A síndrome do “não sei por onde começar…”

Em determinado momento da vida nos deparamos com a real necessidade de reformular nossos pensamentos, crenças e atitudes. Isso normalmente acontece porque estamos sentindo um desconforto, observando que não estamos atingindo nossas metas e ideais e que, freqüentemente, o que já atingimos não nos satisfaz. Encontramo-nos como uma folha de papel em branco.

Este sentimento de desconforto pode tomar dois caminhos:

1) O conformismo e a depressão: que ocorrem quando, ao sentir o incômodo, julgamos que as dificuldades são mais fortes que nossa capacidade de reagir de maneira vencedora. Presos no medo de não termos as forças necessárias para vencer entregamos a batalha mesmo antes de iniciá-la. Esta ação de conseqüências limitadoras se transforma com o tempo em um misto de decepção, desilusão e culpa conduzindo-nos gradualmente a variados níveis de depressão.

2) A motivação e a renovação: que ocorrem quando canalizamos este mal estar para a reestruturação de nossas vidas, pensamentos e atitudes. Conscientes de que os caminhos trilhados até o momento não nos conduziram aos nossos objetivos fazemos um inventário do que deu e não deu certo e com base nesta experiência, começamos a abandonar o que comprovadamente não nos serve mais, a manter os esforços que nos aproximam de nossas metas e a adquirir as características, virtudes e conhecimentos que nos faltam para chegarmos lá…

Em qualquer um dos casos é comum você ser visitado pela síndrome do “não sei por onde começar…”

Parece que as dificuldades são tantas e oriundas de tantas áreas diferentes que nos encontramos perdidos no labirinto das decisões. Paralisados por não saber por onde começar, não começamos, e nos entregamos ao conformismo. Esta atitude vai enfraquecendo gradativamente a capacidade de nos reinventarmos e vai minando nossa auto-estima. As dificuldades parecem cada vez maiores e nossa força para enfrentá-las, cada vez menor.

Outros de nós escapam desta tendência ao conformismo e sentem crescer dentro de si uma nova força, um ímpeto por sair deste patamar e migrar para algo superior e, neste momento são também visitados pela síndrome do “não sei por onde começar…”

A vontade de fazer algo é muito grande mas não sabemos em que consiste este algo que devemos fazer. Nesta fase é muito comum a pessoa se precipitar e “jogar tudo para o alto” para depois descobrir que não precisava ter jogado tudo, mas apenas o que não servia mais. Outros mergulham de cabeça e acabam dando de cara com uma rocha desconhecida no fundo do oceano do seu próprio ser. Descobrimos então que não é pela precipitação e nem pela acomodação que devemos começar.

Mas então, por onde começar?

Quando não sabemos por onde começar, devemos iniciar por descobrir como chegamos onde estamos, quais caminhos nos conduziram até aqui. Se este não é o lugar onde gostaríamos de estar, compreendendo como chegamos aqui descobriremos em que parte do caminho nos perdemos, e, assim, poderemos mais facilmente estabelecer o novo percurso.

Um homem estava perdido na mata fechada e depois de horas e horas tentando sem sucesso encontrar a saída daquela região encontrou outro homem que caminhava. Deu graças a Deus, pois estava salvo. A alegria durou pouco porque o outro homem contou-lhe que também estava perdido e tinha caminhado muitas horas, tentando encontrar a saída. Ao ouvir isso o primeiro exclamou:

– Então estamos duplamente perdidos?

– Não! – Respondeu o segundo. – Eu lhe mostro as direções em que tentei a saída e não a encontrei, você me mostra as direções em que tentou e não conseguiu e assim juntos saberemos por onde não devemos tentar e nos concentraremos nas direções que ainda não tentamos, será muito mais fácil!

Quando você for visitado pela síndrome do “não sei por onde começar” observe por onde você começou o caminho que lhe trouxe até onde você está, pergunte-se onde ele poderia ter tomado rumos diferentes, conte com a colaboração daqueles que partiram de onde você partiu e chegaram a lugares diferentes. O que eles fizeram de diferente? Conte com a colaboração daqueles que partiram de lugares diferentes e chegaram aonde você chegou. Qual a semelhança entre os caminhos deles e o seu próprio caminho?

Quando não souber por onde começar, comece por si mesmo observando-se, questionando-se e buscando encontrar a ligação entre quem você foi, quem você é e quem pretende ser!

A jornada de mil passos começa com o primeiro passo e os pés sempre apontam para a direção na qual estamos caminhando!

Frase: “É renunciando ao conforto do ninho que o pássaro voa e se deleita com as amplas e maravilhosas paisagens da natureza” – Torres Pastorino

Para Saber Mais: Atitudes Vencedoras, de Carlos Hilsdorf (Editora Senac São Paulo). Visite: www.atitudesvencedoras.com.br

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