Você deve saber motivar a si mesmo e aos outros. A motivação é uma questão pessoal. Quanto a motivar a equipe, é preciso ficar claro que nenhuma pessoa motiva outra. O que você pode fazer é fornecer os instrumentos e condições para que alguém se motive, e essa pessoa passa, então, a agir de forma motivada na busca de metas e objetivos estipulados.
1 Todas as manhãs, ao levantar, olhe-se no espelho. Gosta do que vê? Sim, se você pretende motivar os outros, primeiro deverá saber motivar a si próprio. Olhe-se no espelho todas as manhãs assim que se levantar. Se não gosta do que está vendo, então você está desmotivado. É hora de fazer algo a respeito. A automotivação ocorre mais facilmente se você possuir dois componentes básicos: metas (profissionais e pessoais) e auto-estima. As ruelas devem estar alicerçadas em aspirações profundas pelas quais você faria qualquer esforço e pagaria qualquer preço para atingir. Mas tem de ser algo que o motive à ação (motivo+ação), que o faça vibrar cada vez que pense nisso. Algo que, para você, faça valer a pena correr riscos, pois é o seu objetivo de vida.
2 Estabeleça metas de vida. Embora estabelecer metas possa parecer assustador, é necessário faze-lo porque, se não tiver coragem de lutar pelos seus próprios objetivos, ninguém ira realizá-los por você. Portanto, compre a idéia de assumir o controle da sua vida, e estabeleça um sistema de metas por escrito. Não basta apenas pensar nisso, e preciso escrever. A diferença entre um "desejo" e uma "meta" é que a meta está no papel. Assim, você poderá visualizar suas metas, o que torna mais fácil refazê-las, concentrar-se nelas, dar-lhes prioridades e usá-las.
3 Promova sua auto-estima. O desenvolvimento de hábitos e capacidades positivas seja lidar com o estresse, vencer o adiamento ou aprender a comandar pessoas depende de sua auto-estima. Muito dessa auto-estima está baseada principalmente na infância – de seus pais, parentes, amigos, professores, meios de comunicação e de todo o ambiente que o cerca. É sabido que muitas pessoas competentes profissionalmente sabotam suas chances de sucesso e felicidade por causa dos problemas que elas consideram intransponíveis. isso ocorre porque a maioria, infelizmente, convive com um baixo nível de auto-estima cristalizado ao longo dm anos. O resultado é a autoconfiança debilitada. A auto-confiança é absolutamente necessária se você quiser fazer progresso em sua carreira. Ela livra-o de preocupações desnecessárias, medo o insegurança. Torna o cérebro descansado para dedicar-se a idéias positivas. Você desenvolve essa autoconfiança aceitando novas oportunidades quando elas surgem, tomando a iniciativa e fazendo as coisas acontecerem em vez de esperar. Quando confiar em si mesmo, os outros também confiarão. Confiança é como gripe: tremendamente contagiosa. Quando irradiar confiança, você estará motivado e saberá motivar os outros; as pessoas o seguirão, as oportunidades surgirão.
4 Deite-se e levante-se tranqüilo. Não vá dormir com as tradicionais noticias pessimistas e angustiantes da TV, ou após ter assistido o um filme violento, pois eles agitarão seu sono. Pesquisas revelam que último pensamento com o qual pessoa adormecer tenderá a predominar durante o sono. Não é preciso, portanto, ter muita imaginação para saber o que acontecerá se você dormir preocupado ou alarmado. Ao deitar-se, reserve dez minutos para você mesmo. Visualize uma paisagem paradisíaca, cheia de luz, cores e muita paz. Sinta esse ambiente positivo e tranqüilizante envolvê-lo e permaneça nele enquanto adormecer. Se puder, ao mesmo tempo ouça uma música relaxante e suave (afinal, para que serve o walkman?). Seu sono terá outra qualidade.
Ao levantar, disponha de pelo menos cinco minutos para você mesmo. Não ligue correndo a TV à cata das eternas notícias perturbadoras, nem ligue o rádio no último volume. Respeite-se. Ao levantar, fique num lugar tranqüilo do seu lar, visualizando um dia de harmonia e proteção, no trabalho ou onde estiver. Faça com que essa sensação de harmonia penetre em você. Permaneça assim por cinco minutos, ao menos. No decorrer do dia, lembre-se, a cada hora ou um par de horas, dessa sensação de harmonia e proteção. Você ficará surpreso de como as coisas poderão se encaminhar favoravelmente durante o dia. Tudo isso porque, inconscientemente, sua postura será mais tranqüila e confiante diante das pessoas e situações, e as respostas tenderão a se alinham com o seu comportamento harmonioso.
