O processo decisório nas organizações constitui-se num importante fator de sucesso quando bem trabalhado no sentido da maximização global dos resultados a serem alcançados. Diminui-se o espaço para decisões tomadas a partir da intuição, mesmo que o empreendedor possua pleno conhecimento do seu negócio e mercado.
No entanto, são vários os empresários que ainda não atentaram para o processo decisório baseado em números representativos das ações implementadas. Tal procedimento pode significar o grande diferencial em relação aos concorrentes e ao próprio mercado em que atuam.
Com mais freqüência do que imaginamos, decisões originadas em determinadas áreas de uma empresa, normalmente causam impactos em outros segmentos da organização. Em alguns casos, tais reflexos apresentam-se importantes e até inesperados.
Assim, o processo decisório deve ser repensado e reestruturado no sentido do compartilhamento das decisões. Administradores de organizações bem estruturadas, ao adotarem decisões, procuram consultar as diversas áreas que possam ser afetadas, bem como, ficam atentos aos reflexos na situação econômica e financeira.
Nas pequenas e médias empresas, o processo decisório constitui-se em uma árdua e difícil tarefa, pois, de modo geral, os empresários não possuem a visão global do empreendimento, não dispondo, também, de instrumentos adequados que permitam a aferição dos impactos que as decisões adotadas, ou, a serem adotadas. possam causar.
Tipificando, vamos evidenciar a importância do inter-relacionamento na adoção de decisões imaginando a seguinte situação: o responsável pela área comercial da empresa “ABC” chegou à conclusão de que as vendas poderiam crescer em até vinte por cento se o sistema de comercialização, no que range aos prazos concedidos aos clientes, fosse estendido em sessenta dias.
Assim, de forma isolada, implementou a decisão e aguardou os resultados que, no seu entendimento, propiciariam resultados vantajosos à organização. Decorrido algum tempo, constatou-se que realmente as vendas haviam crescido, fazendo com que a empresa conquistasse mais clientes.
Apesar de uma lucratividade maior, a situação financeira retratada no fluxo de caixa piorou consideravelmente a ponto da empresa precisar recorrer a empréstimos de curto prazo e/ou atrasar alguns compromissos. Este fato, se analisado com o devido cuidado, revela que o aumento do montante de receitas em face da dilatação dos prazos concedidos, conjugado com maiores compras de produtos para atender à demanda, influenciou as necessidades líquidas de capital de giro, exigindo novas fontes de recursos para financiar o incremento ocorrido no processo.
O desentrosamento no processo decisório entre as áreas comercial, logística e financeira foi fundamental para que as decisões implementadas ocasionassem os problemas financeiros, contrariando as expectativas previstas.
Prestando consultoria há muitos anos, encontrei situações semelhantes que evidenciavam o descompasso das decisões quando adotadas de forma isolada. A verdade é que certas decisões, pelo grau de importância, precisam ser discutidas por todas as áreas envolvidas, para que se previnam e possam colaborar para a eficácia dos resultados almejados. As decisões, inerentes ao dia-a-dia dos negócios, são mais importantes do que parecem, e, fatalmente influenciam o desempenho das organizações no longo prazo.
Nesse sentido, desenvolvi um sistema que, a partir das principais premissas de negócios, gera inúmeras informações (como Movimentação dos Produtos em unidades e reais -, fluxo de Caixa Projetado, Cálculo de Preço de Venda do Produto por Unidade, etc), além de quantificar as ações a serem implementadas. Dessa forma pode-se adotar aquelas que apresentem menores riscos e também visualizá-las com prudente antecedência. O método aceita adaptações para atender às necessidades e peculiaridades de cada empresa.
Obviamente, seria bom que os empreendedores, principalmente aqueles de pequeno e médio porte, adotassem uma postura investigativa com relação aos impactos das decisões. E, da mesma forma, os procedimentos contábeis deveriam ser valorizados e utilizados regularmente como instrumento de apoio. Cercando-se desses cuidados os empreendedores resguardam-se de ações equivocadas que comprometam o desempenho.
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Para saber mais; Entendendo a Variação – A chave para administrar o Caos, de Donald J. Wheeler. Editora Qualitymark.
Marcus Manoel Fomm é economista com pós-graduação lato sensu em Mercado de Capitais (FGVRJ), Gerência Financeira e Previsão de Insolvência (PUC RJ), Análise Econômico Financeira Chase Banco Lar, dentre diversos outros cursos. Possui experiência nas áreas contábil, financeira, administrativa, crédito, elaboração de plano de negócios. Fone: (0**34) 3831-7222. E-mail: econofom@terra.com.br


