A volta por cima

Encontre seu poder de superação

No início do ano de 2006, eu estava desenvolvendo um projeto de treinamento em vendas para uma grande empresa em São Paulo. A empresa estava recrutando 25 atendentes para o contact center, que já tinha mais de 500 profissionais na área. A idade média das meninas selecionadas era de 22 anos, algumas formadas e outras terminando a faculdade.

No decorrer do processo, surgiu um problema: uma das candidatas estava completamente fora do perfil. F.C.* tinha 33 anos, casada, dois filhos e possuía apenas o segundo grau completo. Estava fora, correto? Errado, pois ela era uma indicação de um dos diretores da empresa. A psicóloga ficou desconcertada. Em sinal de respeito ou temor, decidiu entrevistar F.C., mesmo sabendo que ela era 11 anos mais velha que o perfil desejado e que não tinha a formação adequada.

No dia da entrevista, F.C. chegou na hora marcada, com roupas discretas, cabelos presos e com uma boa vontade indescritível. Iniciou sua entrevista como se fosse sua última chance, pois precisava da vaga. A psicóloga ficou muito impressionada mas, logo na entrevista, informou que F.C. estava fora do perfil e que não iria poder admiti-la.

Uma nova chance
Duas semanas depois, F.C. recebeu um telefonema. Era a psicóloga dizendo que ela iria participar do treinamento da empresa e que, se tivesse um bom desempenho, poderia ter a chance de ser contratada. Milagre? Não. O diretor realmente mandava na empresa e queria a F.C., pois acreditava nela. Ele conhecia sua história e antecedentes.

A candidata F.C. logo foi apelidada informalmente pelas colegas de “tia”. Durante 30 dias, todas passaram por treinamento. Geografia, português, matemática, informática, ética, controle do software, atendimento ao cliente, vendas, entre outras matérias. F.C. se dedicou, passava a noite estudando, pois estava muita atrás das demais garotas em termos de formação escolar. Foi alvo de chacotas, preconceitos, mas foi a única que conseguiu nota máxima em todas as disciplinas. F.C foi homenageada como a melhor aluna do treinamento, que durou mais de 160 horas.

O trabalho foi iniciado e, cinco meses mais tarde, F.C. foi eleita a melhor vendedora dos mais de 500 profissionais que operavam na empresa. A “tia”, como era chamada, tinha uma determinação voraz. Além do seu resultado quantitativo, ou seja, do seu faturamento, F.C. ainda tinha o maior índice de satisfação de clientes.

Em meados de 2006, na festa de confraternização, F.C. foi homenageada pelo presidente da empresa como a melhor vendedora do ano. Eu conheci essa história de perto, apertei a mão da F.C. e aprendi com ela cinco lições que gostaria de dividir com você:

  1.  Em situações de inferioridade, você abaixa a cabeça ou encontra seu poder de superação.
  2. Mantenha a humildade, sempre!
  3. Estude. Ainda há tempo. Neste século, o trabalho virou estudo, e o estudo virou trabalho.
  4. Lide com as emoções. Mesmo sendo alvo de chacotas, F.C. se manteve serena e, aos poucos, foi mostrando seu verdadeiro valor.
  5. Dedique suas conquistas. F.C. terminou seu breve discurso na confraternização de fim de ano dizendo: “A primeira vez que entrei aqui na empresa, no dia da entrevista, prometi a mim mesma que faria o impossível para dar aos meus filhos as oportunidades que eu não tive na vida. É por eles que estou aqui. Obrigada!”.

*O nome não foi divulgado para preservar a fonte

Publicação: Motivação

Edição: 54 – Fevereiro/2008

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