A inveja pode ser boa?

Substitua inveja por admiração Não sei se você já ouviu alguém fazer esta afirmação: “Tenho uma santa inveja do fulano de tal!”. Santa inveja? Será que um sentimento negativo como a inveja pode ser eufemizado, tornando-se santo? Será que é uma tentativa de diminuir a culpa por estar sentindo a inveja?

Talvez! Mas o que é inveja? Segundo a definição do Dicionário Aurélio, inveja é o “desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.” Para Zuenir Ventura, a inveja se define da seguinte maneira: “Ciúme é querer manter o que se tem, cobiça é querer o que não se tem e inveja é não querer que o outro tenha”. Complementaria ainda que a inveja nos faz querer estar no lugar do outro. Sendo assim, será que esse sentimento pode ser “santificado”?

A questão não é tão fácil de ser respondida. Principalmente se considerarmos que muito do progresso do mundo se deve à inveja. É isso mesmo! Não se assuste. Essa constatação não é nova, remonta aos primeiros séculos, e é até registrada na Bíblia. Veja o que diz o sábio Salomão, em seu livro Eclesiastes: “Também vi que todo trabalho e toda destreza em obras provêm da inveja que o homem tem do seu próximo”. Portanto, o sentimento de inveja pelas conquistas e posses do outro dispara no “bicho” homem um desejo, um compromisso de superação ao próximo, como se estivessem em uma disputa. Isso acaba por levar as pessoas a buscarem mais, alcançarem mais e, enfim, “progredirem”.

Substitua a inveja por admiração

Ora, se a inveja cumpre o papel de mover o homem em direção às novas conquistas, ao progresso, por que então é vista como um sentimento negativo? O problema está no fato do progresso da ciência, do conhecimento, da tecnologia ou dos produtos crescer inversamente proporcional à evolução do homem. Ou seja, temos avançado no mundo em várias áreas, mas, infelizmente, temos regredido na questão das relações humanas. Exatamente porque o homem não busca mais a sobrevivência, o bem-estar, o seu desenvolvimento, e sim a superação do outro.

E, nesse quesito, a inveja tem sido um grande elemento propulsor. Cabe então, o maior questionamento desta reflexão: pode existir uma santa inveja? Ou seja, podemos olhar para o outro, sentirmo-nos impelidos a fazer mais, sem que isso signifique desenvolver um sentimento negativo pelo próximo? Sim, é possível. Mas, para isso, precisamos desenvolver a admiração, em vez da inveja. Isso requer humildade para reconhecer, valorizar e se alegrar com as conquistas do outro, além de gratidão pela existência do outro, que cumpriu o grande papel de lançar as bases para que você pudesse ir além.

Será que é possível pensar assim ao ver alguém fazendo algo bom, mas que no fundo você desejaria estar fazendo também? Será que é possível sentir admiração por alguém, em vez de inveja? Não é fácil, mas tenho certeza de que é possível. Diria até que é necessário. Mas, para isso, você, assim como eu, precisa evoluir como ser humano. Isso passa por amar mais a Deus, a você e ao próximo. Em vez de invejar, admire e faça a diferença!

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