Confusão gêmea

Fazia uma conexão de vôo e, quando entrei no avião, ele já estava com muitos passageiros. Fazia uma conexão de vôo e, quando entrei no avião, ele já estava com muitos passageiros. Sentei-me no meu lugar e comecei a prestar atenção a um zumzumzum. Era um bate-boca de alguns passageiros que estavam em pé.

Um passageiro reclamava que reservara dois assentos juntos para viajar com a esposa, mas em um deles já havia outra passageira que se negava a sair porque sua reserva lhe deixava longe de sua criança. A comissária de bordo sugeriu à ocupante um outro lugar, em que ela pudesse ficar com sua filha, duas fileiras mais atrás.

A mulher esbravejava que dali não sairia de forma alguma e abraçava a criança como se estivessem querendo jogá-la para fora do avião. Do jeito que as coisas estavam indo o vôo iria atrasar.

A mãe parecia estar apanhando de tanto que berrava. Bem, diante de toda essa cena, o dono dos assentos decidiu mudar de lugar com sua esposa e deixar a mulher dos berros por lá mesmo. Nem preciso dizer que ela ficou com as três cadeiras da fileira, pois ninguém se arriscou a ocupar o lugar vago ao seu lado.

Tudo parecia resolvido até que, na fileira 14, onde a comissária ia sentar o casal, tudo começou novamente. Tudo igualzinho! Os mesmo berros, a mesma cena, a mesma voz e, para meu espanto, a mesma cara.

Olhei bem e pensei: ?Será que a mulher saiu daqui e foi para lá?? Assim como eu, os outros passageiros também deve ter pensado o mesmo, e acredito que a comissária também tenha ficado na dúvida.

O passageiro que estava em busca de seu novo lugar não ficou quieto, pois se ouviu no avião seu grito: ?A senhora outra vez aqui? Não é possível! Tenha a santa paciência!?

Por incrível que pareça, a mulher da confusão da fileira 14 era irmã gêmea da mulher da fileira 18, que fazia o mesmo escândalo.

De trágico ficou cômico!

Mas o escândalo persistia. A mulher da fileira 18, a primeira, retomou o blá-blá-blá. Era um show duplicado. As duas discutiam por seus direitos de estar utilizando assentos errados que não lhe conferiam no avião. Um verdadeiro direito sem direito. Porém, discutiam com tanta veemência que quase o avião todo já estaria oferecendo-se para trocar de lugar para que elas se sentassem.

Enfim, um pouco antes de todos os passageiros pensarem com unanimidade em atirá-las para fora do vôo, tudo foi resolvido. Ambas ficaram onde estavam, e ninguém quis ficar por perto.

Toda confusão tem um irmã gêmea; é algo interessante. Digo isso, pois, toda vez que nos envolvemos em algum tipo de confusão, sempre obtemos algo a mais do que esperávamos e somos surpreendidos por isso.

Cuidado com essa energia! Tem gente que anda com poção de confusão no bolso, sai de casa procurando uma vítima, e ela não pode ser você, de maneira nenhuma.

Existem pessoas que vão a uma festa de aniversário infantil, esquecem o filho em casa e ficam durante a festa toda desesperadas, causando desespero também nos outros, procurando a criança.

A energia da confusão tem sempre uma irmã gêmea. Ela nunca está só. Sempre existe uma surpresa esperando.

Quando sentir a energia da confusão chegando, agora sabendo que ela tem uma irmã gêmea, levante os braços, saia de lado e deixe-a passar. Faça isso em qualquer lugar, seja na rua, no trabalho, em casa, na família…

A confusão não nos permite manter o equilíbrio necessário para vivenciá-la com resultado promissor.

Procure não criar e tampouco participar de confusões.

É fácil identificar pessoas que fazem disso um verdadeiro prazer. Geralmente as pessoas reclamam muito em uma festa, no trabalho, que entre amigos falam de outros amigos. Elas sempre estão ali oferecendo gasolina e fósforo. Não sirva de estopim para esse estouro.

Lembre-se: essas pessoas sentem prazer em tirar o prazer dos outros; são pessoas infelizes pregando a felicidade; sentem-se eternamente injustiçadas desde sua primeira encarnação; pensam que fazer justiça é o mesmo que fazer bagunça.

Então, quando perceber alguém armando um pampeiro, em vez de tecer comentários e alimentar ou dar mais instrumentos cortantes à pessoa, diga apenas: ?É mesmo?.

Olho para a matéria: Quando o vento da confusão bater por perto, não se esqueça: ?É mesmo???

Frase: ?Não sejas sempre rigoroso, nem sempre brando; escolhe o meio termo: entre esses dois extremos está o ponto da discrição? – Cervantes

Para Saber Mais: Tudo Vai Dar Certo ? Editora Arx (www.edarx.com.br), de Cesar Romão.

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