Cachorro velho não aprende truque novo?

As empresas que obtêm capital e o empregam na ampliação do negócio sem considerar a preparação necessária para enfrentar mudanças levam os colaboradores à perda de qualidade. Há empresários que se acomodam e não crescem. Correm o risco de fechar as portas porque outras que se abrem. No entanto, existe o empreendedor que acompanha as mudanças de mercado e, por essa razão, evolui. Mudar não é tarefa fácil, principalmente para quem começou modestamente ? enorme parcela de pessoas inicia o negócio assim ? e consegue chegar lá. A vitória confirma a trajetória percorrida ao longo de anos de luta e, portanto, manter-se igual parece ser correto. Cada um sabe o quanto sofreu e persistiu até alcançar a atual posição. Mudar, nesses casos, é algo desnecessário.

Contudo, a vida tem ensinado o contrário, e a mudança parece ser uma das aulas mais importantes para quem ainda crê na aprendizagem e no crescimento. O mercado anda tão agressivo que repetir ano, nessa escola, pode custar a formação e o futuro. Empresas que se mantinham ativas por décadas e transbordavam estabilidade em pouco tempo enfraqueceram e encerraram suas atividades. Nada dura para sempre e os últimos anos têm atestado essa realidade transformadora. Uma pergunta passou a imperar em nosso meio: mudar é uma questão de vida ou morte?

Não obstante, existem gestores que entendem claramente o seu papel de agentes transformadores, tanto na administração de processos, equipamentos e finanças quanto nos recursos humanos, sobretudo na sua preparação para a mudança e na geração de cultura pertinente. Eles sabem que, para sobreviver e crescer, é preciso preparar o seu pessoal. Em suas reuniões de planejamento estratégico e até nos bate-papos informais a conversa a esse respeito tem foco. Suas metas de desenvolvimento incluem acertadamente o preparo e a gestão dos colaboradores.

Em muitas organizações familiares, cujos filhos estão à frente dos negócios, embora os pais se encontrem na retaguarda, podem ocorrer algumas situações conflitantes e até divisoras de águas. É possível encontrar pais resistentes a mudanças e filhos adeptos a elas. Em contrapartida, há filhos que não desejam mudar, causando mal-estar nas investidas de pais engajados nas transformações de mercado. Nesse embaraço, causado pelas opiniões divergentes, o modelo de gestão organizacional sofre oscilações que estremecem o negócio e as pessoas nele envolvidas.

A questão central da administração que focaliza crescimento, ética e responsabilidade social, manutenção da marca e da qualidade, retenção de talentos internos, respeito ao consumidor, boas relações com fornecedores e terceirizados, está na existência de equilíbrio relacionado à gestão da mudança. Ainda que haja contestação a esse respeito ? manter contestadores por perto é prudente ? ela precisa ser colocada em prática. Mudar com sabedoria é crucial.

As empresas que obtêm capital e o empregam na ampliação do negócio, sem considerar a preparação necessária para enfrentar mudanças de dimensão física, geográfica, humana e administrativa, criam abismos entre os colaboradores e os leva ao descontrole e, conseqüentemente, à perda de qualidade. Tal desencadeamento pode dificultar expressivamente a gestão de pessoas e ainda gerar certa decadência em processos que antes ocorriam afinadamente, como relógios precisos. Não é raro ouvir de um empreendedor bem estabelecido no mercado a seguinte frase: ?Antes, com a empresa menor e com menos funcionários, eu era mais feliz?. Essa contradição, em face do sonho de crescimento, é o reflexo do descontrole ocasionado pela ausência de planejamento e investimento em preparação de recursos humanos. É exigir muito do colaborador que se transforme da noite para o dia e acompanhe situações inusitadas.

Expandir é salutar, desde que se leve em conta a preparação. Crescer despreparadamente poucas vezes dá certo e acontece sem grande sofrimento. Entregar-se incondicionalmente à mudança pode causar estragos desnecessários. Por outro lado, resistir às transformações essenciais pode ser fatal. Temos de mudar. Então, usando o já conhecido ditado popular, pergunta-se: cachorro velho não aprende truque novo? Em uma breve análise, podemos dizer que depende do tipo de gestão que é adotada e da ponderação que permeia o diálogo familiar sobre mudança. Pontos de vista indicam lados distintos a respeito de determinada idéia. Porém, mudança indica uma condição única que, muitas vezes, significa permanência no mercado.

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