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O poder do desafio nas organizações

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O desafio na vida organizacional conta com a sabedoria de quem lidera por propósitos de desenvolvimento, levando em conta o que cada pessoa é e pretende ser. O que leva algumas pessoas a investir tempo e energia de sua vida em eventos que aparentemente sinalizam baixo retorno futuro? Ou pior, o que as move em direção a situações na qual o seu destino é matematicamente calculável e a previsão é obscura? Que fatores contribuem para que se insista numa jornada de destino incerto ou desmotivador? Pela sua subjetividade e a ilimitada capacidade de resolver problemas e sobretudo a motivação que pode estar presente, o ser humano modifica o cenário e amplia as suas chances de superação, ludibriando a lógica das operações exatas ao lhes conferir a elasticidade contida na superação causada pelo desafio.

É certo que as pessoas têm personalidades e comportamentos únicos, diferenciando-se umas das outras e imprimindo-lhes a sua marca registrada. Essa caracterização pessoal pode ser percebida através de fatores físicos como o tipo de corpo, cabelo, postura e principalmente pelo jeito de ser, resultado da estrutura e da dinâmica psicológica existente em cada um. Da mesma forma, o ato de pensar e o de sentir também são diferenciados, oscilando no mesmo indivíduo de uma época para outra ou conforme a circunstância na qual se encontre. Assim, ao se considerar as questões motivacionais que influenciam a vida dos colaboradores na organização, seria imprudente determinar apenas uma única condição como agente que desperta o interesse de se fazer algo para se atingir um dado objetivo.

Embora algumas motivações se assemelhem do ponto-de-vista da sobrevivência, como o dinheiro que compra a alimentação e garante a segurança pessoal e familiar por meio de uma moradia, ou ainda, do acesso às compras e à conseqüente satisfação de consumo desejado, existem tantas outras fontes de motivação quantos forem o número de pessoas habitando o planeta. Haja vista nos surpreendermos com as aspirações a nós relatadas, sejam elas por objetos materiais, ambição social, vingança, reconhecimento e auto-estima. E, ressalta-se com o devido refinamento, o que é muito para um, é pouco para outro. Tudo varia conforme o ser humano e o seu momento presente.

Portanto, pode-se planejar estrategicamente formas de se impulsionar os colaboradores para que eles se desempenhem melhor. Contudo, os resultados indicam que a mesma poção não gera o mesmo efeito em todos os pacientes. Ou seja, um único modelo de se estimular os colaboradores, via de regra, não os motivará na totalidade e na porcentagem que se almeja. Ainda que tal afirmação soe óbvia, muitas organizações adotam esse tipo de expediente na expectativa de colher frutos da árvore inteira e, inacreditavelmente, do mesmo tamanho e qualidade.

Para um adequado direcionamento e maior acerto mediante o que se planeja enquanto motivação humana na vida organizacional, o primeiro preço a pagar é a tomada de consciência de que se necessita um empreendimento dessa envergadura. Em seguida, aumentar os esforços relacionados a se conhecer cada colaborador e as suas reais motivações, condição crucial e possível a partir do relacionamento existente no eixo líder-seguidor. Um dos principais papéis da liderança é conhecer os seus seguidores por meio da convivência mais aprofundada. Liderar é originário de läden, cujo significado é andar ou viajar junto. Todavia, vê-se largamente em muitas companhias a distância entre aqueles que deveriam ser próximos. Sem uma certa intimidade não se consegue conhecer, avaliar e muito menos tocar na essência do ser humano. Torna-se então um jogo de adivinhações, cuja ciência e as suas ferramentas metodológicas passam despercebidas. Às vezes se acerta, e em muitas outras…

As discussões acerca da motivação já avançaram bastante, porém a sua prática não é tão simples. Muitos líderes entendem claramente sobre o valor de se desenvolver a motivação tanto de fora para dentro através de prêmios e benefícios, quanto de dentro para fora, em cuja base pode estar presente o próprio desenvolvimento e a evolução profissional, o prazer de aprender e se adaptar às mudanças tão presentes no mercado, a boa auto-estima de se atingir metas que levem ao crescimento do todo organizacional, a realização de um sonho pessoal. No entanto, ainda faltam elementos que se aliem a esse projeto tão importante, tais como se considerar, cada vez mais, as sutilezas existentes em cada colaborador: sentimentos e emoções, estilos de se relacionar socialmente, histórico de vida, situação pessoal e familiar no presente, anseios e planos para o futuro e, especialmente, a maneira de desafiá-lo.

