Como o Armazém do Café conseguiu ter sucesso em seu empreendimento?
Se fizéssemos uma relação do que é ou um dia já foi uma das paixões nacionais, com certeza estariam na lista futebol, praia, sol, carnaval, uma cerveja gelada, uma bela mulher… e o velho acompanhante do pão nosso de cada dia: o cafezinho. Afinal, de acordo com uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), 97% da população acima de 15 anos declara consumir café.
E quem não se alegra ao lembrar o cheiro daquele cafezinho passado logo pela manhã antes de sair para o trabalho ou os tempos em que era criança na casa da vovó e seu delicioso lanchinho da tarde? Até mesmo já adulto, com água na boca ao passar em frente à padaria que exala aquele cheirinho típico do café quentinho?
Justamente por ser um produto de fácil aceitação, o café se tornou popular. E foi exatamente aí que surgiu a oportunidade de transformar o tradicional cafezinho em um negócio diferente.
A importância de se fazer o que gosta
Mas não foi apenas a massificação do comércio de café o único motivo que levou Marcos Modiano a investir no produto. Segundo ele, uma das maiores razões foi sua grande paixão pelo café. “Minha família sempre foi ligada ao segmento. Ela comprava o café e moía em casa, e eu achava aquilo sensacional”, ressalta o empresário. Seu vínculo perdurou por sua vida de adulto, enquanto trabalhou no mercado financeiro ligado ao café, até os anos 90, quando houve a desregulamentação do preço do produto, durante a gestão do presidente Collor. “Coincidentemente, naquela época, eu já estava descontente com o mercado financeiro e andava pensando. Existe um momento na vida em que você tem que sair do que faz para começar uma coisa diferente. Quando você tem 20 ou 30 anos e leva um tombo no mercado financeiro, há como recuperar. Aos 40 também, mas, se chega aos 50, você não tem como recuperar mais. Então, percebi que estava na hora de começar uma coisa nova. Como eu gostava muito e tinha uma ligação forte com o mercado cafeeiro, encasquetei de abrir uma casa de café no Brasil”, relembra.
Os desafios
Mas dar início a qualquer atividade, seja ela sua grande paixão ou não, é sempre um desafio. Para Modiano, alguns problemas apareceram antes mesmo de começar o empreendimento. “Para todos que eu falava sobre minha ideia, no mundo inteiro, ninguém me deu apoio. Todos diziam que não havia cultura de café no Brasil”, ressalta o empresário. Entretanto, ele não deu ouvido e, em 1995, partiu para pesquisas de mercado e fez, pela primeira vez na vida, uma viagem exploratória para saber como funcionava o mercado de café no exterior, começando pela Espanha, França, Itália e Holanda, passando pela Inglaterra, Canadá e Estados Unidos, até voltar ao Brasil. “Em vez de fazer uma viagem de lazer, dessa vez foquei o olhar para o café. Vi como funcionava lá fora e, quando voltei, logo procurei o pessoal do mercado financeiro de café. Transmiti a ideia, achei um fornecedor aqui no Rio de Janeiro, que há muitos anos fornece café de qualidade, e então começamos o negócio”, relembra.
Assim, em julho de 1997, nascia a primeira loja Armazém do Café, em Ipanema, zona sul carioca. “Nós criamos algo diferente – um espaço reservado para quem aprecia o café com gosto de café. Além disso, trouxemos para o mercado um lugar em que as mulheres se reúnem enquanto saboreiam bebidas sofisticadas de café. E o mais importante: colocamos no paladar das pessoas um gosto diferenciado”, afirma Modiano.
Atenção aos detalhes
A vida rodeada por grãos de café fez de Modiano um exímio entendedor do assunto, e isso se refletiu diretamente em seu empreendimento. Com a inauguração da primeira loja Armazém do Café, abria-se também as portas para um mercado diferente, onde até então não era comum encontrarmos uma loja especializada em café. “Foi como o pulo do gato! Como eu entendia do meu produto, não comprei café industrializado, comprei cru, em grão e selecionado. Depois, adquiri máquinas de torrefação de café gourmet, especializadas para cafeterias. É isso o que dá o verdadeiro sabor do café – um dos nossos maiores diferenciais”, diz.
Pouco tempo depois, entrava em cena a segunda loja, e hoje já são sete espalhadas pela zona sul, centro e Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em todas elas é possível identificar de longe a preocupação com a decoração – totalmente dentro da temática do café –, que retrata fazendas, tem objetos de antiquários e até mesmo peças raras de café, cedidas em comodato pelo Ministério da Agricultura. “Nós recebemos muito material para a decoração. Até alguns exportadores ficaram entusiasmados quando viram a coisa dar certo e mandaram vários objetos para nós. Estão lá, com os devidos créditos: cedido pela empresa tal, doado pelo empresário tal!”, ressalta Modiano.
