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MITOS EM VENDAS

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Decifre-os ou eles te devoram Responda rapidamente: onde existe maior demanda por carros conversíveis. em cidades de clima frio ou cidades tropicais (com sol furte durante o ano todo)? Se sua resposta foi cidades tropicais, você está equivocado. Isso é um mito! Mas como? Por quê? Muito simples: dirigir com capota aberta, em um clima quente de sol forte e intensivo, é simplesmente insuportável. Nessas cidades, as pessoas preferem andar com o carro fechado, com ar-condicionado. O carro conversível é melhor aproveitado nas cidades em que o sol aparece com menor freqüência e com menos intensidade. Isso é estatisticamente comprovado pelos revendedores de carros.

Quantas vezes em uma discussão, ou um bate-papo, você não ouviu ou utilizou a seguinte afirmação para neutralizar uma argumentação de alguém: Isto é mito”. Mas o que é um mito? Se formos ao dicionário Aurélio , vamos encontrar vários significados para a palavra mito: fato”, “tradição que, sob uma forma de alegoria, deixa entrever um fato natural, histórico, filosófico” [ empresarial, por que não””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””?], “coisa inacreditável, sem realidade”. Com se vê, a palavra mito, traz em seu bojo – e em sua própria definição a polêmica.

Os Mitos têm características próprias

Um mito pode trazer uma ou várias das seguintes características:

–> É polêmico.

–> Não é uma verdade absoluta.

–> É difuso e pouco nítido.

Um mito é polêmico

Na essência da palavra, o mito gera polêmica, discussões intermináveis. A propósito, caro leitor, você já concluiu “quem nasceu primeiro, foi o ovo ou a galinha?”…

Um mito não é uma verdade absoluta

Com a permissão da colocação, poderíamos dizer que no máximo um mito deve ser encarado como uma “verdade relativa”, ou seja, ele será verdade apenas dentro de um determinado contexto. Mudando o contexto, o mito fica passível de perder sua validade. Nesse caso, a validade de um mito está subjugado a um determinado contexto. Por exemplo, há um dito popular que diz: “pau que nasce torto, não há machado que o conserte”. Aplicando ao ser humano, se aceitarmos isso como verdade, teremos que aceitar, em definitivo, um determinismo histórico; ou seja, que um indivíduo será sempre o que sempre foi; não há a menor chance de mudança. Será? Mesmo que esse indivíduo mude de ambiente? Mesmo que aos poucos vá adquirindo experiência? Enfim, será que o “machado da vida” não pode “consertar” alguém? Talvez sim, talvez não. Mais uma vez, o contexto é que irá determinar, se o mito será ou não verdadeiro em algum caso especifico.

Um mito é difuso e pouco nítido

Como uma parábola, um mito não é direto (ainda que traiçoeiramente pareça ser). Na maioria da vezes, um mito tem significados e interpretações múltiplas. A verdade de um mito depende fundamentalmente de corno seu interlocutor o enxerga; sendo que cada visão ou interpretação particular de um mito e prisioneiro de um contexto e da percepção de cada intérprete.

Queira ou não, os mitos estão presentes:
Decifre-os ou eles te devoram

Confusos, difusos, reais ou irreais. De uma maneira ou de outra. os mitos estão presentes sempre, em todos os campos da atividade humana. Particularmente, no mundo dos negócios, os mitos podem apresentar-se através de urna palavra, uma frase da moda ou um novo jargão.

Só não dá para livrar-se dos mitos. Eles fazem parte de nossa realidade, e não há outra alternativa se não encará-los e fazer deles aliados, e não inimigos. Mas, é justamente nesse processo que mora o perigo.

É no processo de interpretação dos mitos que mora perigo

Um mito é uma faca de dois gumes, que se presta para cortar uma fruta com objetivo de alimentar urna criança, ou. por outro lado, pode sangrar uma pessoa inabilitada a manuseá-la. E o que acontece na prática? É que os mitos, os jargões, são fartamente utilizados sem análise, interpretação e digestão. Conseqüentemente, o que vemos é uma má digestão de conseqüências nefastas tanto para os porta-vozes dos mitos, como para as empresas que eles representam. Portanto, antes de sair por aí repetindo um mito, como um papagaio, é prudente que se mastigue, se digira um mito. Antes de repeti-lo, de usá-lo, é preciso entendê-lo, ou ao menos saber em que sentido pode, deve ser utilizado, quais seus limites e implicações.

