Um dos maiores fenômenos na televisão mundial são os chamados reality shows, onde pessoas comuns, sem script para seguir, passam por várias situações desafiadoras, precisam conviver juntos, etc. Praticamente todos os canais abertos dos Estados Unidos apelam para esse tipo de atração que, verdade seja dita, atrai audiência e agrada os patrocinadores. Um fenômeno que mascara o real problema.
Migração – Desde a segunda metade dos anos 90 a audiência migra da televisão aberta para os canais a cabo e outras formas de entretenimento (como a Internet e jogos eletrônicos), o que leva muitos anunciantes a questionar o futuro dos anúncios em TV e procurar outras alternativas.
As estações tradicionais de TV até que tentam desenvolver uma programação que estanque a perda de audiência, mas é cada vez mais difícil que um novo programa caia no gosto do público. Ao mesmo tempo, os custos aumentam, pois atores, diretores e escritores exigem um maior salário. Os canais de TV não têm saída senão pagar, pois sem astros e boas histórias para contar, o problema irá crescer ainda mais.
E, como não exigem atores, nem escritores, nem ensaios e chamam a atenção do telespectador, os reality shows ganham status de salvadores da lavoura. Se antes cada estação de TV norte-americana colocava no ar um programa desse tipo, agora eles dominam a programação, e não são considerados nem uma alternativa nem uma novidade. É apenas questão de tempo até que esses caiam, também, em uma vala comum.
Sem alteração ? E, mesmo com o relativo sucesso de hoje, os reality shows não conseguiram reverter a tendência de queda da audiência. Enquanto nos Estados Unidos a audiência da TV aberta caiu 3,6% em 2003/2004, os números dos canais a cabo subiram 3,3%, em média.
Para complicar a situação ainda mais, fazer um reality show também não é tão barato quanto era: para se diferenciar, é preciso gastar cada vez mais em cenários e competições e bancar o salário de algumas figuras-chaves. Por exemplo, para participar da segunda versão de O Aprendiz (onde pessoas competem por um emprego em uma das empresas Trump), o milionário Donald Trump exigiu um aumento de 360%.
Outro problema: passar de novo esses programas não dá audiência, pois um reality show é visto como um jogo de futebol: transmitido ao vivo, ou visto pela primeira vez, é bom. Ver um jogo da semana passada, em que você já conhece o resultado… você sabe, não é a mesma coisa. Assim, reprises estão fora de questão, o que torna tais programas menos lucrativos.
Longo prazo ? Esses programas podem ter ajudado as televisões por um tempo, mas não dizem muito para construir uma estratégia a longo prazo. É preciso tentar outras alternativas ou continuar a perder audiência e anunciantes. Porém, são poucos os empresários ? e não só os da área de televisão, mas em geral ? que conseguem ver que uma solução de curto prazo pode causar mais problemas no longo prazo.
Analise seu negócio, veja se você não está alimentando uma bomba-relógio disfarçada de plano, ação, lançamento ou decisão.


