As empresas estão buscando reduzir o problema do crescimento do spam com soluções econômicas, em particular a “postagem de emails”. Como relatamos anteriormente, as empresas estão buscando reduzir o problema do crescimento do spam com soluções econômicas, em particular a “postagem de emails”. As principais empresas envolvidas, como Microsoft e Yahoo estão ocupadas construindo programas para lidar com o problema. A Microsoft, por exemplo, está desenvolvendo uma extensão para o Outlook que permitirá aos usuários do programa cobrar das pessoas que não conhecem por lhes enviar emails. O Yahoo está utilizando uma abordagem diferente, trabalhando com a empresa de tecnologia de email Goodmail para desenvolver uma rede de postagem que seja capaz de cobrar das empresas que enviam grandes quantidades de email. Alguns prevêem que essas iniciativas estarão em funcionamento até o fim do ano.
Não importa qual seja o planejamento anti-spam, a realidade é que sem o apoio dos usuários, haverá um enorme problema de adoção. E até agora, eles não têm estado muito animados com a idéia. Uma enquete recente com 3.827 usuários online do Wall Street Journal mostra que 78 por cento não querem pagar uma tarifa pequena para enviar emails, como uma forma de eliminar o spam. E uma enquete similar com 196 visitantes do Web site americano do Peppers & Rogers Group (www.1to1.com), 69 por cento deles acreditam que cobrar das pessoas que enviam emails uma taxa pela postagem não resolverá o problema do spam. Conforme sempre fazem, as empresas parecem buscar uma solução tecnológica sem levar em consideração a opinião do cliente ? uma perigosa armadilha para se cair.
“Neste momento, as empresas têm foco em solucionar o problema do spam porque ele está custando muito dinheiro ? elas estão olhando mais para seus custos que para o efeito que essas ações causam nos clientes”, diz Jim Nail, analista sênior na Forrester Research. Ele acredita que o sistema de emails baseado em tarifas funcionará apenas se for limitado a emails comerciais, sem envolver consumidores.
John Levine, co-responsável pelo grupo de pesquisa anti-spam da Internet Research Task Force (Força Tarefa de Pesquisa na Internet), ainda vai além. “Eu não conheço qualquer pessoa que tenha pensado na realidade da situação para os clientes”, diz Levine. Ele ressalta que mesmo os programas desenhados para colocar essa carga financeira nas entidades que enviam grandes quantidades de email acabarão por respingar nos usuários sob a forma de custos adicionais. “O dinheiro dos profissionais de marketing tem de vir de algum lugar”. Ele diz que as empresas de tecnologia estão direcionando seus esforços para a questão do spam porque “essa é a resposta a suas próprias preces, mas essas orações têm mais a ver com seus próprios planos de negócio que com o interesse dos usuários de email”.
Richard Gingras, CEO da Goodmail, diz que a única solução que funcionará será aquela que empurre os custos para longe dos clientes. “Não acreditamos de forma alguma em clientes pagando [pela postagem]”, ele diz. Seu modelo faria com que os grandes geradores de emails (com mais de 1.000 mensagens por mês) pagassem uma taxa de postagem por mensagem ao ISP (Provedor de Serviços de Internet) que manipula esse grande número de mensagens. Dependendo de sua indústria e os tipos de mensagem que você envia, você receberia cobranças com diferentes taxas.
Esse sistema criaria uma “classe confiável de email”, diz Gingras, onde as pessoas saberiam exatamente o que estariam recebendo. “Com uma classe confiável de emails, seu valor aumentaria. O email é o meio de comunicação mais poderoso que já conhecemos, e estamos tentando conservá-lo dessa forma”.
Gingras não vê um cenário no qual o cliente pague pela postagem. “Há uma percepção de que o email é grátis, mas você já paga pelos custos de ISPs e outros. Estamos buscando a segurança de que os custos sejam tão baixos quanto for possível e casar isso com a concordância dos clientes”.