É nesse ponto que a discussão merece adensamento. Na história humana, o desafio sempre foi um item de boas discussões, valendo-se dos efeitos resultantes em cada caso. Para alguns, o desafio causa temor, para outros a motivação, outros ainda, a superação, e há aqueles que se mantêm indiferentes. Relembrando sobre a importância da liderança nesse processo, julga-se prioritário o conhecimento que se tem de cada membro de uma determinada equipe de trabalho. Dessa feita, a avaliação diagnóstica sobre a pessoa e a suas motivações indicará a maneira mais adequada de se propor um desafio. À medida que o líder percebe quem é o seu seguidor, a sua proposição desafiadora terá maior sentido dentro do desafiado, além de encontrar resposta mais contundente nele.

Ao líder, cabe ainda o reconhecimento natural a respeito da agressividade que estiver presente nos comportamentos do seguidor desafiado, ou mais claramente, provocado. A agressividade, aqui identificada como uma força interior que busca a superação, é fundamental. Ela pode ser entendida como vontade de poder, de ousar e conseguir. Caso falte esse tipo de conhecimento à liderança, o medo e a inabilidade de se lidar com uma situação cotidiana desse porte pode gerar o bloqueio desse fluxo de agressividade e inviabilizar o projeto de desafio, bem como minar as forças e esperanças pessoais e grupais. A frustração será a ferida resultante dessa infeliz guerra de facas no escuro, cujas cicatrizes farão lembrar, por inúmeras vezes, o traumatizante incidente.

Por outro lado, a observação sensível feita pela liderança deve alcançar as situações extremadas, nas quais a obsessão por um objetivo ultrapassa o espírito de equipe e agride os colegas e as normas de convívio da organização e, em alguns casos, os valores que embasam a visão e a missão organizacionais. Embora se obtenha um determinado grau de resultado com esse tipo de colaborador, o preço a pagar é alto. Fragmentar um grupo que se desenvolve há certo tempo, se conhecendo e compartilhando dos altos e baixos diários talvez não compense. Cada líder possui uma ótica a respeito de pessoas e resultados, liderança e gerenciamento. No entanto, as relações que sofrem abalo encontram certa dificuldade para se recompor, iniciando uma nova perspectiva que lhe abra um novo caminho. Ser como fora antes é impossível. Os cuidados com as pessoas da equipe são cruciais. Por essa razão, propor desafios merece igualmente a atenção e a habilidade de se gerir gente, conhecendo-as e sendo conhecido por elas.

Sem desafio, o colaborador adormece a sua capacidade criativa, acomodando-se na rotina que frustra e desanima. Inclui-se, a propósito, o desafio de delegar, cuja oportunidade demanda a aprendizagem e a paciência. Algumas das resistências relativas ao ato de delegação reside no medo de errar. Eis a chance de superação contida na boa provocação que a tarefa exige. O risco faz parte e é estimulante. Sem ele o brilho é ofuscado pela opacidade da mesmice. Perde-se o sentido de avançar e fazer algo melhor. Motivar, propondo desafios é um exercício desafiador igualmente. O desafio na vida organizacional conta com a sabedoria de quem lidera por propósitos de desenvolvimento, levando em conta o que cada pessoa é e pretende ser. O líder competente desenvolve em si o desafio. E, oportunamente, oferece desafios que provoquem os colaboradores a sair do lugar comum e superar a si próprios. A boa sensação desse convívio qualitativo atende a necessidades pessoais e profissionais. Ninguém esquece do outro que lhe impulsionou, cobrando-lhe com vigor, aos resultados e ao aperfeiçoamento.

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