Como a Barbearia Clube faz para oferecer serviços de beleza tipicamente femininos para o público masculino?
Já na entrada do estabelecimento, a placa deixa bem claro: Barbearia Clube – Coisa de macho. Ali não tem limpeza de pele, mas faxina. Não existe depilação, mas retirada de pelos. Os clientes da barbearia podem ver um futebolzinho e comer um petisco saboreando uma Heineken bem gelada enquanto esperam pelo atendimento – e tudo como cortesia da casa. Se na TV o jogo de futebol não interessar tanto assim, é só dar uma folheada nas revistas masculinas que ficam sobre a mesa, logo ao lado das paçoquinhas, balas e pés de moleque.
O ambiente, que remonta uma barbearia antiga – dos tempos em que barbeiro também era dentista –, foi todo planejado para atrair homens clássicos e que não gostam da frescura de um salão de beleza. E deu muito certo! Os homens sentem-se em casa enquanto esperam pelos serviços, e a barbearia mais parece um encontro entre amigos que o local para cortar o cabelo, fazer a barba e tudo mais. “Eles normalmente vêm aqui na sexta-feira à noite ou no sábado à tarde, abrem a geladeira de cerveja, se servem, pegam o amendoim, os docinhos de mercearia, tudo sozinhos. E tem que ter paçoquinha e bala de canela, senão eles reclamam”, conta Meire Ferreira Pinto, idealizadora e diretora da rede.
“Se para você hena é cavalo do Papai Noel,
relaxamento é emendar feriado,
hidratação é beber muita água e
luzes é coisa de eletricista…
Barbearia Clube – Coisa de macho
… e você achava que barbeiro só existia no trânsito!”
A Barbearia Clube nasceu em 2007, depois que Meire percebeu um grande buraco no mercado de estética masculina. Ela trabalhou por anos em uma distribuidora de cosméticos e tinha muito acesso a pesquisas de mercado, principalmente depois que começaram a surgir novos produtos para homens. Foi quando ela se deu conta de que não havia espaços com serviços voltados para a estética masculina, mesmo com o mercado crescendo 10% ao ano. “No Brasil, temos as barbearias pequenas, antigas, que resistiram ao tempo e alguns salões femininos que têm área masculina, mas não é a mesma coisa. O homem meio que se sente usando um pedacinho disso. Ele não quer só um espaço, ele quer ter o lugar dele”, argumenta a diretora.
Testosterona no conceito
Quando percebeu a oportunidade, Meire fez, em parceria com uma agência de comunicação, um estudo do que já existia no segmento, tanto no Brasil como no exterior, para depois criar o projeto da barbearia, levando em consideração que homem não gosta de frescura, não gosta de barulho, não gosta do cheiro de salão, mas gosta de coisas retro e de ter contato com o barbeiro.
A barbearia teve, então, de aprender a vender serviços costumeiramente encontrados em salões de beleza femininos para um público que não estava nem um pouco interessado em entrar num salão. Para isso, foi preciso fazer algumas adaptações. “Oferecer limpeza de pele, por exemplo, é muito feminino, mas como chamamos ‘faxina de pele’ eles aceitam melhor”, explica Meire. E essa pequena mudança de palavras faz, sim, uma grande diferença.
Toda a comunicação da barbearia com o cliente foi criada de maneira despojada e com um conceito bem-humorado, o que chama atenção e atrai as pessoas para o estabelecimento. A ideia é que o posicionamento da empresa fique bem claro ao clientetambém por meio do site, das newsletters, das propagandas do rádio e da comunicação visual da empresa. “Nosso site é muito visitado! Tem recebido até visitas de pessoas da Hungria, da Alemanha. É bacana que está evoluindo muito a divulgação por meio da internet, pesquisas no Google”, comenta.
Mas macho faz depilação?
É claro que o carro-chefe do local é cabelo e barba, mas com o tempo, depois de ver como funciona a barbearia, os clientes ficam mais propensos a fazer outros serviços. A diretora da franquia explica que a “retirada de pelos” é um dos que tem tido muito crescimento entre os homens: “Quando é verão ou próximo a feriados, eles vêm fazer peito, costas e até depilação íntima, inclusive a pedido das mulheres. Quem faz a primeira vez fica cliente devido à higiene e frescor. Apesar da dor, eles voltam”.
