Liderança na era de digitalização e inovações disruptivas

Digital disruption Como preparar sua empresa para a era digital

Por Renato de Alvarenga

capa digital disruption - Como preparar sua empresa para a era digitalA relevância do tema “digitalização” (ainda) não condiz com o tratamento dado a esse assunto por muitos executivos. Não raro, ele é delegado — ou melhor, estacionado — a uma “comissão” bem longe da atenção imediata de tais executivos.

Além disso, diferentemente das inovações evolucionárias, o olhar por meio das lentes da oportunidade dificilmente basta para mobilizar as organizações e seus líderes em torno de inovações disruptivas. Estas geralmente são muito pequenas, se comparadas ao negócio principal, no seu estágio inicial. Só é possível dar a elas a relevância devida com um olhar por meio das lentes do risco. Assim, a questão que os líderes das empresas estabelecidas deveriam estar se colocando é:

“O que poderia destruir totalmente nosso modelo de negócio?”.

A resposta a essa pergunta tem levado algumas empresas a adotarem metodologias estruturadas para desenvolver novas lógicas de negócio e a cooperarem mais intensamente com startups.

Porém, na maioria das empresas, decisões importantes continuam sendo tomadas de maneira “tradicional” por executivos (na maioria homens) no topo da empresa. Colaboradores dos níveis inferiores são conduzidos por metas, orçamentos e métodos de controle. Eles são divididos e avaliados por seus superiores numa estrutura de departamentos e hierarquias. Como os líderes deveriam agir em condições que mudam tanto?

Recém-lançado no Brasil, o livro Digital Disruption – Como preparar sua empresa para a era digital (Autografia), de autoria de consultores e acadêmicos das empresas Mirow & Co. e IMP, traz algumas recomendações.

Na era de digitalização e inovações disruptivas cada vez mais frequentes, os executivos devem ter atitudes inovadoras, ser mais tolerantes a erros controlados (por exemplo: usar produtos mínimos viáveis para testar com velocidade e investimentos reduzidos novos conceitos) e adotar metodologias para desenvolver novas lógicas disruptivas de negócio. Porém, o verdadeiro e primeiro desafio é a mudança da cultura de liderança, em especial, do comportamento dos líderes.

4 dicas de boas práticas

  • Diversidade: diferentes pessoas trazem diferentes perspectivas, experiências e informações. Como diria Eric Raymond, um comentador do mundo do desenvolvimento de software: “Com uma base suficientemente grande de testadores beta e de co-desenvolvedores, quase qualquer problema será identificado rapidamente e a correção será óbvia para alguém”.

Essa diversidade tem valor e pode ser aproveitada. Isso é comprovado empiricamente. Um amplo estudo nos EUA mostra que empresas com alto grau de diversidade (gêneros, etnias e orientações sexuais) e colaboradores com diferentes experiências (formação, experiências no exterior, etc.) têm probabilidade de sucesso significativamente mais alta no quesito crescimento (45%) e na conquista de novos mercados (70%). A diversidade estimula o pensamento “fora da caixa”!

  • Independência: as pessoas têm que poder contribuir com suas ideias sem a influência de outros e sem a pressão de grupo. Tem que acontecer de maneira independente de posição, status hierárquico, pertencimento a algum departamento e formação. Três dos maiores obstáculos para boas decisões de grupo são a obediência à autoridade, uma cultura de conformismo e a pressão de grupo. Numa cultura de discussão estratégica aberta, todos devem sentir-se à vontade para contribuir.
  • Descentralização geográfica: pessoas em diferentes lugares e com diferentes experiências têm diferentes conhecimentos (especiais). Eles têm que ser colocados em condição de contribuir com o seu conhecimento local. Isso é particularmente importante em empresas multinacionais presentes em diversos países e regiões.
  • Agregação: é necessário um mecanismo funcional para agregar o conhecimento descentralizado. Por exemplo, por meio de formatos elaborados de cooperação e de formas eficientes de reunião de informações. Em 2009, a Siemens lançou a plataforma Techno Web 2.0. Cada colaborador registrado tem a possibilidade de postar problemas técnicos complexos e receber apoio em questões de implementação. Quatro anos mais tarde, 32 mil usuários estavam discutindo soluções em centenas de diferentes grupos temáticos.

Autor Renato Alvarenga - digital disruption
Renato de Alvarenga é consultor da Mirow e organizador do livro Digital Disruption – Como preparar sua empresa para a era digital.

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