Mas não adianta somente ter uma decoração adequada, é fundamental que ela esteja alinhada a um atendimento de primeira qualidade e à logística do estabelecimento, foi o que aprendeu o empresário. Ele conta que a primeira loja, embora linda, foi um fracasso nesse aspecto. “Nela, a geladeira ficava no fim da loja, então, quando pediam água mineral, por exemplo, a atendente tinha que ir correndo pra lá e pra cá. Por isso digo que, para ter sucesso, é preciso contratar um excelente arquiteto, mas também ter a presença de um português, porque será ele que dará a logística da padaria. Não que o Armazém seja uma padaria, mas a logística é a mesma – o português apenas se abaixa e pega a água na geladeira, logo abaixo do balcão”, justifica.
Administre de perto
Segundo Modiano, um dos segredos do sucesso de um negócio está em você se fazer presente, administrar tudo de perto. “Eu acho que, pra dar certo alguma coisa, é preciso ter um mercado certo e gostar daquilo que você faz. Afinal, eu não estou trabalhando com produção em série. Eu escolhi fazer um negócio com todo o amor e dedicação, e deu certo até hoje porque eu sempre me dediquei e acompanhei tudo de perto. Corri atrás para fazer tudo bonito e de uma forma que funcionasse”, garante.
É por essas e outras que o empresário explicou também os motivos pelos quais não adere ao formato de franquias. “O problema das franquias é o seguinte: você não sabe se o outro irá tratar o negócio com o mesmo amor que você. Além do que, ele vai perder a originalidade. Se minhas lojas são referências, é porque eu faço algo de qualidade e, se fizer franquia, a qualidade acaba, então vira uma rede. Apenas mais uma rede”, observa.
Em meio aos concorrentes
Quando perguntamos sobre como ele, pioneiro no ramo de casas especializadas em café no Rio de Janeiro, lida com os concorrentes, Modiano foi enfático em dizer que só são concorrentes aqueles que abrem casas de café próximas às suas lojas, caso contrário, não são. “Veja bem, o que mais cresce aqui no Rio de Janeiro é camelô e casas de café. Então, a concorrência deve ser tratada com seriedade, até porque, cada vez mais, hoje em dia tem gente que se propõe a fazer um bom negócio e oferecer um café de boa qualidade. Esses sim são meus concorrentes. É por isso que a única coisa que eu peço às pessoas que tomam café em outro lugar é que tomem aqui no Armazém também. Aí sim elas poderão comparar!”, conta.
A determinação
Embora já tenha falado sobre os vários fatores que fazem as lojas Armazém do Café serem um empreendedorismo de sucesso, guardei para o fim um dos trechos mais marcantes da entrevista com Modiano – em que perguntei ao empresário se em algum momento ele pensou em desistir, principalmente quando todos falaram que seria um mercado de risco no Brasil. Em sua resposta, ele frisa mais uma vez que, quando temos a verdadeira certeza, é praticamente impossível algo não dar certo. “É aquela história: eu estava tão convicto de que daria certo que tinha que dar certo, não havia como acontecer o contrário! Pensa comigo: eu tinha a ideia na cabeça, entendia muito sobre o produto e tinha o fornecimento de um bom café. Por que não daria certo? É uma nulidade. Há 13 anos pegamos um nicho de mercado e plantamos uma semente que não apenas deu frutos, mas, na realidade, ajudou a mudar configurações em mente com relação a café. A partir de então, fizemos com que o hábito de tomar café virasse uma forma de degustar e apreciar uma excelente bebida, e não mais um cafezinho popular em pé no balcão”, finaliza.
Alguns fatores que levam um empreendimento ao sucesso
- Goste do que faz –Você não chegará a lugar algum se fizer uma coisa simplesmente porque dizem que dá dinheiro ou porque é lucrativo. Você tem de gostar, entender aquilo que faz e fazer benfeito.
- Conheça o produto e o mercado –Acredite na sua ideia e no seu produto, mas é fundamental conhecer o mercado em que se deseja iniciar o empreendimento. Pesquise, estude, conheça e depois dê o primeiro passo.
- Esteja presente –É preciso acompanhar seu negócio de perto. Se você entra em seu escritório e não sabe o nome de seu funcionário, é melhor parar por aí, pois você já não tem mais o controle do seu empreendimento.
- Mantenha-se motivado –Seja o que for fazer, se você gostar daquilo que faz, se acordar de manhã com uma boa ideia, com vontade de progredir, de inovar, não tenha dúvidas: dará certo. Mas, se você acordar e pensar algo diferente disso, é porque alguma coisa está errada.
- Aprenda com seus concorrentes –Observe quem são seus concorrentes e as estratégias deles para se manter no mercado e faça diferente. Destaque-se!
- Fique atento aos detalhes –Quem nunca ouviu a frase: “O sucesso está nos detalhes”? Por isso, é importante pensar não somente na estrutura maior, mas principalmente nos detalhes, como: decoração, acomodação, preços, atendimento, localização, entre outros.
- Tenha determinação –Se você acredita que vai dar certo, não fique em cima do muro nem perca o foco. Embora não seja fácil, é preciso ser persistente. Lá na frente você verá que valeu a pena!
Para saber mais:
Acesse o site:http://www.armazemdocafe.com.br/


