O castigo que funciona é privar o filho do que ele mais gosta, por um tempo relativamente justo. O castigo é a medida inevitável quando a criança insiste em desobedecer, quebrar regras, persistir em condutas que ferem a ética e o respeito. Contudo, o castigo não tem o mesmo significado de limite. O limite é a primeira medida, é a negociação, é o sinal de alerta sobre as posturas que os pais recriminam ou simplesmente não aceitam.
Se o filho promete e não cumpre, repetindo posturas proibidas, a saída pode ser o castigo, mas sem exageros. Como entender se houve exagero?
Se os pais dizem: ?Você ficará um ano sem ver televisão? ou ?Não lhe darei mais sua mesada?. Certamente terão dificuldades em manter essa promessa, pois trata-se de uma punição extremada, é preferível definir um tempo razoável que realmente possa ser cumprido. Se os pais ameaçam e depois afrouxam nas proibições, ficam desmoralizados. E se os filhos percebem que eles voltam atrás, certamente passarão a testar essa possibilidade, desobedecendo ou descumprindo com o que foi combinado.
Castigos exagerados e surras não são condutas a serem defendidas. Os dois lados sofrem. Os pais geralmente se arrependem e o pior é que tendem, mais tarde, a compensar os castigados com presentes e adulações.
O castigo que funciona é privar o filho do que ele mais gosta por um tempo relativamente justo, que lhe permita experimentar a dor da privação e refletir sobre a sua conduta. O objetivo da punição é levar à mudança de comportamento, por isso é sempre bom enfatizar:
?Se você mudar a sua conduta, no dia tal, você estará livre desse castigo.?
Mesmo não existindo fórmula mágica nem recomendação universal que impeça condutas indesejadas, os pais sabem que ter filhos é uma decisão com conseqüências para toda a vida e que sempre será necessário reconversar, reajustar, rever os combinados, enfim, atuar como educador, mesmo quando as crianças se tornam adolescentes, adultas, se casam e têm filhos. Eternamente se ouvirá um pai dizendo ao filho ou filha, já adultos: ?Vá devagar. Se beber não dirija, se dirigir, não beba!?.


