Há muitos anos existiu um rei de nome William. Já idoso, perdera seu único filho e herdeiro. Embora sentisse muito tal perda, não deixou transparecer sua tristeza. Mantinha-se firme, porém bondoso com seus súditos. Todavia, era tomado de grande insegurança quanto às futuras guerras. Queria poder viver no conforto de seu castelo e não mais em campos de sangrentas batalhas. Nunca revelou suas fraquezas. Meditava como resolvê-las.
A sabedoria lhe indicava que só um grande negociador poderia evitar novas guerras, e assumiu não debilitar ainda mais as finanças da coroa ou expô-lo á morte, como acontecera ao seu herdeiro. Não tinha ninguém, em sua corte, que pudesse preencher os requisitos necessários.
Sua linda sobrinha aguardava que um seria o recomendado para casar-se. Com a morte do filho, era ela a herdeira, a futura rainha.
O rei viu aí a oportunidade de resolver o problema que mais o perturbava: encontrar o negociador.
Estabeleceu que o futuro esposo de sua sobrinha poderia ter qualquer origem. Nobre ou plebeu. Sua exigência era que o pretendente conseguisse, em uma única audiência, com sua argumentação, cativar e conquistar o Rei. Assim, imaginava que ele teria as habilidades necessárias para negociar comum os reinados inimigos e evitar novas guerras.
Os súditos, especialmente os plebeus, começaram a perceber que o mundo oferecia mais oportunidades do que haviam tido durante toda a vida. A felicidade era tanta que passaram a chamar o Rei William de “O Rei da Oportunidade”.
Então, William ordenou a seus conselheiros mais próximos que procurasse um por todo o reinado essa pessoa. Os conselheiros não haveriam de descansar até a encontrarem.
Apareceram os candidatos. Após cada reunião, o conselheiro designado para fazer o anúncio era chamado à sala do Rei para conhecer o desfecho da audiência. Então, ouvia:
– Se fosse possível dar-lhe mais uma chance, quem sabe teria conseguido. Este ainda não é aquele que realizara meu sonho. Que entre o próximo.
O tempo foi passando e centenas de candidatos foram auditados. Em determinada ocasião, os conselheiros já cansados e tomados pelo descrédito, decidiram pedir numa entrevista á Sua Majestade para discutirem os rumos de tal pendência.
Tomou a palavra o conselheiro Nemé:
– Majestade, o que falta em tão nobres candidatos que lhe apresentamos para que conquistem vossa simpatia e confiança em um só encontro?
Com a serenidade que lhe era peculiar, respondeu o Rei:
– Embora tenham encontrado pessoas inteligentes e honestas, só vi homens tentados a falar de si mesmos; de seus valores pessoais e dos bens que possuíam. Todos começavam por aguardar; como que sem saber o que fazer, um sinal do que podiam seguir em frente. Muitos nem diziam para quê tinham indo.
– Procurem por pessoas que tenham iniciativa. Não desistam. Haverá de existir alguém que decididamente mereça ser o meu escolhido, ordenou o Rei.
Embora sem entender ao certo o que lhes fora dito, os conselheiros continuaram a procurar.
Num determinado dia, num mercador de tapetes, sabedor das audiências, viu nisso a oportunidade de apresentar ao Rei seus melhores e mais caros produtos. Especialmente diante do iminente casamento da sobrinha. Uma festa necessita de pompa e isso seus tapetes fariam. Nunca conseguira dirigir-se a ninguém de tão alta nobreza. Era uma grande oportunidade.
Como já se escasseavam os candidatos, conseguiu com rapidez soou intento.
Até o dia marcado, passara noites sem dormir imaginando que se não cativasse o Rei nos primeiros minutos poderia ser enforcado. Não iria propor-se ao casamento e sim, procurar negociar seus tapetes. O casamento? Não imaginava ele próprio poder almejar tal sortilégio.
Na audiência, assim procedeu:
– Oh! Mais sublime e poderoso ser deste meu mundo. Agradeço-vos por terdes recebido este pobre e humilde mercador de nome Vincent. Venho da província de seus melhores artesãos.
– A que vieste? Disse o Rei.
– Venho trazer-vos o conforto que mereceis. Fazer com que vossas preocupações se desvaneçam ao permitir-vos o melhor aconchego de vosso lar. Venho mostrar o melhor que fruto de suas glórias pode obter. Vim fazer do casamento de vossa herdeira um evento de incomum grandeza, para este reino e aos remos vizinhos. Fazer-vos merecedor de admiração. Coloco o melhor de minhas posses ao vosso dispor.
O Rei, surpreso com aquelas palavras que se encaixavam nos seus mais profundos anseios, disse:
– Sede bem-vindo ao meu Castelo. Não digais mais nada! Tereis a mão de minha sobrinha.
Petrificado, o mercador percebeu que o que lhe parecera fora de alcance, lhe fora dado por sua coragem em arriscar-se.
Não sabia o Rei, até aquele momento, que a pessoa quem procurava seria facilmente encontrada se seus conselheiros procurassem por aqueles que atuam na maior profissão do mundo: A PROFISSÃO DE VENDAS.


