Brasil, meu Brasil brasileiro

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Brasil é um país que me puxa para baixo. (Bruno Barreto, cineasta).

O Brasil tem a cultura do coitadinho. (Miguel Falabella, ator)

Sucesso no Brasil é considerado ofensa pessoal. (Tom Jobim, músico)

Não sei se você leu, mas se perdeu, vá correndo comprar: na última Exame (www.exame.com.br) saiu uma matéria intitulada Baixa Estima: Por que os brasileiros vêem o país de forma tão negativa?

Escrita brilhantemente pelo cientista político Bolivar Lamounier e pelo economista Fábio Giambiagi, a matéria discorre, de maneira inteligente e direta, sobre os motivos que nos levam a ver o Brasil (e os brasileiros) de forma negativa, mesmo com todos os avanços que tivemos nos últimos anos.

Algumas pérolas: “Uma das características dos países subdesenvolvidos é a contínua busca de bodes expiatórios para explicar suas frustrações internas. A demonologia torna-se um esporte natural para explicar a pobreza. É difícil reconhecer que a culpa esta em nos mesmos, e não nos demônios.” (Roberto Campos)

“Todo mundo é a favor da economia geral e do gasto particular.” (Anthony Éden, ministro britânico, comentando como todo mundo gosta de cortar gastos – menos os seus).

“De minha parte, a coisa mais insensível que existe é a Lei da Gravidade. Sem o menor escrúpulo, ela quebra o pescoço da melhor e mais amável pessoa, se esta se esquece por um instante sequer de respeitá-la. Os ventos e as ondas também são muito insensíveis. A alguém aconselharia aqueles que vão para o mar a negar os ventos e as ondas, ou diria que é necessário utilizá-los e encontrar os meios de se defender de seus perigos?” (John Stuart Mill, respondendo a críticas sobre sua insensibilidade como economista).

“O brasileiro gosta muito de ignorar as próprias virtudes exaltar as próprias deficiências, numa inversão do chamado ufanismo. Somos uns narcisos às avessas, que cospem na própria imagem.” (Nelson Rodrigues, criticando o complexo de “vira-lata” dos brasileiros).

Lamounier e Giamhiagi terminam corretamente seu ensaio com um pensamento simples e direto: “grande desafio nacional, nos próximos anos será acabar com esse complexo”.

Nada melhor para começar o Ano Novo do que uma lista de resoluções. Este ano, não se esqueça de colocar o Brasil na sua. E com orgulho.

Então boas-festas, feliz Ano Novo e que o Brasil realmente consiga crescer 4% em 2000, com inflação de 6%. É difícil, mas não impossível. Se cada um de nós fizer a sua parte, estaremos bem melhor em 2001.

Um grande abraço

Raúl Candeloro
Editor

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