A pura verdade

O Sol desceu e as galinhas subiram ao poleiro. Uma delas começou a catar-se com o bico. Caiu ao chão uma peninha. O Sol desceu e as galinhas subiram ao poleiro. Uma delas começou a catar-se com o bico. Caiu ao chão uma peninha. – Lá se foi uma pena! – disse ela – parece que, quanto mais me cato, tanto mais bonita vou ficando – disse, por brincadeira. E logo adormeceu. Era escuro ao redor. A galinha mais próxima cochichou à vizinha: – Há aqui uma galinha que quer arrancar as próprias penas para ficar bonita. Se eu fosse galo, a desprezaria. Logo adiante estava a Coruja. Virou os olhos e abanou-se. – Preciso contar o caso à coruja vizinha. – Hu-hu! Uhu! – riram as duas, pouco depois. Achavam-se perto das pombas, que passaram a história adiante. – Há uma Galinha – parece que são duas – que arrancou as penas para chamar a atenção do Galo. É arriscado, pois apanhar um resfriado e morrer de febre é fácil. De fato, já morreram as duas… – Acordem! cantou o Galo, voando para o alto do cercado. E cantou: – Morreram três galinhas, de infeliz paixão por um galo. Arrancaram todas as penas. Não guardo comigo esta história feia. Que vá adiante! – Que vá adiante – piaram os morcegos. – Deixa que vá! – cacarejaram as outras galinhas. A história foi assim circulando, e por fim, voltou ao local de onde viera. – São cinco galinhas – contavam – que arrancaram as penas para mostrar qual tinha emagrecido mais de paixão pelo Galo. Depois brigaram, e se mataram de bicadas. Foi uma ignomínia para suas família, e um grande prejuízo para o dono do galinheiro. Então, a galinha que perdera uma única peninha, não reconheceu a sua própria história, e como fosse respeitável, disse lá com os seus botões: – Desprezo as galinhas como essas. Mas há muitas dessa marca. Não se deve silenciar. Farei o que puder para que essa história corra o país todo. É o que merecem essas galinhas. E assim foi, e uma coisa é verdadeira: uma única peninha pode facilmente transformar-se em cinco galinhas.

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