- Tempo ocioso– Você já notou como, a cada dia que passa, estamos cada vez mais ocupados?
Somos escravos compulsivos da diversão, do barulho, do entretenimento – anestésicos modernos para nosso desconforto psicológico. Sempre tem um rádio ligado, um jogo de futebol ou uma novela na televisão, alguém falando em voz alta, um carro buzinando na esquina, etc.
Se está tudo em silêncio, as pessoas se incomodam: “Credo, o que aconteceu? Morreu alguém? Parece um velório!”.
Por que você acha que é tão reconfortante e agradável ir para o mato e dormir no mais profundo silêncio (tudo bem, às vezes, encontramos grilos, mas eu até acho bom!)? Ou escutar o barulho do mar?
Na verdade, nossos cérebros são bombardeados diariamente com uma carga imensa de informações, a maioria totalmente inútil – lixo… para ser bem sincero. Por isso, é importante ter tempo ocioso, ficar sem fazer absolutamente nada, a não ser relaxar. Mas sem se sentir culpado.
É fundamental compreender que a sociedade moderna criou uma impressão errônea de que estamos sempre atrasados, defasados, obsoletos. Isso pode ser muito bom para vender computadores e a última roupa da moda, mas é totalmente manipulador e neurotizante. Não se deixe manipular!
Fique um domingo todo em casa dormindo e veja se não irá começar a segunda-feira com as baterias recarregadas (desde que não brigue com a família, é claro). De qualquer maneira, temos de ressaltar a aversão da nossa cultura ocidental pelo silêncio e pela contemplação – coisas que fazem com que possamos conversar de forma calma, tranquila e honesta com nós mesmos.
Falando nisso, quando foi a última vez que você teve uma longa e franca conversa consigo mesmo? Ou com qualquer outra pessoa?
- Atividade física– O ser humano já foi descrito como uma mente divina presa num corpo humano. Essa separação, independentemente da discussão metafísica, faz com que muitas pessoas cuidem mais do seu carro que do seu corpo.
Mas é impossível viver em harmonia se sua “máquina” não funciona direito. Como é possível buscar a motivação se sua cabeça dói, você está com problema renal, as costas não sei o que… não dá.
O esporte possui várias coisas boas: você entra em sintonia consigo mesmo, aumenta seu autoconhecimento, acaba melhorando automaticamente a alimentação, conhece outras pessoas ativas e saudáveis, pode viajar em grupo para competir em outros lugares, tem um hobby para se distrair, etc.
Ou seja: invista também em seu lado físico. Conheço indivíduos que, por exemplo, perderam completamente a “barriga” e mudaram sua atitude em relação à vida, passando a encarar tudo com muito mais confiança, já que possuem muito mais conhecimento do seu potencial.
Se você é desses ou dessas que usa “não tenho tempo” como desculpa para não fazer exercícios, compre uma esteira ou bicicleta ergométrica e pratique meia hora por dia vendo televisão – seu corpo, sua cabeça e sua vida (até mesmo a sexual) agradecem.
- Aperfeiçoamento e aprendizagem constantes– Outra característica do ser humano é a necessidade constante de melhorar (o que muda é a disposição de investir tempo e esforço necessários para adquirir esses conhecimentos).
De qualquer forma, alguém que passe mais de um ano realizando uma determinada tarefa já sabe tudo o que tem para saber – logo, não existe mais aperfeiçoamento nem aprendizagem.
Embora as pessoas possuam níveis diferentes de conforto em relação aos desafios, todos, sem exceção, precisam desses desafios. Caso sua carreira tenha estagnado, talvez, esteja na hora de mudar de ramo, departamento, empresa…
Existe uma grande diferença entre viver dez anos e viver dez vezes um ano (porque tudo que você fez era igual). Nesse caso, o tempo passou por você, e não você por ele. E envelhecer sem aprender, sem sabedoria, não pode ser uma força motivadora.
Descubra que tipo de desafio você sente “tesão” de enfrentar – e vá fazer isso.
- Formas de autoexpressão– Muitas pessoas escrevem, outras pintam, tocam música, algumas rezam, vão à missa, cultivam plantas, cuidam do jardim, fazem trabalho voluntário em creches e abrigos, têm um cachorro ou gato, criam peixes, canários, colecionam selos, navegam pela internet, fazem excursões naturais em trilhas e cachoeiras, lutam caratê, praticam balé, dão e assistem a aulas, cantam no coro, empinam pipa, montam miniaturas, fazem tricô e crochê, cozinham, etc.
Ou seja, existe uma infinidade de coisas que você pode fazer para se expressar. Então, encontre a sua. O filósofo grego Sócrates, por exemplo, foi aprender a dançar quando tinha 80 anos.
Esta é uma das vantagens da sociedade moderna: quase tudo é democrático e temos acesso a centenas de formas de expressão.
Não desdenhe esse tipo de atividade. Freud provou que esses sentimentos acabam extravasando de uma forma ou outra. Canalize-os de maneira criativa e positiva. Assim, você será muito mais feliz.
- Um pouco de filosofia– Lao Tse, autor do clássico oriental Tao te ching, disse que “o segredo da vida é ser o que é”. Vários séculos depois, Kierkegaard escreveu que a única maneira de ser feliz é “ser o que realmente se é”.
Não existe muito que discutir: somente fica motivado quem está sendo o que realmente é. Nesse caso, por uma questão de atitude, todos os obstáculos são encarados naturalmente, como desafios a serem superados para a conquista do objetivo. Mas é preciso tomar uma série de atitudes. A primeira delas é conscientizar-se do que realmente somos e queremos ser.
A segunda é decidir fazer alguma coisa. Aqui, não há discurso bonito que engane ninguém. Afinal, a natureza recompensa as ações – e os resultados, principalmente na sua vida, são as únicas coisas que interessam.
Ninguém vai fazer isso por você, muito menos seus subordinados, por mais que apreciem sua liderança. A vida é sua e quem tem de ser feliz é você.
Como disse Maslow: “Se você deliberadamente planejar ser menos do que é capaz de ser, então eu o previno que será profundamente infeliz pelo restante de sua vida”.
Pense no assunto e tome uma atitude. Você não conseguirá motivar ninguém se estiver desmotivado.


