ou algumas das sete perguntas abaixo:
- O que você procura?
- O que você usa ou detém hoje?
- Qual a importância estratégica disso em sua vida (ou em sua empresa)?
- Qual seu papel na empresa? (Ou: De quem dependerá essa decisão de compra?)
- Qual, aproximadamente, é o tempo total para tomar uma decisão?
- Existe verba alocada para essa compra?
- O que pode impedir você de realizar esse objetivo? (Identifica possíveis objeções futuras)
Depois de qualificar seus clientes é que seu processo de vendas verdadeiramente deve começar: criação de interesse > sondagem mais completa (perguntas abertas, fechadas, diretas) > apresentação da solução > negociação > fechamento.
Durante o processo de vendas, quando estamos qualificando o cliente, o uso de uma matriz estratégica de prospecção pode ajudá-lo a organizar melhor o seu tempo, o seu foco, o esforço que você dedicará na condução do contato. Na prática, funciona assim:
- Clientes-chave: São aqueles que compram bem e, portanto, são significativos em seu faturamento ou escoamento de produtos. Devem ter prioridade e foco. É neles você dedicará a maior parte de seu tempo.
- Clientes pequenos e parceiros: São aqueles de que precisamos cuidar porque valorizam nosso produto e ainda não compram tanto quanto os clientes-chave – mas em breve podem se tornar compradores grandes e prioritários. Por serem parceiros, também merecem dedicação e foco.
- Clientes barganhadores: São importantes para seu volume de faturamento, mas podem ser letais para sua lucratividade. Se você tem muitos clientes assim, corre um risco enorme de comprometer a saúde financeira do seu negócio. É preciso negociar com mais firmeza e buscar deixar a cultura de “vender preço” de lado e evoluir para a venda de valor. Dedique-se a isso ou avalie se vale a pena manter esse tipo de cliente em sua base.
- Clientes pequenos e barganhadores: Não compram muito e só visam a barganha, o desconto. Esse tipo de cliente não interessa à maioria das empresas ou negócios. São aqueles que não podem comprar seu produto, mas tomam muito do seu tempo, comprometendo sua produtividade. É preciso desestimular esse cliente, pois não vale a pena se dedicar a ele.
Se você fizer uma análise de pós-qualificação de todos os seus negócios em andamento, deverá estabelecer métodos diferentes de vendas para cada caso e se focar verdadeiramente no canal ou no cliente final que trará lucratividade e saúde financeira para o negócio.
Sempre digo que cada vendedor tem o cliente que merece, porque somos responsáveis por ensinar os outros como queremos ser tratados.
O líder pode monitorar sua equipe, usando a matriz e as informação de qualificação em suas reuniões globais e individuais. Para tanto, um bom dever de casa para quem lidera equipes de vendas é responder às seguintes perguntas:
- Qual a proporção de negócios em andamento com clientes parceiros e clientes-chave?
- Qual volume de desconto dado aos clientes barganhadores, mas significativos?
- Qual o plano de ação para transformar barganhas em uma relação de valor, de parceria?
- Quantos clientes precisam ser desestimulados por minha equipe de vendas? Como podemos fazer isso sucessivamente para posicionar melhor a equipe em negócios saudáveis?
- Como irei treinar meus vendedores em termos de prospecção, sondagem, apresentação de propostas, negociação e fechamento com qualidade?
Essas informações e ações determinam o sucesso em vendas e dão bons indicadores de desempenho para tomada de decisões. Como vendedor, cabe a você buscar bons negócios e criar oportunidades reais, sem blefes ou ilusões.
Quando não qualificamos bem nossos prospects, tornamos nossa empresa uma verdadeira “fábrica de propostas”, instável e sem boas perspectivas para o futuro. Logo, fracassamos também.
Pense nisso e muito sucesso!
Marcelo Ortega é palestrante internacional de vendas e liderança gerencial. Autor do best-seller Sucesso em vendas, entre outros livros.
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