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Gerente no limite

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Perdidos no cerrado brasileiro, duas equipes – Lobos Guarás e Araras Vermelhas lutam pela sobrevivência a cada dia e a cada noite.
Perdidos em qualquer cidade brasileira, várias equipes – tantas quanto forem as empresas concorrentes – lutam pela sobrevivência no mercado a cada dia e a cada noite.
No meio do mato, são batalhas que exigem força física e disposição para enfrentar a força da natureza.
No centro da cidade, são batalhas que exigem força de vontade e disposição para enfrentar os diferentes tipos de bicho-homem.
A natureza, ao menos, tende a ser mais previsível.
É isso que nos é mostrado no livro Gerenciar No Limite, que reuniu vários consultores renomados do Brasil para analisar o sucesso da primeira edição do programa de televisão e de lá tirar lições para as empresas.
Motivação – Um dos fatores abordados peles autores é a motivação. A princípio, não há segredos, certo? No programa, a força motivadora é: se você não trabalhar direito, o expulsamos do grupo. Igualzinho a muitas empresas por aí: se você não trabalhar direito, está despedido. Mas existem outros fatores por trás.
Segundo Reginaldo Pereira Lapa, diretor do Centro de Excelência para Sistemas de Gestão, No Limite representa a falência dos sistemas de gestão baseados na competição individual, ferrenha e sem limites. Traduz a doença organizacional que ainda contamina um sem-número de empresas, baseada na crença de que vencer é um ato solitário. É nesse ambiente que aparecem as puxadas de tapete, as panelinhas, os jogos de bastidores que prejudicam a todos.
Solução – O gerente tem o dever de apagar esse velhos hábitos de cada um dos integrantes da equipe e substituí-los por técnicas saudáveis a todos:
1- Não percam o foco. Durante todos os momentos do dia, infinitas tentações são colocadas no caminho de cada integrante de seu time. Somente com uma autodisciplina rígida evita-se as seduções de momento. Ensine-os a separar o que é importante do que é acessório.
2- Sejam especialistas. O mínimo que seu funcionário pode ambicionar é ser o melhor em seu campo de atuação. Mostre, por palavras e ações, que você acredita nisso, que confia no potencial de cada um. Para ter a chance de ser o melhor, ele deve dedicar toda a sua inteligência, esforço físico e todos os demais recursos nesse sentido.
3- Todo poder à ação. Se todos sabem o que querem, se estão física e espiritualmente preparados, então dê a partida imediatamente. Lembre-se de que a vida passa muito depressa e de que você só se arrepende do que você não faz.
4- Determinação. Todo gerente deve ter uma meta, um objetivo e se esforçar para chegar lá. Quando se tem propósito e determinação, isso transparece para todas as pessoas. Sua convicção se evidencia e daí surge o poder de persuasão. E todos se sentem à vontade para fazer negócios e trabalhar com você. A força de seus compromissos passa a certeza de que receberão o que foi combinado e muito mais.
Equipe- André Leite Alkimin, sócio-fundador e proprietário da Sociedade Internacional para Excelência Gerencial, aborda os aspectos de equipe de No Limite. Segundo ele, esse programa mostrou bem a diferença no comportamento das pessoas em um grupo. Muitas pessoas têm dificuldades em conviver com os muito diferentes de si. Por outro lado, outros já acham entediante a convivência com os semelhantes. Realmente, a convivência em grupos parece difícil e inexplicável. E é aí que nasce a cultura da empresa, como ela pensa e reaje a todos os acontecimentos. Ora, se em uma viagem de férias já se forma uma cultura entre você e os vizinhos de balneário; se num curto espaço de tempo se forma uma cultura complexa, com direito a machos e fêmeas dominantes e rejeitados como nas duas edições de No Limite, o que dirá na empresa, que está aí por anos e anos. E, por mais que tente, o dono ou gerente não consegue impor seu jeito nessa cultura. Quando uma regra não-escrita aparece, ela não muda com a troça de gerente. Pelo contrário, é muito mais fácil o gerente se adaptar à força do ambiente.
É inútil lutar contra a cultura. Ela está presente em todos os lugares. E existem as boas culturas, que levam a sua empresa adiante. E existe o ambiente pernicioso, cujos resultados você está cansado de conhecer.
Solução – Nessa hora, o gerente, o diretor, o líder tem de assumir o papel de um psicólogo. Veja:
1- Analise os processos. Há alguma razão para aquilo ser feito daquela maneira? Existe uma forma melhor de se trabalhar?
2- Escute o pessoal. Se você vai estudar a maneira com que as coisas são feitas, as pessoas merecem no mínimo a mesma consideração. Tente reunir sua equipe em uma conversa descontraída (se for fora do ambiente de trabalho, melhor), para descobrir o que está sendo feito errado ou possa ser melhorado.
