O samba não disfarça a situação. Da mesma forma, o líder deve ser direto e preciso ao falar qual a situação da equipe. Sem esconder nem aumentar nada. Feriadões trazem desvantagens para o dia-a-dia de qualquer equipe, de qualquer profissional que não trabalhe no setor turístico. Incluo-me nos que reclamam. Mas pelo menos uma coisa eles têm de bom: posso escrever esta e-zine ouvindo uns bons CDs, em casa.
Uns 80% da minha CDteca é de blues e samba de raiz. Os leitores entendidos em música podem dizer que isso não é estranho, que ambos os ritmos surgiram nas mesmas condições e com o mesmo objetivo: ser uma das raras válvulas de escape para os escravos lidarem com a saudade da terra natal e com o pesadelo diário que viviam. Mas não vou falar sobre isso, deixo para os especialistas ? até porque aí tem assunto para um livro ? dos bons.
Fiquemos no samba. Mas especificamente nos seguintes versos, de Desde que o Samba é Samba, composto por Caetano Veloso: ?O samba é pai do prazer / O samba é filho da dor / O grande poder transformador?.
O mesmo deve se dizer do papel do líder. É sua função pegar uma situação negativa e transformá-la em algo que motive a equipe, que dê lucro para a empresa. Algumas pessoas, entretanto, se fixam em pegar uma situação e piorá-la. Exageram situações, apenas criticam, são partidários da falsa teoria de que, sem pressão e sem medo, ninguém trabalha.
Agora, se o líder, assim como o samba, deve ser o poder transformador positivo, vamos aprender algumas coisas com esse ritmo musical:
1. O samba não disfarça a situação. Minha mulher me trocou por outro é minha mulher me trocou por outro. A sogra foi morar em casa é a sogra foi morar em casa. Não ter dinheiro para pagar a conta é não ter dinheiro para pagar a conta. As letras dos sambas nunca perdem tempo para dizer qual é o problema. Da mesma forma, o líder deve ser direto e preciso ao falar qual a situação da equipe. Sem esconder nem aumentar nada. Colocar os fatos na mesa, fazer com que todos conheçam o que acontece.
2. O samba coloca tudo em perspectiva. Por pior que seja o problema, ele é enfrentado de maneira aberta, muitas vezes até com um sorriso na cara. Da mesma forma, o líder não pode permitir que sua equipe se desespere, que fique nervosa a ponto de não raciocinar direito. Concentre-se em achar soluções e não em lamentar os erros ou o que aconteceu.
3. O samba tem começo, meio e fim, mas tem cadência. Geralmente, conta-se uma história, separada por um refrão ? exceto o samba de breque, que dispensa o refrão, em troca de uma história mais quilométrica ? mas que nem por isso deixa de ter começo, meio e fim, e uma cadência. Da mesma forma, seus projetos, seu dia-a-dia, a solução de problemas, deve ter um começo, meio e uma solução que feche completamente aquele assunto, sem deixar pontas soltas. E tudo deve ser feito na mesma cadência, sem atropelos nem atrasos desnecessários.
4. Geralmente, o samba termina em esperança. O caso é resolvido, de um jeito (?Foi um malandro apaixonado que acabou se suicidando?) ou de outro, com a repetição extra do refrão. De qualquer forma, acaba de maneira positiva, jogando a moral do pessoal um nível acima do que tinham quando começou a música Da mesma forma, o líder não deve ficar remoendo o que passou. Agora é hora de fazer outras coisas.


