Altos e baixos Outro dia, recebi o extrato do meu plano de previdência e levei um susto: havia perdido dinheiro! De um mês para outro, tinha ido para trás. Como tenho um plano ?agressivo?, com 75% em renda fixa e 25% em ações e, no mês anterior, a Bolsa havia levado um tombo, meu plano de previdência tombou junto.
Esse é um dos maiores dilemas de quem passa a investir em ações ? não é por acaso que se usa o termo ?renda variável?. A questão é que pode variar para cima ou para baixo, e é com a parte do ?para baixo? que temos problemas. Depois de anos acostumados com renda fixa e poupança, estamos habituados a chegar ao fim do mês, tirar um extrato e ver o dinheiro subir. Nunca descer. Bem-vindo ao mundo novo.
Uma das primeiras lições que todos os investidores sérios repetem sem cessar é ?pense a longo prazo?, ou seja, compre ações de boas empresas e sente em cima. Existem inúmeros estudos que mostram que quem compra e vende demais, entrando e saindo de posições, dificilmente consegue ter resultados melhores que se tivesse simplesmente aplicado num fundo com custos baixos que acompanhe o índice Ibovespa, por exemplo. Mas no dia-a-dia é tão difícil…
É um erro comum dos novatos, principalmente de quem começa a mexer via home broker, o sistema que permite que você mesmo compre e venda ações direto do seu computador, seja em casa ou na empresa. Esses novatos (e novatas, embora as mulheres sejam mais controladas, segundo estudos que comprovam isso) têm uma compulsão por verificar sua carteira diariamente e, de maneira agressiva, comprar e vender ações com freqüência. É uma sensação enganadora de confundir atividade com resultados. Aí, em vez de serem investidores, viram especuladores amadores, o que é um perigo.
Ao decidir em quais empresas investir seu dinheiro, antes de tudo, você precisa definir algumas coisas importantes.
» Por que está investindo? Quer se aposentar e viver tranqüilamente? Está com dinheiro sobrando e não quer deixá-lo parado? Quer se divertir? Deseja pagar a faculdade dos seus filhos daqui a 15 anos? Basicamente, a decisão do ?porquê? define sua agressividade (ou conservadorismo) e também um horizonte de tempo ? o que nos leva ao próximo item.
» Quando vai precisar do dinheiro? Se investir em ações é para longo prazo, então deveríamos imaginar que as pessoas colocam ali dinheiro que não vão precisar amanhã ou no mês que vem, certo? Mas não é o que acontece. Tanto que muita gente vende todas suas ações justamente na baixa, com medo de perder ainda mais. Isso não é visão de longo prazo. Visão de longo prazo é entender que as coisas vão e vem e que, mesmo com altos e baixos, a Bolsa ganha disparado de qualquer outro investimento. Mas ficar entrando e saindo dependendo do resultado da semana ou do mês não é longo prazo. Para obter os melhores resultados, tenha paciência e deixe o dinheiro lá, sossegado, investido em boas empresas.
» Quanto quer investir? Antes de pular numa piscina, é sempre bom colocar o pé antes e sentir a temperatura da água, para não levar sustos. Não coloque tudo de uma vez na Bolsa ou numa única empresa. Seja regular nas suas compras e levará poucos sustos.
» Quando vai investir? Por exemplo: nosso clube de investimento definiu que todos os sócios depositam na conta todo dia 15, e aí decidimos o que comprar. Poupar um pouco todos os meses é uma estratégia muito inteligente e sempre traz bons resultados a longo prazo (é só acompanhar as entrevistas da seção Eu na Bolsa ? todos os investidores de sucesso pensam assim). Então, defina as datas em que vai investir (uma vez por mês, uma vez a cada três meses, décimo-terceiro, etc.) e respeite essa decisão independentemente de a Bolsa subir ou descer.
» Em quem vai investir? Vou citar o Warren Buffet: ?Não invista em negócios que você não entende? e ?Não passe 10 segundos com uma ação que você não passaria a vida inteira?. Se você entende o que a empresa faz, torna-se muito mais fácil entender os relatórios, ler jornais e revistas e se inteirar das tendências promissoras ou não da companhia. Mas se ela é uma caixa-preta, por mais bem recomendada que seja, é melhor nem chegar perto ? não se engane. Isso se aplica também a ?dicas? de amigos e especialistas. Comprar baseado em fofocas é como jogar bingo ou na loteria. Não é investir de verdade. Você pode até ter sorte e acertar uma vez ou outra, mas isso minha avó faz no bingo também. Investir é acreditar na organização, no seu modelo de negócio, profissionalismo da administração e potencial de crescimento. Não tente pegar dicas com o primo do seu cunhado como se fosse um atalho seguro. Estude e entenda a empresa e, se decidir investir nela, case com ela (pense a longo prazo).
Abraço e bons investimentos,


