Cada vez mais as empresas se sentem frustradas com a saída de mulheres de talento em cargos de liderança e gerência. Cada vez mais as empresas se sentem frustradas com a saída de mulheres de talento em cargos de liderança e gerência. De acordo com uma pesquisa recente feita pelo instituto norte-americano Harris Interactive e conduzida pelo Center for Work-Life Policies (Centro para políticas trabalho-vida privada), 37% das mulheres com alta qualificação profissional decidem sair do mercado de trabalho, contra apenas 24% dos homens que o fazem.
Mas essas estatísticas não contam toda a história. Elas podem até mostrar uma grande perda de talento baseada no sexo, mas não leva em consideração as mulheres que decidem levar suas qualificações e experiências para outras empresas, em vez de simplesmente parar de trabalhar ou abrir um negócio próprio.
A grande debandada de profissionais femininas de certas empresas é o que chamo de ?Anita-vai-com-as-outras-empresas? (no original em inglês, ?Jane Drain?, literalmente ?ralo das Janes?). Na verdade, não importa muito para onde elas vão, para a concorrência, para outro setor da economia, abrir seus próprios negócios, etc. Se mulheres deixam a sua empresa em maior proporção do que os homens, você tem um problema de ?Anita-vai-com-as-outras-empresas?, uma perda de talentos generalizada que ninguém pode se dar ao luxo de ter.
Porque isso preocupa ? A princípio, não se trata de um grande problema. Há pessoas no mercado de trabalho igualmente talentosas, homens e mulheres. Porém, se checarmos os números de um futuro próximo, vai interessar muito para a sua empresa manter uma equipe de pessoas talentosas de ambos os sexos. Primeiro, há a questão do lucro. Empresas descobrem que é necessário a visões diferentes que homens e mulheres possuem para que as inovações sejam totalmente exploradas e aproveitadas. Seja em desenvolvimento de produtos, afinidade com consumidores, geração de idéias para aproveitar oportunidades, solução de problemas. Depois, há a questão do custo. É caro ter de, continuamente, repor pessoas para substituir aquelas que saíram depois da empresa ter investido tanto nelas. E, conforme mais e mais mulheres entram no mercado de trabalho em todos os níveis, as empresas vão acabar presas nesse círculo vicioso de substituição de pessoas, a não ser que criem uma maneira de diminuir a criação de ?Anitas-vão-com-as-outras-empresas?.
Diagnóstico ? Em conversas com diversas empresas, observa-se que a imensa maioria desejaria ter mais mulheres em cargos de alta diretoria e lideranças, e ao mesmo tempo não sabem quantas delas saíram de sua empresa, para onde elas foram ou por que decidiram sair. De qualquer maneira, essas empresas já perderam um alto investimento com cada saída de suas gerentes médias. Tenha em mente o crescimento do número de mulheres no ensino médio e universidades. O sucesso da empresa em atrair, reter e aprimorar mulheres vai ter um valor cada vez maior na guerra pelos talentos que se aproxima.
Então, você tem uma criação de ?Anitas-vão-com-as-outras-empresas?? Como descobrir? O que fazer? Conforme estudava a dinâmica do trabalho feminino nas empresas, comecei a descobrir alguns pontos-chave a serem considerados para avaliar a situação de sua empresa.
Primeiro, é importante ter números referentes à saída de mulheres x saída de homens de sua empresa. Você sabe para onde os seus gerentes vão ao sair? Se você analisar um ano, quantos homens e mulheres foram contratados? E quantos se demitiram? A proporção é relativamente a mesma? Se você verificar cada nível de gerência de sua empresa, você poderá identificar em que fase as mulheres começam a sair? Observe as decisões de promoções que você tomou em sua empresa. Havia mulheres aptas para o cargo? Se elas foram preteridas, conseguiram alguma promoção depois? Foi dado a elas algum feedback? Onde elas estão agora?
Se você descobrir, nessa investigação, padrões muito diferentes para mulheres e homens, você tem uma criação de ?Anitas-vão-com-as-outras-empresas?.
Quanto custa? ? Suponha que você descobriu essa criação na sua empresa. Você pode calcular quanto isso custa? Uma das formas de calcular é pelo ?custo da qualidade?, que compara o custo de uma falha ou fracasso com o custo da prevenção. Compare quanto custa a criação de ?Anitas-vão-com-as-outras-empresas? com o custo de reter e desenvolver mulheres. Esse custo tem componentes internos e externos. Internamente, há o custo do investimento em recrutamento, treinamento e desenvolvimento, bem como o custo de contratar alguém novo. Há também custos mais intangíveis, como os relacionados ao valor da pessoa como modelo de conduta para outras mulheres, e diversidade de pensamento.
Externamente, há o custo de desenvolvimento de negócios e parcerias, pois alguns clientes preferem negociar com empresas que tenham uma diretoria diversificada, assim como existem aqueles que preferem negociar com mulheres. Uma vez que você tenha esses números na mão, compare com o que você iria gastar para manter as líderes femininas em sua empresa. Veja o custo de networking especial para elas, programas de mentoras, conferências e outras atividades.
Prevenção ? Prevenir o aparecimento de uma criação de ?Anitas-vão-com-as-outras-empresas? requer um investimento, tanto de dinheiro como de atenção da alta gerência. Vamos analisar primeiro a questão do dinheiro. Muitas empresas afirmam dar apoio a iniciativas de suas gerentes e líderes, mas colocam pouco dinheiro nas idéias delas. Essencialmente, apostam na paixão e cometimento de algumas poucas mulheres para transformar a empresa.
No melhor dos cenários, essas líderes ganham visibilidade e tapinhas nas costas; no pior, elas são pressionadas para resolverem rapidamente os problemas que suas iniciativas trouxeram (e cada novidade criada em uma empresa traz alguns problemas em seu bojo). Então, se você quer prevenir que seus talentos femininos saiam, o primeiro passo é tratar os projetos delas da mesma forma que tratam os projetos deles.
Além do dinheiro, empresas precisam investir a atenção da diretoria. Alguém precisa assumir a missão de desenvolver mulheres na empresa. É fundamental analisar a cultura escrita e não escrita da empresa, fórmulas de compensação, estruturas de serviços, e outros. É preciso ouvir, e não apenas imaginar. Será que ela realmente ?não quer se mudar para outra cidade?? Ou que ela ?não seria tão efetiva? ao lidar com aquelas grandes contas de clientes importantes? Como é que você sabe? Você discutiu essas possibilidades com ela ultimamente?
Integrar sua líder é outro ponto. O mundo dos negócios é um mundo de relacionamentos e performance. Por mais que as mulheres brilhem individualmente, freqüentemente são deixadas de lado do burburinho informal da organização, onde as coisas realmente podem ser decididas.