5 Estabeleça harmonia no relacionamento da sua equipe. Faça com que seus subordinados aprendam a trabalhar em equipe, estabelecendo um ambiente cooperativo. O trabalho em equipe, a confiança mútua e a cooperação geram mais trabalho produtivo e motivação do que muitos métodos sofisticados. Mantenha um ambiente alegre, tranqüilo e harmônico. Comemore num resultado positivo de seu departamento oferecendo à sua equipe refrigerantes e salgadinhos, ou algo parecido, no fim do expediente.
6 Reforce a auto-estima dos subordinados. Faça com que as pessoas sintam-se vencedoras. Gere orgulho do colaborador pelo trabalho que ele desempenha, pela empresa em que trabalha e, sobretudo, faça-o ter orgulho de si mesmo. O orgulho gera o desejo de êxito; o desejo de êxito faz as pessoas buscarem no seu íntimo recursos interiores inexplorados. Uma das melhores maneiras de incutir o orgulho nas pessoas é dar-lhes o sentido de responsabilidade pelo que estão fazendo, ajudando-as a saber que desempenham uma função importante. Encoraje cada um a fixar prioridades em seu trabalho, fazendo, com isso, com que se envolvam e comprometam-se com os resultados obtidos.
7 Estabeleça metas ambiciosas mas exeqüíveis. E impossível gerar orgulho na equipe sem estabelecer padrões elevados de qualidade e produtividade. Mas, em primeiro lugar, as metas devem ser claras para todos. Não pode haver a menor dúvida na equipe sobre o que se pretende atingir, e como chegar lá. Em segundo lugar, essas metas devem ser ambiciosas mas atingíveis. Se houver resistência da equipe, você terá de negociar as metas com ela e, ao mesmo tempo, mostrar o desafio que terá pela frente. Isso a estimulará.
8 Mantenha abertos os canais de comunicação. Ouça o seu pessoal. Aceite sugestões. Envolva-os na busca da solução de problemas. Fale dos números e resultados que a empresa obtém. Converse com os colaboradores repetidamente. Mantenha um ambiente de respeito e cortesia. Não seja o único canal para a alta administração. Permita que seus subalternos dirijam-se ao nível superior da organização com ou sem a sua presença. Nesse caso, deverá ficar claro para os subordinados e chefia superior que isso está acontecendo com o seu consentimento, e que depois você quer receber o feedback do encontro, seja do subordinado ou da chefia com quem ocorreu o contato. Dessa forma, você demonstra confiança e controle da situação.
9 Lembre-se: o que é recompensado é feito. Existem muitas outras formas de recompensar além do dinheiro. Aliás, essa é mima das formas com a qual o gerente menos tem poder de premiar. Mas quase sempre tudo o que é recompensado é realizado com mais interesse e motivação. Por exemplo, premie um bom trabalho ou um grande esforço despendido com um treinamento ou um dia de folga, um jantar, um bem (perfume, calculadora, etc.), entradas para eventos esportivos ou culturais. Descubra ou pergunte que outras formas de recompensas eles gostariam de obter. Mas seja qual for a premiação, as regras devem estar bem claras para todos saibam o porquê de alguém estar sendo recompensado, para que não haja a idéia de favorecimento ou protecionismo. Outras formas de premiação podem incluir promoções, transferências, ampliação da função ou de tarefas, participação em novos projetos, estágios, etc.
10 Faça do treinamento uma prioridade. Proporcione cursos, treinamentos, palestras, estágios. Sessões em que são exibidos filmes de vídeo que aprimorem a capacidade de seu pessoal. Investir na competência e preparo de pessoas tem retorno garantido na forma de motivação, produtividade e metas atingidas.
11 Delegue e descentralize. É bom enfatizar a importância da delegação como um agente motivador dos mais eficazes, e dos que mais estimulam a competência do indivíduo.
12 Elogie e reconheça. O elogio e o reconhecimento por um trabalho bem-feito ou uma decisão acertada devem ser sempre sinceros. Falsos elogios ou elogios muito freqüentes fazem perder a credibilidade e banalizam o fato. Porém, não economize elogios se a pessoa fez por merecê-los. Ao elogiar, faça-o com convicção e sinceridade e, se possível, diante de outras pessoas. Isso provocará um efeito positivo em todos. Mas, quando for repreender ou chamar a atenção de alguém, faça-o sempre em particular. Com isso, você estará preservando o orgulho e o auto-respeito da outra parte.
13 Incentive e recompense os riscos (previamente calculados). Injete em sua equipe um espírito em que inovação e riscos sejão recompensados ou, pelo menos, reconhecidos como válidos e importantes em busca de uma melhoria. Mesmo que o resultado não tenha sido bem-sucedido, demonstre apreço e reconhecimento pela tentativa. Não desencoraje tentativas dessa natureza para não inibir futuras idéias e ações que, com certeza, acabarão tornando-se bem-sucedidas. Os acertos só acontecem devido aos erros anteriores, que fornecerão a experiência necessária para os ajustes.