3- Dê voz ativa. Permita que seus funcionários participem mais das decisões. Não tenha medo das mudanças que isso pode acarretar. Com o aumento da participação será comum, por exemplo, uma idéia que você lançou na segunda chegar na sexta-feira totalmente mudada. Isso é um ótimo sinal: sua equipe está começando a pensar.
4- O que é importante. Existem certos momentos do dia que sua equipe precisa mais de um amigo do que de um líder. Em outras situações, é necessário um sargentão dando ordens. Procure se colocar no lugar de seus comandados e perceber como você deve agir a cada momento.
5- Meça os resultados. Economia de tempo ou dinheiro, redução no turn over, aumento no número de pedidos, diminuição nas reclamações. Busque algum número que possa ser apresentado à direção como prova de que seu esforço em mudar está valendo a pena. Propague suas experiências pela empresa inteira.
Liderança – Ainda existe espaço para o gerente à moda antiga? Essa questão foi levantada por José Emídio Teixeira, autor do livro Gerentes, Vampiros e Ideologias. Ele nota que, tanto no programa No Limite como na vida das empresas, existem gerentes que se baseiam na experiência e nos conhecimentos adquiridos. Esse tipo de condução pode ser útil em determinadas empresas e durante algum tempo. Esse tipo de líder acaba sendo vítima de procedimentos bem conhecidos: a equipe se une para tirá-lo do comando. Na TV, isso ocorre em eleição direta, sem recontagens e decisões judiciais a cada cinco minutos. Na empresa, isso ocorre com sabotagens, fofocas, desrespeito, exclusão de reuniões importantes, e outras ferramentas tão ou mais perversas.
Solução – Nos dois lados da telinha é a hora dos gerentes mais discretos se destacarem. As pessoas mais modestas, que impõe menos seu poder conseguem melhores resultados. Elas alcançam as metas usando o brilho e a força dos colegas mais poderosos em benefício dos resultados do grupo como um todo.
Agem discretamente, articulam, facilitam, ouvem os colegas, funcionando como coordenadores das competências dos outros. Em determinados momentos, eles não apenas aceitam, como facilitam a ocupação da liderança por outros mais qualificados para assumi-la naquele momento.
Outras lições podem ser aprendidas observando um maestro. Faz sentido, afinal, um maestro serve como modelo para a liderança, certo? Errado! O maestro é talvez o último exemplo de totalitarismo no mundo. A única pessoa cujas ordens nunca são questionadas. Porém, algo inerente ao trabalho de um maestro está – e deve cada vez mais ser copiado por empresas:
O poder, o sucesso de um maestro, vem da sua capacidade de fazer com que sua equipe seja poderosa. Que cada um extraia a melhor música de dentro de si. E lógico, existe a medição de desempenho.
Perguntaram a um famoso maestro como ele sabe que está fazendo um bom trabalho. Ou como os gerentes podem saber que estão fazendo o melhor para a empresa e a equipe. É muito simples. Olhe nos olhos das pessoas. Se eles estiverem brilhando, pode ter certeza que sua equipe está em um ótimo caminho.
Por baixo do pano – Na TV, é uma competição, afirma o professor Sebastião Amoedo, autor do livro Ética no Trabalho. Todos ali tinham em mente: ganhar ou perder. Agiram, pois, dentro de suas limitações e com grande carga emocional.
Na empresa, construir uma boa reputação leva tempo, mas ela pode ser destruída em segundos. Sua imagem é o bem mais precioso que você pode ter. E sua equipe, sua empresa também tem uma imagem, uma cara que é posta à janela, todo dia.
Solução – Seja sempre honesto para com seus valores e os da empresa. Essa é a única garantia de negócios futuros. A ética baseia-se em quatro pontos:
1 – Jurídico. Se a lei diz que não pode, não pode. Simples assim.
2 – Valores. Aqui entra a espinhosa categoria do “pode, mas não deve”. São ideais passados de geração a geração. Cada empresa tem os seus próprios princípios. Descubra quais são, e, se são positivos, agarre-se a eles.
3 – Reciprocidade. Um grande pilar dos negócios: você gostaria que, numa negociação, fizessem com você o que sua empresa faz com os outros? Se sua resposta foi um “sim” firme, parabéns. Qualquer outra resposta merece um cuidadoso estudo de consciência.
4 – Histórico. Respeitar seus valores não significa fazer negócios da mesma maneira que se fazia em 1920. Seus clientes mudam, evoluem. Evolua com eles, sem perder seu compromisso ético. É como diz aquele Banco: novas idéias, antigos ideais.
Para Saber Mais:
Gerenciar no Limite Lições Corporativas, coletânea de vários autores, Oualitvmark Editora.
Os sistemas de gerenciamento baseados na competição individual, ferrenha e sem limite são uma doença empresarial.

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