Uma boa comunicação com seu cliente pode ser a chance de conquistar uma nova venda. Conheça perfis tradicionais de comunicadores e avalie-se! Você se lembra dos tempos de escola em que a classe inteira se reunia para contar quantas vezes aquele professor chato pronunciava as palavras: tá?, né?, O.K.?, entendeu? ou aquela instrutora que apertava nervosamente as mãos, estalando ruidosamente os dedos e andava de um lado para outro, deixando os alunos tontos e perdidos com tamanha agitação?
A maioria de nós já foi vítima de profissionais despreparados, que nos usaram como vítimas de suas apresentações amadoras, marcadas pela insegurança, apatia e desconhecimento das técnicas necessárias à arte de falar bem em público.
Analisemos, então, alguns desses tipos de comunicadores cujos vícios de linguagem e tiques corporais transformam as reuniões, aulas e congressos em uma ameaça para os olhos e os ouvidos dos espectadores.
O tímido ? Costuma falar em voz baixa e tem dificuldade em administrar o medo interno. Sente-se nervoso, tropeça nas palavras. Sua dicção e a articulação são deficientes. Parece pedir desculpas por ocupar aquele espaço. Gagueja e mesmo tendo se preparado e se organizado perde-se com freqüência.
As palavras são emitidas com dificuldade. Estar ali parece representar um grande sacrifício. Olha para o teto, para o chão ou para o nada como se possuísse uma cortina diante dos olhos.
Seu corpo mostra sinais evidentes de nervosismo: boca seca, respiração difícil, transpiração no rosto e nas mãos ? o que o faz usar lenços com freqüência. Esconde-se atrás da mesa e do flipchart. Segura chaves, canetas ou livros. Seus olhos se mostram constantemente assustados, como se tivesse medo de ser abordado em flagrante.
O egocêntrico ? Para ele, a platéia é um espelho gigante, que reflete todas as suas qualidades. O público está ali para servi-lo. A palavra ?eu? é a mais importante de seu vocabulário. Parece possuir um luminoso no corpo, no qual está escrito em letras garrafais: ?Sou o melhor?. Aplica todas as regras da oratória para seduzir a platéia. Ele quer receber aplausos o tempo todo.
Criou um tipo que não abandona. É o exemplo do sucesso ambulante. Seus olhos são cifrões e seu sorriso profissional. Tudo é milimetricamente estudado. A técnica está acima de tudo. Em suas palestras, entrevistas e congressos, o que mais lhe interessa comunicar são os seguintes dados: quantos cursos já realizou, quantos livros escritos por ele já foram vendidos, quantas pessoas já compareceram aos seus cursos, quanto dinheiro já ganhou e quantos títulos já conquistou.
Ele é a salvação. Por meio dele, chega-se ao reino do dinheiro e do sucesso.
O erudito ? Ele fala difícil, utilizando por vezes palavras em desuso. Cita freqüentemente frase de autores famosos. Mesmo percebendo que seu público não o compreende, emprega excessivamente palavras estrangeiras, gírias profissionais, linguagem técnica ? essa é uma forma arrogante de usufruto do poder para deixar claro que só ele conhece o assunto.
Como seu prazer provém da exibição de sua cultura, não se preocupa em obter feedback da platéia. Suas idéias são herméticas e vêm acompanhadas de frases rebuscadas. Quase não utiliza recursos audiovisuais, prefere ficar sentado e empregar um tom de professor. Por julgar que sua cultura o exime de qualquer questionamento, não admite interrupções nem contestações.
O hipnotizador ? Expressa-se de maneira pausada, causando sonolência na platéia. Quando formula o início de um conceito, o público já adivinha a conclusão.
O modesto ? É aquele que sempre se posiciona de maneira servil em relação à platéia, utilizando frases como: ?Em minha modesta opinião…?, ?não sei se vou conseguir, pois não tenho a cultura nem a experiência necessárias, mas vou tentar explicar aqui, como um escravo da profissão…?.
O verborrágico ? É extremamente prolixo. Fala sem parar, porque considera suas idéias as mais interessantes. Ama o som da própria voz e, para ele, o silêncio é crime. Parece uma metralhadora vocal, expressando-se para si mesmo. Quase não dirige o olhar para a platéia.
Além disso, como quer ter absoluta certeza de que o público o ouviu, usa as seguintes expressões em seus finais de frase: ?Estão me compreendendo? Perceberam onde quero chegar? Entenderam onde está o cerne da questão? Está tudo claro, não é? Posso continuar? Vocês têm certeza de que estão acompanhando meu raciocínio? É importante que vocês não se percam; por isso, prestem bem atenção?.
O despreparado ? Ele aceita o convite para a palestra, mas confiante na ajuda divina não se prepara. Planejar é perda de tempo e o improviso se torna excitante. Por isso, ele desconhece as necessidades do público e não sabe o que dizer nem como dizer. Suas idéias se mostram confusas, porque lhe faltam objetividade, coerência, fluência e poder de síntese.
Não sabe utilizar os recursos audiovisuais ? suas transparências nunca estão na ordem correta, além de serem de péssima qualidade (com letras manuscritas miúdas). De costas, ele tenta lê-las para a platéia. Seu material de trabalho (pilhas de livros e de filmes) polui todo o ambiente. Tropeça nos fios, deixa cair objetos. Sempre tem-se a impressão de que, para ele, o evento foi uma surpresa, causando intranqüilidade em quem assiste.
O espalhafatoso ? Está sempre arrumando o cabelo e a roupa, contemplando as próprias unhas. Utiliza o vidro da janela da sala como um espelho. Seus gestos são largos e ininterruptos, porque buscam tornar suas palavras mais eloqüentes que realmente são. Tudo nele é excessivo: o colorido das roupas, a largura da gravata. Seus trajes gritam continuamente. É praticamente impossível prestar atenção ao que ele diz.
Depois de conhecer todos esses tipos de comunicadores, avalie-se e depois de se encaixar em um desses personagens, tente amenizar suas fraquezas e fortalecer suas virtudes. Assim, a comunicação com seu cliente será eficaz.


