Esta é uma bela crônica sobre as relações de consumo do nosso dia-a-dia e uma amostra de como o Código de Defesa do Consumidor já tem servido para criar uma série de novas atitudes por parte dos clientes. Ela foi extraída do livro “Brasil – 500 Anos de Mau Atendimento”, de Alberto Centurião (Educator -www.aeducator.com.br). Colocaram uma máquina de vender batatas fritas na entrada da loja de conveniência de um posto de gasolina, próximo à casa de Aninha.
Na primeira oportunidade, a garotinha foi lá comprar um pacotinho. Porém, teve uma cruel decepção, as batatas tinham cheiro e gosto de gasolina.
Chegou em casa desconsolada, mas foi aconselhada pelo pai a voltar lá e devolver as batatas, ou trocar o pacote por outro.
Aninha não queria ir, tinha vergonha, mas o pai insistiu. Entusiasta do Código de Defesa do Consumidor, o pai queria formar na menina o espírito cívico de consumidora consciente, que luta por seus direitos.
Tanto o pai insistiu, que Aninha voltou ao posto para reclamar. Os frentistas a encaminharam para a caixa da loja de conveniência, que cheirou as batatas e disse que não notava nenhum cheiro estranho. Aninha insistiu, a moça provou uma batata, disse que o gosto estava 0K e mandou a menina embora.
Chegando em casa, Aninha teve que enfrentam o pai, que a mandou de volta, afirmando que se as batatas tinham sabor de gasolina isso deveria estar escrito na embalagem. Aninha voltou à moça do caixa, que solicitou para retornar no dia seguinte e falar com o gerente da loja.
Na manhã seguinte, Aninha estava lá com suas batatas. O gerente lhe disse que a máquina de batatas fritas não era da loja e nem do posto, que pertencia a outra empresa, que simplesmente alugava o espaço para colocar as máquinas. Com receio de enfrentar o pai, Aninha resolveu enfrentar o gerente. Insistiu, discutiu, pediu o telefone da outra empresa, e falou que alguém tinha que se responsabilizar pelas batatas.
Percebendo que a menina era dura na queda, o gerente solicitou que voltasse no dia seguinte para fazer a troca. Aninha apontou uma pilha de pacotes iguais no meio da loja, mas o gerente disse que ia entrar em contato com o distribuidor para verificar se ele autorizava a troca.
No outro dia Aninha voltou à loja, mas o gerente não estava. A garotinha quis desistir, mas o pai fez o cerco do outro lado e não permitiu que ela deixasse o assunto barato. Estava difícil encontrar o gerente, mas a menina começou a fazer marcação cerrada, indo em horários incertos, até que um dia flagrou o moço na loja e exigiu a troca. E conseguiu… em termos.
Voltou para casa com um pacotinho que era metade do que havia comprado. E com prazo de validade expirado.
A partir de então, ninguém da família de Aninha comprou naquele maldito posto.


