As pegadas de cada líder

É preciso preparar líderes, descobrindo pessoas e encorajando-as a mostrar suas aptidões e a desenvolver seus potenciais, para que sejam detectados os grandes aprendizes de líderes do futuro. No Brasil, a tradição da economia da inflação não desenvolveu, nos indivíduos, o hábito de pensar no futuro. E quem não pensa no futuro não pode nortear o presente, independente de como ele está hoje. Operações não bastam, mesmo que sejam bem-sucedidas. É preciso muito mais do que isso. É preciso mudar.

Gandhi dizia que nós precisamos ser a mudança que queremos ver no mundo. Para ele, antes de mudar outra pessoa, é preciso mudar o que está dentro de você. Quem endossa o grande líder é Fred Kofman, criador do conceito da alta performance baseada em valores, voltado para a maximização da performance humana nas empresas, que sintetizou suas idéias no Fórum Mundial de Alta Performance de 2005, dizendo que, para que as organizações mudem, é preciso que as pessoas mudem. ?A transformação é um processo que começa, mas nunca termina?, declarou na ocasião, explicando que o grande problema das organizações, hoje, está no fato de as pessoas quererem transformar-se de medíocres em extraordinárias, pegando o ônibus sem saber para onde vão. E sugere: ?Vamos juntar pessoas excepcionais e sentar juntos para fazer uma empresa excepcional?.

Claus Möller, considerado um dos maiores especialistas mundiais em Administração e Treinamento, eleito pelo UK Department of Trade and Industry como um dos 8 Quality Gurus do mundo, sendo o único europeu nesse grupo, apresentou aqui no Brasil, no ano passado, uma pesquisa realizada na Europa que traz dados surpreendentes sobre as pessoas nas organizações: quatro em dez funcionários europeus pensam coisas ruins e falam mal da empresa em que trabalham, oito em dez não levam o coração para o trabalho, dois em dez dão o melhor de si e apenas 20% da população ativa é automotivada. Ele afirma que as pessoas não ouvem as palavras dos chefes, ouvem os pés do chefe onde ele caminha. E seguem o mesmo caminho. Möller define que o caminho está no desenvolvimento da lealdade, que é muito diferente de obediência.

Estabilidade ? Talvez o segredo para a mudança com sucesso esteja na estabilidade. Estabilidade só acontece quando se mostra e se explica o porquê das mudanças para as pessoas. Assim, elas se sentem envolvidas no senso de urgência das coisas. É preciso deixá-las se comprometerem, delegar tarefas, compartilhar decisões e analisar, juntos, os resultados. E quem consegue isso nas corporações modernas?

Não basta ter visão da mudança. É preciso despertar essa visão nas pessoas e ainda mostrar para elas que, onde quer que estejam, haverá claramente um rumo, uma luz no final do túnel, e essas mudanças gerarão impactos positivos em suas vidas, mesmo que isso aconteça a médio e longo prazo. É preciso inspirar a mudança e isso só se consegue conhecendo profundamente as necessidades inspiradoras de cada indivíduo, um a um, e costurando-as de uma forma que consiga se alinhar para o bem comum ? e só quem ama o que faz consegue chegar nesse nível. O amor fraterno é a única força capaz de gerar a verdadeira coesão entre as pessoas.

Compromisso ? Esse diferencial vai gerar o compromisso. E é o compromisso que vai determinar o tempo de vida útil de uma pessoa dentro de uma organização. Por sua vez, o tempo de vida útil de uma pessoa dentro de uma organização interfere diretamente no sucesso ou na ruptura de um processo de mudanças. O compromisso com a transformação é o que gera a transmutação das pessoas e as mudanças nas corporações. É preciso entender a diferença entre o contagioso e o contagiante.

Sabemos que toda mudança requer disciplina. Sabemos também que um processo de mudança efetivamente comprometido nunca termina, ele apenas vai mudando as datas e etapas, à medida que as coisas vão acontecendo e evoluindo. Se somente as lideranças são capazes de gerar mudanças significativas, é preciso preparar líderes, descobrindo pessoas e encorajando-as a mostrar suas aptidões e a desenvolver seus potenciais, para que sejam detectados os olhos de tigre dos grandes aprendizes de líderes do futuro.

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