A diferença entre nativos analógicos e nativos digitais

Há alguns dias, estava lendo um texto do Peter Thiel em que ele reforça que competir é para perdedores.

Ele se refere à falta de diferenciação de empresas, produtos e serviços que leva os clientes a terem uma visão de commodity e mesmice. O resultado é uma briga por preços cada vez menores, margens comprimidas, oceano vermelho. Por isso Thiel diz que competir é para perdedores. Vencedores criam seu próprio jogo e fazem a concorrência jogá-lo – não entram no jogo dos outros.

Podemos chamar isso de METAJOGO.

Empresas e profissionais de sucesso tentam entender e mudar o metajogo. Competir no jogo normal dos outros é receita certa para resultados fracos e uma vida de desespero e ansiedade silenciosa. A mesmice é moral no mundo dos negócios.

O metajogo é mais estratégico. É entender o que está acontecendo no macroambiente, para onde pessoas e empresas estão querendo ir e posicionar-se antecipadamente.

Exemplo forte disso é a diferença entre analógicos e digitais. O pessoal do Category Pirates (https://categorypirates.substack.com/) escreveu um artigo excelente sobre isso esta semana, que traduzo a seguir pois achei genial o enfoque e a forma como transmitem o conceito de maneira leve, mas profunda.

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Existem dois tipos de pessoas no mundo hoje:

  • Os Nativos Analógicos: são pessoas que nasceram entre 1940 e 1980, então têm entre 40 e 80 anos de idade.
  • Os Nativos Digitais: millennials, Geração Z, nascidos depois de 1980.

A principal diferença entre essas duas gerações, entretanto, não é a idade (onde geralmente se concentram, de forma superficial, a maior parte dos debates), mas sim como DEFINEM A REALIDADE.

Nativos analógicos nasceram e cresceram num período em que a tecnologia era algo que se adicionava às nossas vidas e muitas vezes encarado como uma distração ou fuga da vida real. (Sem celular na mesa e TV desligada no jantar!)

Enquanto isso, Nativos Digitais nasceram e cresceram num período em que a vida ‘real’ é uma distração da sua vida digital, onde realmente querem estar e onde sentem-se em casa. (“Mãe, já vou jantar – estou no TikTok com minhas amigas” ou “estou jogando Fortnite com meus amigos”).

Para um Nativo Digital, a realidade primária não é o mundo externo. A realidade é dentro de alguma tela: smartphone, video game, laptop, iPad. A realidade externa é que é a adição, a experiência secundária da vida e da realidade preponderantemente digital.

Esta é uma mudança brutal e real. Muitos Nativos Analógicos tratam isso como uma diferença normal entre gerações (ou se irritam e racionalizam de maneira negativa essas tendências, com apelos emocionais à volta a um passado conhecido). Mas é mais do que uma simples opinião: é uma mudança nos fundamentos da experiência que chamamos de vida. Talvez uma das maiores transformações que já ocorreram na humanidade.

Para um Nativo Analógico, isso é como dizer que a Terra não é plana ou redonda, mas sim um holograma flutuando no metaverso. Dá um nó na cabeça de todo mundo.

Keanu Reeves conta que uma vez estava tentando explicar à filha adolescente de um amigo a história de Matrix. Ela não havia assistido o filme, mas sabia que era famoso.

Reeves explica que o filme fala sobre a diferença entre um mundo fictício (criado pelas máquinas) e o mundo real, e a busca do seu personagem (Neo) tentando entender o que é real e o que não é.

A adolescente pergunta: “Qual o problema de não ser real? Por que isso é importante?”.

Nessa hora, Reeves conta que sente-se velho: a saga de Matrix é algo totalmente compreensível para Geração Analógica e completamente irrelevante para Geração Digital. Outra coisa para dar nó na cabeça de um Analógico.

Isso está começando a ficar cada vez mais evidente em muitas áreas – por exemplo, na Educação. Basta ver o que aconteceu na pandemia, quando escolas de todo tipo e público foram obrigadas a fechar o analógico e migrar para o digital.

