Mauro Martins fala sobre a importância do planejamento estratégico para as empresas: seja de pequeno, médio ou grande porte e dá dicas de como e por onde começar Mauro Martins fala sobre a importância do planejamento estratégico para as empresas: seja de pequeno, médio ou grande porte e dá dicas de como e por onde começar
Mauro Martins é consultor e especialista em Estratégia, Inteligência Competitiva, Gestão do Conhecimento, Gestão da Inovação e E-learning, com MBA internacional pela Ohio University. Consolidou sua carreira de mais de 15 anos em empresas de consultoria como McKinsey & Co., e como executivo, atuou em grandes grupos nacionais e internacionais, como Alstom e Promon, onde implantou projetos estratégicos de sucesso. Hoje, é sócio-diretor da MKM Consulting, atua como diretor de parcerias da SBGC ? Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento ? e é membro da SCIP ? Society of Competitive Intelligence Professionals e da AIIM ? The Enterprise Content & Document Management Association.
Em entrevista exclusiva à VendaMais, o especialista revela a importância e o que é necessário para modelar e aplicar um planejamento estratégico de sucesso em sua empresa.
VendaMais ? Qual a importância de um planejamento estratégico para uma empresa de pequeno, médio e grande porte?
Mauro Martins ? O planejamento estratégico, mesmo que informal, é de fundamental importância para que as pequenas e médias empresas desenvolvam suas vantagens competitivas e consigam competir em iguais condições com empresas nacionais e internacionais de grande porte. O atual governo tem incentivado muito as exportações, mas a falta de hábito, dos pequenos e médios empresários, de implantarem um planejamento estratégico não tem permitido que esse movimento tenha obtido os resultados proporcionais ao empenho do governo. O planejamento é o mecanismo necessário para poder prever, se preparar e enfrentar os desafios da nova economia e os cenários de mudanças e transformações econômicas e políticas que afetam os nossos negócios.
VM ? Quais são os principais erros que as empresas cometem ao fazer um planejamento estratégico?
MM ? Existem seis obstáculos principais ao desenvolvimento de um bom planejamento estratégico. Não chamaria esses obstáculos de erros, mas de ?assassinos silenciosos?. Eles estão muito ligados à cultura e ao ambiente das empresas, e acabam afetando tanto a execução do planejamento estratégico como a implantação dele, sem que as pessoas envolvidas percebam. Os ?assassinos silenciosos? são bem definidos. O primeiro deles é o estilo gerencial de cima para baixo ou de não-interferência. O segundo e terceiro são as prioridades conflitantes e a coordenação inadequada. Essas barreiras caminham juntas. O quarto ?assassino silencioso? é a equipe líder ineficaz. Essa situação ocorre quando os membros da equipe ficam restritos a seus territórios, por medo de perda de poder. O quinto é a comunicação vertical inadequada. Individualmente os funcionários reconhecem os problemas, mas acham que os executivos seniores não estão abertos a uma discussão sincera. O sexto e último ?assassino? é a inadequação das habilidades de liderança e desenvolvimento dos executivos dos escalões inferiores. São executivos que não desenvolveram as habilidades para liderar mudanças a partir das novas oportunidades e nem recebem o apoio, por meio de treinamentos, para tal.
VM ? E o que pode ser feito para evitar os ?assassinos??
MM ? É necessário entender que a implantação de um processo contínuo de planejamento estratégico deve vir, necessariamente, acompanhada de uma revisão profunda da cultura e do ambiente da empresa.
VM ? Quem deve participar do planejamento estratégico da empresa: somente diretores, gerentes de cada departamento?
MM ? As estruturas e níveis organizacionais das empresas mudaram muito nos últimos anos, porém, de maneira geral, o planejamento estratégico da empresa deve ser conduzido por um time de lideranças multidisciplinar. Somente com as contribuições sinérgicas dessas lideranças de diversas áreas da empresa é que os objetivos e metas do planejamento serão factíveis. Claro que o nível de envolvimento e conhecimento das lideranças sobre o planejamento devem variar segundo as ações estratégicas que serão executadas. É através da participação delas que podemos gerar um maior comprometimento das áreas da organização, já durante a fase de execução, facilitando em muito a sua implantação.
VM ? Como disseminar a filosofia do planejamento estratégico da empresa, já definida, para toda a equipe de trabalho?
