Sabemos que é papel do líder motivar sua equipe. Mas quem o motiva quando ele anda meio down? Afinal de contas, um líder desmotivado acaba contaminando toda a equipe, pois não há plano de recompensas que consiga competir com carrancas e mau humor.
A resposta é bastante simples: automotivação. É isso mesmo, além da motivação de sua equipe, um líder deve investir regularmente na sua própria motivação. Aliás, ao simplesmente admitir esse fato, muitas vezes, a percepção do problema da desmotivação muda radicalmente de figura.
Resumindo: para motivar os outros, você mesmo deve estar motivado. Normalmente, todos somos motivados, mas, por forças e pressões externas, muitas vezes, somos bombardeados por cargas negativas que acabam nos deixando pessimistas. Por isso, é necessário conscientizar-se de que a motivação é uma coisa que pode ser treinada, buscada e alcançada.
Veja algumas coisas simples que você pode implementar hoje mesmo para melhorar sua qualidade de vida:
- Ritmo: 100% de tensão é insuportável– Um dos motivos pelos quais as pessoas gostam de esportes é pelo fato de eles terem um ritmo que alterna momentos de tensão com outros de calma. Assim também são as grandes sinfonias e clássicos do cinema: tensão e relaxamento.
Cada pessoa tem um ritmo próprio, mas a vida moderna, muitas vezes, fala mais alto e as obriga a andarem a 100 km/h o dia inteiro.
Não deixe isso acontecer: crie breaks no seu dia para relaxar, saia para caminhar e dê uma volta na quadra, feche a porta da sua sala por 15 minutos e mande barrar todas as ligações, vá tomar uma água mineral na esquina, etc.
Isso não é tempo perdido, pelo contrário, são esses momentos de descanso – tanto físico quanto mental – que permitem você produzir ao máximo, concentrando-se em fazer eficientemente o que tem para realizar nesse dia.
- Objetivos pessoais e profissionais claros– É difícil se manter motivado se você não sabe exatamente para onde está indo. Isso ocorre principalmente após muitos anos em uma mesma companhia. O mercado, a empresa, você, o bairro – muita coisa mudou.
Talvez, seja hora de parar e questionar se o que você faz realmente o está levando a ficar mais próximo de seus objetivos pessoais e profissionais. Se não, é possível que tenha chegado a hora de encarar isso de frente e tomar uma atitude corretiva.
- Realização e reconhecimento– Um dos problemas mais graves que podem existir dentro de qualquer equipe é a falta de reconhecimento.
Mas o líder não pode esperar que seus subordinados o elogiem constantemente, pois aí vira puxa-saquismo, acabando por ficar rodeado de um bando de incompetentes, que só estão ali porque ficam massageando o ego do líder.
E se o seu líder não é de fazer elogios? E se você não tem chefe, é o dono da empresa, por exemplo?
Nesse caso, é necessário um pouco de “ginástica psicológica” – procure ouvir a opinião de seus clientes, sejam eles internos (outros departamentos dentro da empresa) ou externos (consumidores). Nada é mais motivador para qualquer ser humano que receber uma carta, dizendo: “Parabéns, você fez um excelente trabalho. Continue assim” como também é motivador receber uma carta, dizendo: “Você errou aqui, podia ter feito aquilo melhor, etc.”
Críticas construtivas significam que alguém se deu ao trabalho de interromper o que estava fazendo para ajudar você a melhorar. Passe a vê-las com outros olhos e lembre-se de controlar as suas, mantendo-as sempre construtivas – isso também é motivação.
- Homem ou máquina– Analise o que você faz hoje e questione-se sinceramente: “Será que você não pode ser substituído por uma máquina ou computador?”.
Tarefas repetitivas, burocráticas e sem criatividade não são apenas chatas e maçantes: são totalmente desestruturadoras para um ser humano normal. Nós não fomos feitos simplesmente para ficar horas e horas fazendo as mesmas atividades.
Qualquer um que caia na rotina acaba ficando deprimido em algum momento, principalmente se isso não está de acordo com seus objetivos pessoais ou profissionais. Por isso, muitos de nós escolhemos a área de vendas, porque nela raramente há rotina.
Mas, para um gerente-comercial, a rotina é uma realidade. Agora, ele tem de ficar muito mais tempo dentro do escritório, analisando relatórios e resolvendo os problemas dos outros. Moacyr Castellani, autor do livro O que importa é ser feliz da editora Gente, diz que “é na profissão que o ser humano tem uma das melhores oportunidades para se expressar, realizar-se como indivíduo e cumprir sua missão”.
Pense bem: você está cumprindo sua missão ou simplesmente acabou ali, sem saber como? Embora simples, a resposta para essa pergunta pode ser muito importante se você anda meio desmotivado.
Outra coisa que separa o ser humano da máquina é que nós precisamos ver os resultados dos nossos esforços imediatamente evidenciados. Uma máquina não se interessa nem um pouco pela qualidade do que está fazendo, ela pode até perguntar o resultado, mas precisa ser programada para isso.
Mas nós somos diferentes, ficamos desmotivados quando trabalhamos muito tempo em algo cujos frutos não aparecem. Por isso, é muito importante receber feedback constantemente e, se ele não for dado, você deve solicitá-lo ativamente.
- Ambiente de trabalho– O home office, ou escritório em casa, é uma tendência econômica nascida nos EUA, fruto da re-engenharia e terceirização. A ideia é que existem certas funções que podem ser realizadas fora do escritório, em casa, por exemplo.
Isso gera muitas vantagens, principalmente em grandes cidades, como: não é preciso se deslocar até o escritório, não há necessidade de escritórios imensos, existe a possibilidade de se trabalhar nos horários que achar mais conveniente, podendo passar mais tempo com a família, etc.
O problema é que um composto importantíssimo do trabalho é perdido: o relacionamento com colegas. A sociabilidade é uma das características fundamentais do homem. Privá-lo da convivência com o semelhante é, na verdade, um castigo – veja o caso das prisões.
Além disso, existe um composto criativo (fruto desse inter-relacionamento pessoal) que é perdido quando as pessoas não se encontram mais. Alguns profissionais ficam tão deprimidos com a mudança radical que simplesmente se demitem e vão trabalhar em um lugar cheio de pessoas.
Assim, muitas empresas nos EUA estão tentando achar um meio-termo: reuniões semanais, por exemplo. De qualquer maneira, o importante aqui é salientar que o ambiente de trabalho é fundamental, pois o ser humano é criativo e social.
Tente criar em sua empresa, ou pelo menos no seu departamento, um ambiente estimulante e motivador, com gente interessante e motivada. Contrate somente pessoas alegres. É praticamente impossível não ser contagiado pela alegria e motivação dos outros, desde que você, como líder, deixe que eles se manifestem.
- Bom humor– “Não adianta, existem dias em que dá tudo errado mesmo, e era melhor nem ter se levantado da cama”. Será mesmo? Será que na verdade não é um problema de atitude? É aquela velha história: um copo está metade cheio ou metade vazio?
Muitas vezes, a diferença entre a alegria e a tristeza e entre a felicidade e o fracasso é simplesmente a maneira como encaramos alguma coisa. É a velha mania egocêntrica do ser humano de achar que a sua dor de cabeça é maior que a dos outros. Lembre-se: a vida é cheia de ciclos e, depois da chuva, o sol sempre aparece. Sempre!
Continuaremos na próxima semana.