Além da “retirada de pelos”, a barbearia oferece podologia, mão, pé, massagem, hidratação facial e sauna individual. Os clientes também podem comprar um vale-presente, chamado Dia de Rei, que é um pacote de serviços com três opções de preços (ouro, prata e bronze) muito usado como presente no dia dos pais, dos namorados e, principalmente, no dia do casamento, numa versão masculina do Dia da Noiva. “Os noivos têm curtido bastante os pacotes. Eles vêm com os padrinhos e amigos e fazem uma farra. Não ficam mais angustiados naquelas horas antes do casamento”, acrescenta Meire.
Segundo ela, as mulheres e as empresas são as principais clientes dos pacotes de serviço. As empresas, por sinal, podem também contratar a barbearia para eventos. “Elas chamam a gente para fazer barba e massagem em seu pessoal quando promovem algum evento. Isso porque não tem tanto entretenimento para homens, então as empresas estão achando um barato – e os homens também gostam. Montamos uma pequena barbearia, levamos mobiliário para compor o ambiente e atendemos lá”, explica a empreendedora.
No lugar de desconto, ofereça novidades!
O que mais chama atenção dos que entram pela primeira vez na barbearia é a quantidade de cortesias oferecidas: docinhos, petiscos e uma geladeira repleta de cervejas premium. Será que não sai caro? Meire explica que não, porque o cliente dá muito mais valor para a cerveja de cortesia que para um desconto de R$3,00 ou R$5,00, que seria 10% do que ele gasta. E o resultado disso é que ninguém pede desconto, pois acredita que está pagando um preço justo – e ainda sai falando bem da barbearia para os amigos. Além disso, todo o mobiliário de bar e a geladeira foram doados pela Heineken. “Fizemos uma parceria com eles, que se interessaram em ter a marca associada ao conceito da barbearia”, completa.
O projeto da barbearia não foi criado para ser uma franquia, mas acabou se tornando pela insistência de alguns investidores, que queriam replicar a ideia em outros lugares. O objetivo da diretora da rede agora é abrir franquias no Rio de Janeiro e São Paulo, onde a visibilidade será maior. Mas ela afirma que quer ir devagar com o crescimento. “Acho que para os próximos dois anos ficaríamos só com isso para firmar bem a marca, firmar bem o pé, manter o conceito do negócio e o padrão de atendimento”, explica.
O que podemos aprender com o exemplo da Barbearia Clube
- Não dê descontos, ofereça novidades.
- Faça pesquisas de mercado antes de criar um novo negócio.
- Tenha um posicionamento claro e bem definido. E não tenha medo de defendê-lo por meio de suas propagandas, relações com os clientes, mobiliário, etc.
- Pense em alternativas diferentes de oferecer serviços, como a Barbearia que atende em eventos empresariais.
- Tente fazer parcerias com outras empresas que queiram associar a marca à sua.
- Pense em crescimento, mas tenha sempre o pé no chão. É melhor crescer de forma organizada, mesmo que leve mais tempo, que sair abrindo empresas muito rápido para logo depois ter de fechá-las.
- Conheça seu cliente e tente conquistá-lo com as coisas que ele mais gosta. Lembre-se de que o serviço é para ele!
Para saber mais:
Acesse o site: www.vendamais.com.br, clique na seção VM Plus e assista ao filme que gravamos na Barbearia e leia a entrevista completa com Meire Ferreira Pinto, diretora da rede de franquias.
Visite o site:www.barbeariaclube.com.br
Pergunta do quiz
Sobre a matéria Coisa de macho, que trata sobre a Barbearia Clube, de Curitiba, assinale verdadeiro ou falso:
- ( ) A diretora da franquia descobriu que seus clientes ficavam mais satisfeitos quando era oferecido um pouquinho de desconto.
- ( ) Para criar a barbearia, Meire Ferreira Pinto se baseou em uma pesquisa de mercado. Ela percebeu que poderia entrar em um novo mercado, pois não havia muitas opções de serviços de estética para homens.
- ( ) O carro-chefe da barbearia ainda é fazer barba e cabelo, mas os outros serviços, como limpeza de pele também estão crescendo. A única exceção é a depilação, ou “retirada de pelos”, que cada vez mais diminui em número de clientes, pois os homens acham que dói muito.
- ( ) A barbearia foi criada com um conceito voltado para agradar o macho clássico, que não gosta da frescura de um salão de beleza. Esse posicionamento da empresa é defendido também pela mídia.
Respostas
- Falso. Ela prefere oferecer cortesias que agradem o cliente, como cervejas, petiscos e docinhos.
- Verdadeiro.
- Falso. A depilação masculina tem crescido bastante em número de atendimento.
- Verdadeiro.


