Cerca de 85% dos motivos pelos quais os prospects não compram um produto ou serviço é porque têm medo de cometer um erro. Em consequência de incontáveis experiências de compras negativas, desde bem cedo, na infância, todos nós já compramos alguma coisa e nos arrependemos depois. Talvez, descobrimos mais tarde que pagamos caro demais, que adquirimos o produto errado para as nossas necessidades, que não conseguimos que ele fosse consertado ou tivesse assistência ou fomos completamente enganados pelo vendedor ou empresa.
Devido a essa bagagem acumulada de compras infelizes, as pessoas geralmente são cheias de suspeita, céticas e desconfiadas em relação ao que é oferecido, mesmo quando querem e precisam de um determinado produto ou serviço. E, quanto mais caro ele for, mais cautelosas e indecisas ficarão.
São quatro os fatores que aumentam essa hesitação a qualquer oferta. O primeiro é o tamanho da compra; quanto mais dispendiosa, maior é o risco que o cliente vê no negócio. O segundo fator é a duração de vida do produto; se ele for previsto para durar três anos ou mais – e, uma vez comprado, é caro demais para ser substituído por outro –, o cliente naturalmente hesitará antes da decisão final. O risco de cometer um engano e ficar com um produto encalhado é grande.
O terceiro é o número de pessoas envolvidas. Todo mundo já passou pela experiência de ter tomado uma decisão de compra e depois ser criticado pelos outros devido a essa decisão. Às vezes, as pessoas apenas reclamam da escolha. Outras vezes, elas salientam como a decisão foi errada, considerando outros produtos ou serviços disponíveis. O pior é quando a decisão se mostra tão ruim que a posição do comprador na empresa fica ameaçada. Essa é a causa do anúncio mais famoso da IBM: “Nunca ninguém foi demitido por escolher a IBM!”.
O quarto fator de risco é a possibilidade de o cliente ser um comprador de primeira vez. Ele já comprou ou usou esse determinado produto ou serviço? Já o comprou de você ou de sua empresa? Em qualquer um dos casos, se a resposta for não, o risco que ele percebe é muito maior.
O antídoto para esse ceticismo e essa falta de confiança normal e natural em qualquer situação de venda é a credibilidade. A solução é consolidar no cliente a ideia de que você é uma pessoa totalmente merecedora de crédito, que vende um produto de inteira confiança. A credibilidade é a questão essencial em qualquer decisão de compra, mas sozinha não é o bastante. Atualmente, até conseguir uma entrevista com um cliente exige credibilidade. No entanto, para conseguir a venda, é preciso ter megacredibilidade, que é definida como a credibilidade que está muito acima e além de qualquer apelo a qualidade e serviço. Está acima de qualquer coisa que seus concorrentes possam estar oferecendo na mesma ocasião.
Brian Tracy, em seu livro O supervendedor, diz que a megacredibilidade é uma ideia ou sentimento que pode e deve ser criado no coração e na mente do prospect. Esse é o fator intangível e essencial que está por trás de qualquer venda. Trata-se da qualidade mais importante dos profissionais vitoriosos. E, felizmente, é algo que você pode construir passo a passo em todas as interações com o cliente.
Há cinco pontos essenciais nessa construção. Todos são importantes e cada um deles pode determinar a venda, confira:
- A credibilidade do vendedor –Você. A credibilidade pessoal é tão importante que sua aparência e personalidade, sozinhas, podem fazer ou destruir uma venda. A megacredibilidade pessoal possui quatro aspectos: roupa, aparência adequada, acessórios e atitude. Cada um desses ingredientes é essencial, e a deficiência em qualquer um deles pode ser o bastante para arruinar a venda. Os clientes são muito visuais. Eles procuram pistas em sua aparência para determinar o quanto você é digno de confiança e competente – e, por meio do que veem, julgam a confiabilidade e a capacidade de seu produto ou serviço e da sua empresa.
- A reputação de sua empresa –Segundo Theodore Leavitt, da Harvard Business School, o bem mais valioso de uma empresa é “o modo como ela é conhecida pelos clientes”. Essa reputação é constituída de muitos fatores que os compradores vivenciam no trato com a empresa. Cerca de 85% das vendas realizadas atualmente são baseadas no boca a boca. Essa expressão se refere ao que as outras pessoas dizem sobre seus produtos e serviços, é como sua empresa é considerada e comentada pelos clientes e não clientes no mercado. Quanto melhor sua reputação, mais baixo o risco percebido em comprar de você. Quanto mais outros clientes falarem bem de você, mais fácil será para os novos aceitarem suas recomendações de prosseguir na compra.
- Os testemunhos –Eles consistem em cartas, listas, fotografias e declarações de outros clientes. Todos eles constroem a confiança e diminuem o medo de fazer uma compra errada. Uma boa carta de um cliente satisfeito pode ser suficiente para convencer um prospect de que é seguro comprar de você. Então, faça questão de pedir uma carta de referência toda vez que receber um comentário positivo de um cliente. Leve as cartas consigo, revista-as com um plástico e coloque num fichário. Elas são importantíssimas na construção da megacredibilidade. Se puder, faça uma lista das pessoas ou empresas com quem você já negociou. Quanto maior a lista e mais conhecidos forem os clientes, mais eficaz ela será para fortalecer a confiança.
Uma outra forma de criar credibilidade é por meio de fotografias ou vídeos de clientes satisfeitos. Uma foto vale por mil palavras quando se trata de superar o ceticismo e estabelecer megacredibilidade numa conversa de vendas. Muitas vezes, as pessoas não fazem negócio antes de conhecer alguém que já o fez e saber se essa pessoa ficou satisfeita com a compra. Não deixe de oferecer espontaneamente essa informação, de maneira clara, durante a conversa com o cliente.
- A apresentação –Uma apresentação bem pensada, totalmente profissional e centrada no cliente, acrescenta valor ao produto ou serviço e realmente aumenta o preço que você pode cobrar por ele. A apresentação planejada e preparada estabelece um alto grau de credibilidade. E essa credibilidade pode ser tudo de que você precisa para superar o medo e as dúvidas que impedem a maioria dos clientes de comprar. Apresentação excelente é aquela em que você associa seu produto ou serviço às necessidades do cliente, exatamente como ele as descreveu na parte de perguntas e respostas. Você mostra que os benefícios exatos que ele deseja estão contidos no que você vende. Evite falar de coisas que o cliente não expressou interesse em comprar.
- O próprio produto ou serviço –Sua apresentação deve demonstrar claramente que o produto ou serviço que você oferece é a solução ideal para as necessidades do cliente e que seu valor compensa muitíssimo o preço que está pedindo. O cliente precisa estar convencido de que, considerando tudo, ele ficará em melhores condições com o que você está vendendo do que estaria com um produto competitivo ou com o dinheiro que ele custa.
E, para finalizar, uma grande regra para o sucesso nas vendas: “Tudo conta!”. Tudo o que você faz numa situação de venda ajuda ou prejudica. Ou o leva para a venda ou o afasta dela. É uma questão de aumentar a credibilidade ou diminuí-Ia. Mas nada é neutro. Tudo conta. Todos os grandes profissionais sabem disso. Eles não deixam nada ao acaso – nem você deve fazê-lo.
Livro:O supervendedor
Autor:Brian Tracy
Editora:Best Seller
Colaboração: Marco Aurélio Marcondes


