A medalha de prata

Você costuma colocar toda a sua energia na perseguição de seus objetivos? Se sim, parabéns. Pode ser ótimo sentir-se vencedor… mas será que você não está esquecendo de nada ? ou de alguém? Você costuma colocar toda a sua energia na perseguição de seus objetivos? Se sim, parabéns. Pode ser ótimo sentir-se vencedor… mas será que você não está esquecendo de nada ? ou de alguém?

Certa vez li uma história de Staci Stallings, que me faz lembrar que nem sempre o importante é vencer. A autora conta que em nossa sociedade, todos querem a medalha de ouro, o primeiro lugar. Até mesmo as crianças que acabaram de entrar em idade escolar querem. Segundo Staci, ela nunca foi medalha de outro nos esportes. Em uma corrida, por exemplo, ela chegava sempre em último lugar. No basquete ela era ótima ? desde que as outras nove jogadoras não estivessem na quadra. Poderíamos dizer até que onde ela arranjou ?tanta? habilidade para os esportes, não se sabe. Apenas que ela começou cedo.

Num lindo dia de primavera, no jardim de infância, sua turma fez um passeio a um parque da cidade em que morava, a uns 30 quilômetros de distância. Uma viagem pequena, mas quando você tem seis anos e sempre viveu em um pequeno lugarejo, ir a uma cidade com alguns milhares de habitantes era algo admirável. No verdade, ela nem chega a comentar os detalhes dessa experiência porque já não os tem mais em sua memória depois de tantos anos, embora tenha certeza de que todos comeram seus lanches, brincaram nos balanços e fizeram tudo o que crianças de seis anos costumam fazer.

Então vieram as corridas. Algum pai veio com a idéia de fazer corridas de ?piquenique?, aquelas em que o sujeito tem de levar um ovo em uma colher até a linha de chegada. Como disse, ela já não lembra muito bem de tudo o que aconteceu, mas houve uma corrida que para sempre estará em sua memória: a corrida de três pernas. Os pais amarraram os pés dos competidores uns aos outros. Staci conta que lembra-se de estar amarrada ao meu parceiro, que por sinal, era um dos melhores ?atletas? de sua classe. É bem provável que assim que o menino viu quem era sua companheira, percebeu que teria problemas. Ela nem se fala, estava mortificada. O menino era um vencedor. Quase sempre ganhava, e ela sabia que, ao seu lado, não teria muita chance.

Aí é que a história dá uma guinada. Aparentemente o menino não se deu por vencido e enlaçou seu braço ao da pequena Staci. O apito tocou e lá foram eles. Pares caíam e tropeçavam ao seu redor, mas eles permaneceram em pé até a linha em que deveriam passar e dar meia-volta. Inacreditavelmente, quando fizeram a volta e se dirigiram para a linha final, estavam na liderança! Havia somente um outro par em seu encalço, uns bons metros atrás.

Então, quando faltavam alguns centímetros para chegarem em primeiro lugar, aconteceu o desastre. Staci tropeçou e caiu. Seu parceiro facilmente poderia tê-la arrastado até a linha de chegada. Poderia, mas não o fez . Em vez disso, ele parou, abaixou-se e ajudou-a a levantar ? justo no momento em que seus rivais cruzavam a linha, e venciam a corrida. A autora conta que nunca se esqueceu desse episódio, guardando a pequena medalha de prata até hoje.

Quando aquela turma fez sua formatura, 13 anos mais tarde, Staci subiu ao palco e fez o discurso de despedida ao grupo de estudantes, que já nem se lembrava mais daquela corrida de primavera. Então, ela contou-lhes sobre aquele pequeno menino que tinha tomado uma decisão em fração de segundos, entendendo que ajudar um amigo era mais importante do que ganhar uma medalha de ouro. Em seu discurso ela não disse qual dos rapazes que estavam lá sentados era o menino que escolheu ajudá-la. Até porque em todos aqueles anos de convivência, todos tiveram um dia em que agiram como aquele menino, deixando de lado seus objetivos e usando um pouco de seu tempo para ajudar um companheiro em apuros.

Para finalizar, gostaria de dizer que a autora certamente mantém aquela medalha não como um troféu, mas como um lembrete de que você não tem de ser necessariamente um vencedor aos olhos do mundo, mas principalmente um vencedor para aqueles que ama. Penso que isso é o que realmente conta ? pois sei que é o que conta para mim.

Frase: ?Quem tem sido bom amigo tem, forçosamente, bons amigos? ? Maquiavel

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