CIP adia estréia por até 90 dias

Transferências eletrônicas podem não cairam R$ 5 mil em julho, como estava previsto. Montada pelos bancos para concentrar grande parte das transações financeiras entre clientes no novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) adiou, mais uma vez, o início de suas operações, que estava previsto para o próximo dia 08/07. Na sexta-feira, 30/06, o superintendente geral da clearing, Paulo Mallmann, enviou comunicado aos bancos informando-os sobre a decisão do Conselho de Administração da CIP de estender em até 90 dias a data de estréia.

A resolução foi tomada em reunião realizada no dia 27/06, convocada para analisar os resultados dos testes de carga que vêm sendo feitos com os bancos desde 17 daquele mês para avaliar a capacidade máxima de processamento de mensagens eletrônicas, a base do SPB. Mallmann contou que os resultados não foram satisfatórios. Das cerca de 130 mil mensagens de pagamentos diárias movimentadas nos sistemas da CIP durante a semana passada, informou, várias sofreram atraso no envio de respostas por acúmulo na fila de mensageria (que interliga bancos, clearings e Banco Central) e que algumas até foram perdidas.

O fato levou o conselho da CIP a pedir um tempo maior ao Banco Central (BC) para continuar testando os sistemas e cuidar dos ajustes necessários, proposta aceita pelo BC, segundo Mallmann. Ele disse que o BC deve supervisionar os testes por 10 dias consecutivos. Se depois desse período os resultados se mostrarem adequados, a CIP pode estrear. Não há previsão de quando isso ocorrerá.

Com o adiamento, a queda do piso da TED (Transferência Eletrônica Disponível) dos atuais R$ 100 mil para os R$ 5 mil exigidos pelo BC para 8 de julho não aconteceu. Já no dia 19/06, o diretor setorial de Operações de Tesouraria da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Reinaldo Rios, havia se pronunciado dizendo que o funcionamento da CIP era fundamental para tal redução.

O executivo de um grande banco de varejo acredita que essa redução possa ficar para 1 de outubro, quando o recolhimento do compulsório feito pelos bancos junto ao BC passará a incidir sobre a conta reservas bancárias e não mais sobre depósitos à vista. O pré-depósito que o BC exigirá que os bancos façam sobre movimentações acima de R$ 5 mil feitas por meio de cheques e DOCs, previsto para 7 de agosto, também poderá ser postergado para outubro, suspeita a fonte, contando que os bancos vinham pressionando o BC para que a mudança no compulsório começasse a valer junto com o pré-depósito.

A Central, nova clearing de ativos da Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip), também não começou a funcionar no início de julho, como estava previsto. A diretora geral da câmara, Elizabeth Garbayo, afirmou que não há nada que impeça sua estréia. Mas ainda falta sua homologação pelo BC, que já enviou dois técnicos para avaliar a clearing.

Só resta-nos aguardar a divulgação das novas datas e que tudo ocorra dentro da normalidade.

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