Um mito é sempre uma oportunidade de reflexão (ou deveria ser)
Nos últimos anos tenho apresentado nos meus cursos e seminários um tópico que chamo “Mitologia sobre Cliente”, onde busco discutir alguns jargões muito comuns na área empresarial, corno por exemplo: “O Cliente é o Rei”, “O Cliente tem sempre razão”. Isso tudo dito e propagado por gente muito bem informada (até por chamados, “gurus” internacionais) , e o que é pior, incorporados no dia-a-dia das empresas tidas como “referenciais de excelência”. São mitos e, por que não dizer, profundos equívocos que, uma vez difundidos e incorporados na cultura das empresas, causam danos irreparáveis, com conseqüentes prejuízos de toda ordem.

Um mito pode não ser verdade, mas sempre tem um valor: o valor da reflexão
A partir da observação, da análise, da utilização e propagação de mitos entre pessoas que militam na área empresarial, sou levado a concluir que há uma tendência de se absorver informações e conhecimentos de forma superficial, sem um questionamento e reflexão profunda do impacto e até da veracidade destes.

É preciso estar atento. Não só nos outros, como em si próprio. É preciso questionar tudo e todos, sempre. Não com o “espírito de porco”, de questionar por questionar, e sim com uma visão crítica do processo. Sabemos que uma autêntica absorção do conhecimento, ou de urna determinada “verdade”, só existe efetivamente após a fase de questionamento. Portanto, deixemos de ser “papagaios”. É preciso se questionar, com profundidade, a validade de tudo.

A propósito: fala-se que “O cliente é Rei”. Será mesmo?

Gurus empresariais – deles nascem a maior parte dos mitos
Os gurus precisam e criam mitos como os estilistas criam moda. E uma necessidade de sobrevivência. E o que é pior, se o guru não é tupiniquim, a princípio já goza de um prestigio maior. Informações passadas ou mitos criados por “especialistas estrangeiros” gozam de um respaldo especial (acredito que valem mais porque são cotados em dólar). Será? Ou a explicação vem do fato que ainda predomina mesmo que no subconsciente uma mentalidade de “colonizados” de terceiro mundo, reprodutores de tecnologia gerencial mais do que efetivamente fundamentadas em competências específicas? Também temos aventureiros tupiniquins ou estrangeiros que aqui aportam destituídos de conteúdo e, principalmente, de VIVÊNCIA naquilo que se propõem a falar ou escrever (a despeito disso, falam e escrevem, e o que é pior, têm público para ouvi-los e lê-los).

Uns dizem: “Ouça o cliente”; outros já afirmam em alto tom: “Não ouça o cliente”. A confusão está formada. Quem está certo? Quem é o irresponsável?

Os criadores de mitos são os grandes vilões. Será?
Vamos parar com isto, chega de terceirizar a culpa! Cada um está fazendo o seu trabalho. A maioria, seguramente, com as melhores das intenções. A literatura, os seminários, os cursos, as consultorias em negócios não são feitas para freqüentadores do “jardim de infância”. Você come tudo que lhe dão? Você toma qualquer remédio? Claro que não.

Cabe a cada um separar o trigo do joio
Com este artigo iniciamos uma coluna chamada “Mitos em Vendas”. Temos o objetivo de provocar, instigar, alertar e fornecer subsídios para que cada um busque a sua própria verdade pessoal e empresarial, a partir da apresentação e análise de diversos mitos ou jargões que circulam e são criados diariamente no mundo dos negócios. Cito alguns (quem sabe você vai elaborando seu posicionamento crítico sobre eles):

“O Cliente é Rei.”

“O Cliente tem sempre razão.”

“Não ouça o Cliente.”

“O Cliente em primeiro lugar”

“Uma briga com o Cliente, você sempre perde.”

“O bom vendedor vende até picolé para esquimó.”

“O Cliente quer é preço.”

“O Cliente esta acima de tudo.”

“Tenho Clientes fiéis.”

“O bom vendedor é aquele que envolve o Cliente.”

“Nunca devemos rejeitar um Cliente.”

“Um Cliente é um ingrato, ele não reconhece um bom serviço.”

Ninguém ensina nada a ninguém; no máximo, contribui para gerar um insight. Portanto, caro leitor, parta do princípio de que minha “verdade” é sua “mentira”, que minha mentira é sua verdade, que minha meia verdade para você é uma completa mentira. A partir de um profundo questionamento, de uma negativa inicial (com o espírito construtivo), com o objetivo de reconstruir a sua verdade, tudo dentro de um processo coerente e honesto consigo próprio. Só essa postura crítica e ética cria as condições necessárias ao efetivo aprendizado. Esta postura/az com que deixemos de ser espectadores, e passemos a ser atores; enfim protagonistas deste grande espetáculo, que é a vida.

[Sérgio Almeida é escritor, conferencista e diretor editorial da Casa da Qualidade. Para contatá-lo: http:/ www.sergioalmeida.com.br, e-mail: sergioalmeida@sergioalmeida.com.br, telefone: (071) 351-0907]

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