Parreira e Scollari simbolizam duas escolas distintas de empreendedores de empresas familiares que tem como objetivo chegar a uma transição de sucesso A imagem de Carlos Alberto Parreira sentado à beira do campo, de braços cruzados, incapaz de esboçar um sorriso e de dar uma palavra de apoio ao seu time nos momentos difíceis, e ainda seu comprometimento com alguns pupilos favoritos, escolhidos previamente, soam exatamente como a definição do empreendedor que vê sua família partindo para assumir o negócio. E por estar tão convencido de que não deve haver mudanças em seu plano, ou pior, de que não pode alterar escolhas prévias, transforma o seu time ? a sua família ? de um grupo individualmente brilhante em um grupo coletivamente fadado ao desaparecimento. Contrastando com a imagem de Parreira, há a vibração de Luis Felipe Scollari, um empreendedor consciente de que sua primeira e principal função é manter a unidade do time, saber que o seu sucesso depende de sua família, a já conhecida família Scollari. E é por isso que a sua sobrevivência se assegura, pois como empreendedor não se prende a fórmulas, mantém-se envolto e acima de tudo demonstra não ter necessariamente respostas. Parreira e Scollari simbolizam assim duas escolas de empreendedores de empresas familiares que tem como objetivo chegar a uma transição de sucesso, mas uns vão atingir o objetivo e outros, infelizmente, podem chegar até próximo, mas no final não deixarão um legado. Se olharmos mais a fundo os dois técnicos, independentemente de seus conhecimentos profissionais, e nos atermos ao seu estilo, certamente encontraremos muitos fatores de sucesso e insucesso da empresa familiar, desde que definamos que sucesso é a habilidade de se chegar à geração seguinte. Não necessariamente os empreendedores terão todas as características descritas acima, uma mescla entre ambos os estilos será a combinação realista dos processos sucessórios. Mas o essencial é compreender que o que nos leva a uma transição na empresa familiar é mais do que técnica, mais do que estrelas individuais na família, mais que processos calculados. É o comprometimento com o futuro baseado em valores e missões, baseado no sonho intangível e não no processo puro de uma ordenação. A empresa familiar é composta de um técnico ? o empreendedor ?, uma comissão técnica ? sua esposa ?, um time ? seus filhos ?, e um grupo de apoio ? seus colaboradores. Ser capaz de envolver a todos no sonho é a única receita para a perpetuação, ser capaz de dar a todos de si é o comprometimento que assegura o futuro. O que podemos esperar de muitos é que serão tecnicamente perfeitos, mas os que sobreviverão serão os que deram algo a mais: a paixão por seu time independente de sua existência momentânea ou a sua existência efetiva. Se o futuro é o objetivo, o futuro tem de ser compartilhado por todos e não apenas pelos técnicos, pelos empreendedores. Comprometimento é sempre a melhor solução, garra é sempre uma boa resposta. Que as empresas familiares possam antes de qualquer coisa ser um exemplo de que o seu futuro vale mais do que o presente, e assim conquistar a taça do sucesso.