Aqui, abro um parênteses na tradução para trazer o debate à nossa realidade…

Mesma coisa aconteceu com Vendas: as empresas precisaram migrar do analógico para o digital.Para um Analógico, foi quase o fim do mundo (para alguns continua sendo). Mudanças duríssimas, ansiedade, depressão, raiva, angústia. E, no fundo, uma grande torcida por voltarmos ao ‘normal’ de antes.

Para os Digitais, algo que já vinha acontecendo e que finalmente ganhou força. “FINALMENTE” é o pensamento e o sentimento mais comum dos Digitais. Até que enfim… demorou!

Note que isso não tem exatamente a ver com idade. É mais uma postura mental, uma atitude – mindset de crescimento x mindset fixo. Eu sou totalmente da geração analógica, meus filhos são totalmente digitais, vivo e sinto isso todos os dias em casa e no trabalho.

A melhor forma de um Analógico lidar com isso é por uma metáfora.

Pense que você se mudou para o Japão. Bem-vindo a Tóquio!

Agora que você está morando no Japão, existem algumas habilidades que você vai precisar desenvolver.

Vai precisar aprender a língua local. Os novos costumes. Os pratos de comida. Novos valores, o que é considerado correto e educado e o que não é. Como lidar com situações, pessoas, lugares.

Vai precisar aprender a lidar com o trânsito, com o transporte público, com os garçons e garçonetes, com as pessoas na rua.

Alguns ajustes são pequenos e simples. Outros exigem que você revise sua própria vida. Mas uma coisa é certa: você vai ser uma pessoa diferente, mais madura, mais experiente e com muitos mais recursos.

Você vai precisar melhorar como pessoa e como profissional, se quiser se adaptar e ter sucesso nesse país novo.

Novo parênteses:

Muita gente não conseguiria fazer essa adaptação – é difícil mesmo. Meu sogro, por exemplo, quando vem nos visitar aqui em Charlotte insiste em falar português bem devagar e alto com garçons e pessoas no supermercado. Não existe outra língua para ele. É português ou nada. Às vezes mais alto, às vezes mais baixo, às vezes rápido, às vezes devagar. Mas sempre português.É o tipo de pessoa que aprende a usar bem um martelo e pronto: nunca mais usa outra ferramenta na vida. Qualquer tipo de situação ou problema que surja… dá-lhe martelo. Mais forte, mais fraco, de lado… mas sempre martelo.

Não é a forma mais avançada nem eficiente de lidar, viver e prosperar num mundo em transformação, concorda?

Resumindo nossa conversa de hoje:

  1. Acorde. Você está em Tóquio. A realidade primária não é mais analógica. É digital.
  2. Agora que estamos em Tóquio, você vai precisar desenvolver habilidades novas. Estamos aqui para ajudar você nessa transição.

Category Pirates (https://categorypirates.substack.com/)

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O metajogo de Vendas mudou e isso impacta nossa realidade. Se inteligência pode ser definida como capacidade de adaptação, vai sobreviver e prosperar quem souber fazer bem essa transição do analógico para o digital, unindo o que existe de melhor nas duas realidades.

Falaremos muito sobre isso este ano – pode deixar que estamos aqui para guiar você no metajogo do mundo comercial, saindo do oceano vermelho e indo para o azul, transitando entre analógico e digital com a atitude e a competência que o momento exige.

Abraço, $uce$$o, boa $emana e boa$ venda$,

Raul Candeloro
Diretor

P.S. Duas dicas finais: as aulas do meu curso GEC, Gestão de Equipes Comerciais, começam em FEVEREIRO. Se você quer revisar seu metajogo como líder e subir vários degraus em termos de conhecimento e segurança para liderar uma equipe de alta performance em Vendas, este é seu lugar: https://gec.vendamais.com.br/2022/

P.S. 2: Se você está buscando ferramentas digitais para melhorar a eficiência dos seus processos comerciais, dê uma olhada no www.salestechbrasil.com.br. É um site que criamos aqui na VM para ajudar empresas a acelerarem seu processo de transição digital na área de vendas.

P.S 3: Falando de analógico x digital… já viu a nova BMW que muda de cor?

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