Quem não se lembra de James Dean, com sua jaqueta de couro, em Juventude Transviada? O sonho de todo adolescente: pegar uma moto, namorada na garupa, e sair pelo mundo afora (às vezes até mesmo sem namorada – ou sem moto!)
Só que devemos estar meio velhos, porque se você disser isso a um adolescente de hoje, ele com certeza vai perguntar "E ir para onde?"
A verdade é que a globalização realmente chegou, e pegou os "jovens" com toda a força. Os americanos, que antes exportavam armas, soldados e seriados enlatados, agora exportam MTV, NBA e seriados enlatados. Além disso, tudo o que vem na cola: bonés, tênis, camisetas, vídeos, etc. (O Brasil também tem feito isso com as novelas da Globo – só que ainda não aprendemos a trabalhar o merchandising de maneira profissional).
Em recente pesquisa feita pela D'Arcy, Masius, Benton & Bowles (DMB&B), uma agência de propaganda associada à Salles no Brasil e publicada pela revista Veja, milhares de adolescentes deram suas opiniões e, a despeito do possa dizer a equipe da Abril, ficou provado que os adolescentes do mundo inteiro não querem as mesmas coisas porcaria nenhuma – isso é uma generalização grosseira.
Todo mundo quer terminar os estudos (1), mas no Brasil os adolescentes querem encontrar um emprego (2), ter sucesso na carreira (3), fazer faculdade (4) e ter dinheiro para viver com conforto (5) – ser um adulto feliz fica em sétimo e encontrar alguém para amar em nono. (Nos EUA é diferente, com um perfil mais consumista e à procura de conforto).
Mas, ficando por aqui mesmo, poderíamos nos aprofundar um pouco no assunto da juventude brasileira – as 5 coisas que os jovens mais querem na vida giram basicamente em tomo do dinheiro. Estes são os mesmos jovens que preferem (na ordem): escutar rádio (passivo), ver TV (passivo), ficar com amigos, ouvir fitas e CDs (passivo) do que estudar (que milagrosamente está em 5º lugar). Isto continua igual no Brasil o sonho de ganhar dinheiro sem esforço.
Num artigo da "The Economist" do mês passado, um consultor escrevia sobre como a TV e os computadores estavam derrubando barreiras entre os países. Ele defendia que, com o livre acesso à informação, as pessoas se sentiriam mais à vontade com seus pares intelectuais (seja lá de onde forem), do que com conterrâneos com características psicodemográficas diferentes. Um japonês analista de bolsa de valores, por exemplo, se sentiria mais à vontade com outros analistas, mesmo que da França, Inglaterra ou Brasil, do que com um japonês carpinteiro.
Com os jovens parece estar ocorrendo a mesma coisa (parece…). Como já disse um filósofo publicitário, as opções dos adolescentes estão mais para os produtos que compram do que para atitudes frente à vida. Em decorrência, muitas marcas novas surgiram, devido à nossa incapacidade de entender o que está acontecendo com essa garotada – que odeia política, mas quando precisou pintou a cara e foi para a rua. (Concordo que foi mais pelo oba-oba, mas pelo menos foi. Eu conheço um monte de senhores respeitáveis que ficou reclamando na sala de jantar, como sempre, sem tirar a bunda da cadeira. Se fosse por eles, ainda estaríamos na mesma – reclamando).
Grunge, sexo, AIDS, skate, gangsta-rap, drogas, dinheiro e um monte de hormônios! É lógico que os adolescentes precisam de uma válvula de escape – e empresas que descobriram isso estão faturando horrores. Quem tem filho adolescente sabe – eles são capazes de gastar uma fortuna numa calça da marca "X" ou tênis da marca "Y" – e aí rasgam, que é para ficar "na moda". Como disse um dos entrevistados da Veja: "Você tem que se adaptar para não ficar sozinho nesta vida – mesmo que isso signifique sair vestido com um saco de batatas". Até aí tudo bem, moda é moda e se você encontrar uma foto sua de 10 anos atrás também vai se sentir ridículo.
O problema é que a distância entre gerações (a "generation gap") parece estar cada vez maior, porque a velocidade de obsolescência também está aumentando. Você se lembra quando tomar Coca-Cola era o máximo da rebeldia? (Faz tempo…) Depois veio a Pepsi, com o slogan "The Choice of the New Generation". Agora vem o Gatorade, depois vai vir a Snapples (chás naturais que são um mega sucesso nos EUA – são as chamadas bebidas "new age"). Sabe onde vamos parar? Na água mineral, sem gás (completando o circulo).
Se você tem algum serviço ou linha de produtos para adolescentes, ouça este conselho: contrate alguns estagiários para trabalhar para você. O motivo é muito simples. Como diria o filósofo chinês, um sábio não vê a mesma árvore que um tolo vê. Embora a letra seja a mesma, quando eles ouvem Rita Lee ou Raul Seixas, eles escutam algo diferente do que você. Porque não mudou a letra, mudou o mundo.
No editorial de Fevereiro, critiquei alguns jornais de Minas Gerais pro problemas de atendimento. Infelizmente, a crítica estava mal embasada, devido a problemas internos de comunicação aqui na Quantum. Renato Faria Gonçalves, coordenador de assinaturas d´O Estado de Minas Gerais reclamou (com toda razão), pois a crítica foi injusta e não merecida. Fica aqui meu sincero pedido de desculpas, já que o departamento de assinaturas de O Estado de Minas Gerais foi um doa mais eficientes. Para dar nomes ao9s bois, aqui estão os nomes dos jornais quais tivemos problemas: Zero Hora, Folha da Tarde, Correio Brasiliense e O Globo


