Quanto mais tenho a felicidade e o prazer de ir a um circo, mais semelhanças encontro entre o que lá existe e o que habitualmente vejo nas áreas comerciais das empresas. Veja se não tenho razão.
No circo temos o trapezista/acrobata, que vive de saltos, acrobacias e, naturalmente, de sustos. Em vendas, temos a mesma figura. Estou falando daqueles maus vendedores que vivem tentando fazer acrobacias para vender. São os que vivem pulando de um lado para outro e, na maioria das vezes, não obtêm resultado positivo algum. Também vivem dando sustos na supervisão e na gerência, ameaçando-os com alguns “estouros de vendas” que nunca acontecem. Eles vivem voando, exatamente como os trapezistas de circo.
No circo, normalmente, tem-se apenas um mágico. Em vendas, temos abundância de mágicos. O que há de pseudo-vendedores que acreditam ser capazes de realizar mágicas para vender é uma enormidade. Eles procuram aspectos e detalhes que possam assombrar os clientes. Em suma, querem que os clientes os ouçam e aplaudam entusiasticamente. Para estes, administrar o tempo, controlar a produtividade ou aumentar competências é papo furado. Acreditam que basta tirar algum coelho da cartola para o cliente comprar.
No circo existem os palhaços. Em vendas, tem-se muito mais palhaços do que num circo. Não dá nem para contar. São aqueles vendedores que acham que contar piadas e fazer algumas gracinhas é suficiente para agradar o cliente e, consequentemente, vender. Neste rol classifico os maus vendedores que estão no mercado há anos e não foram capazes de evoluir em nada. Normalmente, para esse tipo de vendedor, falta sensibilidade para perceber que, muitas vezes, o cliente não está disposto a ouvir gracinhas, ou a gastar seu tempo com coisas inúteis. Eles querem ser engraçados, mas são apenas ridículos.
No circo não domador. Em vendas, tem-se alguns supervisores e gerentes que também acham que são domadores, mas acabam se tomando um espetáculo muito triste de se ver. Para o supervisor ou gerente-domador, o domado está ali só para fazer o que se determina. Com isto, acabam roubando toda a beleza que há em ser um vendedor. Em vários quadros de vendas assiste-se a esse lamentável fato: pessoas que se deixam dominar por outras. São pessoas que precisam de alguém que lhes diga qual é a meta a ser atingida, o que está certo ou errado. Enfim, pessoas que abdicam de suas próprias personalidades para evitar correr riscos. Tomam-se dependentes. Com o tempo, este procedimento (pacto) acaba fazendo com que nasça entre o domador e o domado, uma espécie de código de conduta que faz com que cada um faça a sua parte. E nada mais.
No circo há o mestre de cerimônias. Em algumas empresas também se encontra essa figura. Habitualmente, é aquele dirigente que só desfila e fala, mas que, tal qual o mestre de cerimônias circense, não põe a mão em nada.
No circo, temos o equilibrista. Em vendas, temos uma multidão deles. São aqueles vendedores que vivem de expedientes. Em outras palavras, são vendedores que pela manhã nunca sabem para onde ir, com quem falar, como falar, a quem se dirigir, como chegar. Enfim, são aqueles que vivem se equilibrando na profissão e que infelizmente não caem. Jamais são campeões, mas parecem gostar de vive perigosamente. Pergunte a qualquer um deles o que é um roteiro de visitas e, muito provavelmente, responderão que não precisam disso. Até porque, no final das contas, nunca precisaram continuam sobrevivendo. Eles acham que vender é sorte e que só vende quem tem.., sorte! Como eles não tem…
Finalmente, no circo existe o contorcionista. Em vendas também temos os contorcionistas. São aqueles que vivem se enrolando em suas limitações e falhas. Nunca conseguem se endireitar totalmente.
Como vimos, o que há de circo com o nome de quadro de vendas é uma grandeza.
No circo existem palhaços. Em vendas, por incrível que pareça, temos muito mais palhaços. São aqueles que acham que contando piadas é suficiente para se conseguir vender
Eduardo Botelho, colunista de Técnicas de Venda, é também consultor em administração de vendas e marketing. Realiza cursos de vendas para iniciantes e demais níveis – vendedores, supervisores, gerentes e diretores comerciais. É autor do livro Como Não Vender e diretor da Resolvendas. Para contatá-lo, ligue para (011) 262-2124 ou para: (011) 262-7581.