MM ? Inicialmente, todos da organização devem saber da existência do processo contínuo de planejamento estratégico da empresa. Devemos acabar com o fantasma de que o simples conhecimento, por parte da concorrência, da existência do processo de planejamento estratégico irá prejudicar a competitividade. Uma vez definida a filosofia do planejamento estratégico, deve ser seguida de uma cuidadosa campanha de comunicação verticalmente (da cúpula para os outros níveis) e horizontalmente (dentro dos níveis hierárquicos) para a extensa divulgação dela e o comprometimento de todos. Aqui sim, devemos tomar o cuidado de comunicar de maneira seletiva, passando somente as informações necessárias para se atingir as metas e objetivos estratégicos que dizem respeito estritamente àquela área, gerência, colaborador, etc.. Os principais objetivos dessa campanha de comunicação são assegurar o comprometimento de todos colaboradores da organização e garantir sigilo necessário ao sucesso da estratégia.
VM ? Qual é o papel/importância do vendedor no planejamento estratégico da empresa?
MM ? É de fundamental importância. Muitas organizações ainda não perceberam isso e menosprezam seu real valor na feroz competitividade do mercado. Por exemplo, um vendedor treinado em práticas de inteligência competitiva ? que não tem nada a ver com espionagem ? é capaz de recolher uma enorme quantidade de dados e informações sobre o mercado, preços, concorrentes, novos produtos, etc., de maneira mais rápida e eficiente que empresas especializadas, pois esse é o seu dia-a-dia. Esses dados e informações são fundamentais para uma boa análise e, principalmente, para gerar alternativas estratégicas inovadoras.
VM ? Qual o comportamento prático que as empresas brasileiras apresentam hoje quando se fala em preocupação com o planejamento estratégico?
MM ? Existe um grande número de organizações que passaram, de uns anos para cá, a se preocupar com o planejamento estratégico. Dentro das diversas práticas gerenciais, o planejamento estratégico está agora entre as cinco primeiras. No Brasil, a necessidade de se produzir localmente e competir globalmente vem fazendo com que essa prática cresça muito nos últimos anos. Hoje, algumas empresas incorporam ao planejamento estratégico o tema ?Responsabilidade Social? e outras já adotam sistemas que fazem o alinhamento das estratégias da organização com as metas pessoais do colaborador, que por sua vez, faz a ligação com o bônus de performance do mesmo ? o famoso Balance Score Card.
VM ? Existe uma porcentagem aproximada das organizações que se preocupam em fazer um planejamento estratégico formal?
MM ? Infelizmente apenas de 10% a 15% das pequenas e médias empresas brasileiras possuem um processo formal de planejamento estratégico. Nas grandes empresas esse número é no mínimo três vezes maior. Estudos mostram que a competitividade das empresas brasileiras poderia ser duplicada caso um número maior de pequenas e médias adotassem um processo formal de planejamento estratégico.
BOX:
Guia prático para implantação de um planejamento estratégico coeso e eficiente
Solicitamos ao consultor e especialista Mauro Martins, um pequeno guia prático para aqueles que desejam implantar um planejamento estratégico coeso e eficiente na linha de ação de sua empresa. Confira o resultado, dividido em etapas a serem realizadas:
1°) Desenvolver uma clara visão estratégica e da missão do negócio ? Somente após um diagnóstico profundo da real situação atual do negócio, será possível gerar novas oportunidades, aprendendo com os erros e acertos do passado.
2°) Reformular todos os objetivos organizacionais ? Sim, todos os objetivos, estabelecendo uma ordem de importância e prioridade em uma hierarquia de objetivos.
3°) Analisar fatores internos e externos ? Definir os pontos fortes e fracos da organização envolvendo todos os seus recursos e core competences (principais competências) e analisar as condições externas que rodeiam a empresa e que lhe impõem desafios e oportunidades envolvendo mercado, tecnologia, concorrência, consumidores, conjuntura econômica, etc.
4°) Formular alternativas estratégicas ? Estabelecer recomendações que a empresa precisa adotar para alcançar os objetivos organizacionais pretendidos, considerando as condições internas e externas.
5°) Alinhar estratégias a resultados ? Um passo extremamente importante e, muitas vezes, esquecido. Esse alinhamento é fundamental para produzir os resultados econômicos e financeiros desejados para a perpetuidade da organização.