14 Mantenha um ambiente físico e psicológico agradável. Tanto o ambiente físico quanto o psicológico são decisivos para provocar estímulos motivacionais. Todos os estudos realizados nesse sentido revelaram a importância desses fatores. Um local com música ambiente (em baixo volume), bem iluminado, arejado, com paredes em tom pastel, ornado com plantas, flores e quadros transmite outro ânimo e energia ao ambiente. Propicie também momentos de congraçamento do pessoal em ocasiões especiais, como a celebração de um aniversário, amigo secreto, ou algo parecido no fim do expediente. Isso aproxima a equipe. melhora a comunicação e dá maior coesãO ao pessoal.
15 Mostre um quadro geral. Dê aos subalternos uma visão global do que é feito em seu departamento e como isso se insere no contexto geral da organização. Enfatize a importância de um bom entrosamento com todas as áreas da empresa e que só com a colaboração das outras divisões e diretorias é que se permite maior agilidade e ganho de competitividade no mercado – vale dizer: satisfação dos clientes, sobrevivência da empresa e garantia de emprego.
16 Dê o exemplo. Não apenas o que você fala é importante. Muito mais do que isso, o que você faz e como se comporta diante dos subalternos é o que realmente conta. Como chefe, você está sempre sendo observado por seus subordinados, tenha ou não consciência disso, a sua forma de atuar passa a ser um padrão e um exemplo para eles, mesmo que você não perceba. Lembre-se: você é muito mais visto do que vê os outros, e é bom estar consciente disso ou poderá provocar muitos danos e desânimo junto à sua equipe. Portanto, seja um exemplo de competência-nãO de incapacidade -junto ao seu pessoal. Seu modo de vestir, a maneira de interagir com colegas e superiores, se você inicia ou não as reuniões no horário, a qualidade do seu trabalho, seu comportamento, os ideais que você defende no dia-a-dia – isso, e muito mais, pode inspirar ou desmotivar a sua equipe. Faça periodicamente uma auto-avaliação para ver se você mesmo está agindo do jeito que deseja que seu pessoal o faça.
17 Outras formas de motivar: um sorriso sincero ameniza o ambiente. Diga "muito obrigado" olhando nos olhos da pessoa. Ouça um empregado com uma idéia para melhorar a eficiência e, em seguida, aja de acordo com a sugestão. Faça seu pessoal atuar em projetos cujos membros são de departamentos diferentes. Faça da gerência participativa um dos alicerces de sua atuação. Existem muitas outras formas de motivar. Sua experiência e criatividade lhe darão outras idéias.
18 O salário não é o maior fator para despertar motivação, mas… O salário é um fator de restrita capacidade motivacional se estiverem presentes outros fatores como segurança e estabilidade, benefícios adicionais, oportunidades de progresso, desafios ou algum outro componente que desperte o entusiasmo e interesse do empregado. Mas, se esses ou outros fatores não existirei, o salário- principalmente o baixo salário- será certamente motivo de queixa, já que os demais componentes que dão apoio à motivação estão ausentes. Nesse caso, o salário será considerado o vilão, embora o problema seja realmente a falta de infra-estrutura ou a existência de um ambiente desagregador causado por pressão constante, desconsideração, falta de comunicação, chefe despreparado, fofocas, boatos, inimizades. Não se deve, entretanto, minimizar a importância do salário. Ele é importante, sim, dentro de um determinado contexto. O trabalho deve ter, cm contrapartida, uma remuneração justa. E quanto mais competência e capacidade ele exigir, maior deve ser essa remuneração. Do contrário, de nada valerão anos de estudos, experiências e esforços. Mas, considerar o salário como o maior ou único agente motivador é ter uma visão muito restrita e parcial do que faz o ser humano evoluir, ignorando todos os outros fatores motivacionais citados até aqui.
19 Ao sair, deixe o ambiente melhor do que quando entrou. Ao deixar o local de trabalho, certifique-se de que o ambiente está melhor do que quando você veio pela manhã. Que você seja um fator de solução e orientação, e não de discórdia e insegurança em seu serviço. Colabore decididamente para que cada dia seja melhor do que o anterior, e sua contribuição para a harmonia e o desempenho da equipe terão sido decisivos.
Ernesto Artur Berg é consultor em gestão de empresas, treinamento gerencial, negociação e criatividade. É também autor do Manual do Chefe em Apuros (Makron Books). Para contatá-lo: (041) 264-6451.


