A sabedoria do tempo

O tempo cronológico não mede experiências, este é o combustível do tempo vivido. O que importa, não é o quanto você viveu , mas como você vive. Como disse o poeta Carlos Drummond de Andrade: “Entre a raiz e a flor, há o tempo”. Tudo tem seu tempo, e ele é o nosso recurso mais valioso. Não importa o quanto você se esforce, nunca irá conseguir mais tempo.

No livro Questões Fundamentais da Vida, Roger e Rebecca Merrill abordam o tema por uma perspectiva diferente: Chronos (tempo cronológico) e Kairos (tempo de valores e qualidades). A diferença entre elas está no conceito. Enquanto que no primeiro, Chronos, o tempo é linear e seqüencial, em que um minuto não vale mais do que qualquer outro minuto, nos tornando escravos do relógio; em Kairos o significado do tempo está justamente no valor que a pessoa consegue extrair dele, e não simplesmente no tempo matematicamente transcorrido.

Desse modo, poderíamos dividir o tempo em duas categorias, com perspectivas diferentes: o tempo medido e o tempo vivido. Na realidade, o que mais nos importa é o tempo vivido. Por isso, às vezes, quando acaba o dia e você sente que não conseguiu fazer nada do que havia planejado, você está vivenciando o tempo na perspectiva errada.

Imagine uma pessoa com 80 anos. Se avaliarmos sob o prisma de tempo medido, com certeza ela viveu mais do que uma pessoa de 40, mas se o fizermos pelo tempo vivido, talvez a conclusão seja outra. O tempo cronológico não mede experiências, ele é o combustível do tempo vivido. O que importa não é o quanto você viveu, mas como você vive.

Vivemos em um período em que o quanto ainda é mais valorizado que o como, pelo menos na sociedade ocidental. Se observarmos à nossa volta, veremos relógios em todos os lugares: no pulso, no celular, nos edifícios, nos computadores, nos painéis na rua, no carro, na parede da cozinha, no microondas, na sala. Temos mais relógios em casa do que imagens espirituais, isso demonstra um pouco nossa escala de valores.

Os Merrill comentam que se daqui alguns milhares de anos alguns arqueólogos escavassem o que restou da nossa civilização, concluiriam com razão que, nosso Deus era o relógio, já que ele está presente em todos os lugares.

Contudo, mesmo diante de qualquer argumentação, o tempo é inelástico, não se altera, permanece parado, o que muda é a percepção que temos dele, segundo nossa própria mobilidade espiritual e terrena, por isso devemos aprender a respeitar a sabedoria do tempo.

“Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de abraçar e tempo de afastar-se; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.” (Eclesiastes, capítulo 3).

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