Confiar: a regra para ter bons relacionamentos profissionais

Como manter a confiança em ambientes de trabalho

Como está o nível de confiança em seu ambiente de trabalho? É possível acreditar nos procedimentos, colegas, empresa e, principalmente, no líder ou esse cenário não faz parte de sua organização?

 

A base para muitos relacionamentos é a confiança, e é por meio dela que podemos conviver de forma agradável. Entretanto, sabemos que confiar em alguém não é algo que acontece da noite para o dia, é necessário conhecer as atitudes e os comportamentos das pessoas. Mas como podemos fazer isso no ambiente de trabalho?

 

Em primeiro lugar, para conseguir relacionamentos confiáveis, você deve ser a primeira pessoa a ter esse perfil. Quem vai explicar melhor esse assunto é o mestre em administração de empresas e presidente da FranklinCovey Brasil, Paulo Kretly. Ele é palestrante nas áreas de liderança, administração do tempo, gestão e produtividade pessoal e interpessoal.

 

Em entrevista exclusiva à revista Motivação, ele explica como você pode ser uma pessoa confiável, qual é a principal vantagem disso dentro da empresa e também como acreditar mais nos colegas de trabalho. Acompanhe!

 

Vivemos num mundo empresarial repleto de indecisões, mudanças e tensões. Como podemos confiar nos colegas de trabalho e líderes?

A confiabilidade é construída a partir de dois eixos principais: caráter e competência. Por exemplo, você se deixa operar por um cirurgião de competência e caráter comprovados, mas embarcar numa cirurgia delicada com um profissional desconhecido é um risco alto demais para se correr – embora algumas pessoas críticas possam cometer essa loucura. E isso vale para todas as relações profissionais. Indicações e convívio diário podem ajudar na aceleração das relações de confiança. Nos dois casos, ela é uma construção necessária, e é importante pagar o preço para construí-la. Não podemos alcançar a excelência, uma razoável qualidade de vida nem um ambiente de trabalho saudável sem confiança.

 

Uma pesquisa norte-americana revelou que a confiança no mundo corporativo – precisamente entre líder e colaboradores – está em declínio. Você concorda e acredita que isso pode estar acontecendo no Brasil também?

A humanidade está passando por uma séria crise de crescimento, seja ele populacional, tecnológico ou conceitual. As ilusões ideológicas ruíram e, com elas, muitos valores antigos que já estavam obsoletos, mas que ofereciam alguma segurança por meio das tradições. Só podemos sair dessa crise olhando para frente. Não adianta tentar voltar ao passado, é preciso construir um novo código de valores humanos, considerando, por um lado, o anseio de liberdade individual e, por outro, a diversidade cultural globalizante. Os modelos de gestão e liderança têm de ser revistos, e a FranklinCovey vem trabalhando nesse quesito, ajudando os gestores a fazer a transição entre o pensamento da era industrial e o da era do conhecimento. É um novo mundo que está reinventando suas relações, e a questão da confiança está no centro desse processo. O Brasil é um país jovem, com uma formação cultural muito eclética e, até certo ponto, indefinida. Há muitos males por aqui devido ao nosso não desenvolvimento e não consolidação cultural, mas isso, por outro lado, é uma característica de flexibilidade, de potencial inexplorado e possibilidades abrangentes. A confiança em líderes autocráticos (aqueles que abusam do poder que têm para mandar nos colaboradores) é cada vez menor, até mesmo aqui no Brasil, mas novos modelos de liderança estão surgindo, e isso serve como contraponto.

 

Como podemos mudar esse cenário e transformar a confiança em algo fundamental nos relacionamentos dentro das empresas brasileiras?

Líderes e colaboradores devem seguir a linha dos 13 comportamentos que trabalhamos em nosso treinamento de liderança. Vejamos quais são eles:

  1. 1.      Ser sincero.
  2. 2.      Demonstrar respeito.
  3. 3.      Criar transparência.
  4. 4.      Corrigir seus erros.
  5. 5.      Demonstrar lealdade.
  6. 6.      Entregar resultados.
  7. 7.      Melhorar sempre.
  8. 8.      Enfrentar a realidade.
  9. 9.      Esclarecer expectativas.
  10. 10.   Praticar a responsabilidade.
  11. 11.   Escutar primeiro.
  12. 12.   Honrar compromissos.
  13. 13.   Confiar.

Sendo uma pessoa confiável, em que isso pode ajudar um profissional?

Invertamos a fórmula: não sendo confiável, ele não vai a lugar algum. Provavelmente, sua empregabilidade tenda a ser zero.

 

Às vezes, ao destruir um relacionamento, a confiança vai por água abaixo. Como evitar que isso aconteça?

A vivência dos 13 comportamentos é o caminho. Trata-se, contudo, de um processo de amadurecimento. Os pesquisadores de desenvolvimento humano já sabem que existem estágios nesse processo e que “a natureza não dá saltos”. Uma pessoa imatura, egocêntrica, que acredita que seu ponto de vista é o único válido, só conseguirá viver esses 13 comportamentos de modo artificial, forçado. Ela acaba mostrando sua verdadeira face nos momentos de pressão, e nosso estágio de desenvolvimento só pode ser aferido de modo definitivo nesses momentos. A busca pela consistência é também a busca pelo amadurecimento, por exemplo: dizer a verdade, às vezes, não é suficiente. Precisamos nos habituar a dizê-la sempre. Considerar a opinião alheia, às vezes, também não é suficiente. Temos de considerá-la sempre. A confiança é o passaporte para a sustentabilidade, mas é muito fácil rasgá-lo.

 

Quais são os prejuízos para os profissionais que não transmitem confiança à empresa?

Se não forem demitidos, serão isolados.

 

Depois da quebra da confiança profissional, existe a possibilidade de reverter o caso e reconquistá-la?

Sendo uma construção, a confiança quase sempre pode ser reconquistada, mas não é uma tarefa fácil. Perdemos a confiança por meio de nossos atos, e é em virtude deles que temos de recuperá-la. Falar apenas, pedir desculpas, não é suficiente. É preciso dar demonstrações diárias, a cada passo, de que, dessa vez, faremos a coisa certa. Num processo de recuperação de confiança, precisamos estar dispostos a ouvir muito e ter paciência, pois isso pode levar algum tempo. Aqueles que já perdoaram alguém e voltaram a confiar sabem que isso não acontece da noite para o dia.

 

Para saber mais:

Visite o site: www.franklincovey.com.br

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