Conheça os três pilares da realização profissional!

Por rede eu me refiro ao conjunto de suas relações. No século XXI, nosso êxito está baseado nas pessoas que conhecemos. Cada nome em nosso caderno de endereços representa um parceiro potencial para todas as outras pessoas que conhecemos.

Ter um trabalho gratificante, ganhar o respeito e a amizade dos colegas, ser capaz de aprender sempre mais, fazer mais negócios, influenciar positivamente as pessoas. Nosso sonho de bom desempenho na carreira aponta para esses caminhos, nos dando a idéia de que teríamos a verdadeira realização profissional se conseguíssemos juntar tudo isso no trabalho nosso de cada dia.

Tim Sanders, responsável pelo núcleo de criação conceitual do Yahoo!, afirma que há três pilares essenciais que sustentam todas as questões mencionadas acima. E que basta termos consciência disso para alcançarmos a realização profissional. Veja o que Sanders ensina.

Pilar nº 1 – Conhecimento

Em vez de pensar em valor agregado, pense em conhecimento agregado. O que o conhecimento pode acrescentar no seu trabalho, ou comunicar acerca de seu trabalho, que o tornará mais atraente para parceiros e clientes?

Conhecimento é tudo que você assimila no exercício do trabalho e tudo o que aprende com as leituras que faz toda vez que arranja um tempinho. São quaisquer dados e informações relevantes que você consiga acumular. Você pode encontrar conhecimento em quase todos os lugares – por meio da observação, da experiência e da troca de idéias. Mas o meio mais fácil e eficaz de adquirir conhecimento, sem sombra de dúvida, são os livros.

Uma pessoa falando sobre um programa humorístico ou uma novela talvez atraia uma breve audiência em volta do bebedouro. Mas alguém que fala às pessoas sobre O Dilema da Inovação, de Clayton M. Christensen, que consegue ajudá-las a ligar essas idéias às suas carreiras e que as incentiva a comprar o livro para melhorar seu desempenho no trabalho, é genuinamente valioso. É a mesma diferença entre saber qual time está em primeiro lugar no campeonato e que nova idéia gerencial pode impulsionar sua carreira.

É por isso que você adiciona saber e também é por isso que você transmite conhecimento. Não é a mesma coisa que dizer como se perde peso ou dar uma dica de exercício físico. Você está passando a uma pessoa um conhecimento que pode ter um grande impacto na carreira dela. E isso faz com você se sobressaia na multidão e as pessoas continuarão procurando-o.

Cardápio Considerando a imensa quantidade de conhecimento disponível no cardápio, qual é a sua escolha?

Artigos de revista são pratos leves, os lanches entre as refeições. Não têm necessariamente a intenção de passar um pensamento acabado, mas podem conter o cerne de uma idéia e algumas boas recomendações de livros para se ler.

A mídia jornalística equivale aos doces e sorvetes: agradáveis de se comer, mas não podem ser a base da alimentação. Lembre-se: com as notícias você fica sabendo; com os livros, você conhece. Ficar sabendo é uma medida de hoje. Conhecer é uma medida de ontem, de hoje e do amanhã. Ficar sabendo é finito. Conhecer é para sempre.

Quando eu falo de livros, não me refiro a qualquer um, mas aos livros feitos para serem estudados, que trazem uma contribuição para a sua carreira e sua vida. Eu não leio um livro só para dizer que li. Eu o leio de um modo que, quando acabo, as páginas estão cheias de anotações e eu posso usá-lo pelo tempo que precisar.

Pilar nº 2 – Rede de Relacionamentos

Por rede eu me refiro ao conjunto de suas relações. No século XXI, nosso êxito está baseado nas pessoas que conhecemos. Cada nome em nosso caderno de endereços representa um parceiro potencial para todas as outras pessoas que conhecemos. Todos podem se encaixar em algum lugar de nosso universo profissional em contínua expansão.

Os relacionamentos são os “nós” de nossa rede individual, que constituem o futuro da nossa vida profissional e servem de instrumento para prever nosso sucesso. Alguns dos mais brilhantes luminares da nova economia, como Kevin Kelly (autor de Novas Regras para uma Nova Economia), dizem que empresas, organizações e indivíduos são compostos por sua rede de relacionamentos e valorizados de acordo com ela. Se você organizar os seus relacionamentos em rede, estará gerando um valor duradouro (e paz de espírito) que vai muito além de sua carteira de ações, seu fundo de pensão e sua conta bancária.

Estará criando uma proposição de valor para os novos contatos, o que atrairá novos membros para a rede – esta é a primeira lei dos ecossistemas comerciais, conhecida como Lei dos Efeitos de Rede. O valor salta a cada novo ingresso, e o salto de valor atrai novos ingressos, formando o produto. Pense na seguinte metáfora: ao nascer, ganhamos uma rede de pesca. Ao longo da vida, tentamos pescar contatos – na escola, no trabalho, nas associações profissionais e nos clubes. Se pescarmos bem, encheremos nossa rede de pessoas que nos apóiam, que apreciam o nosso valor, que nos proporcionam novas oportunidades. Mas nem todos sabem usar a rede com sabedoria. Enquanto alguns enchem-na de peixes da melhor qualidade, outros deixam a rede afrouxar até cair no fundo do mar, cheia de pneus velhos e cacarecos inúteis.

Conectados em rede, somos poderosos. Sozinhos, mesmo com toda a sabedoria do mundo, somos impotentes: náufragos à deriva num oceano impessoal. Sem uma rede, o conhecimento é praticamente inútil. O conhecimento é a nossa fonte de energia, nossa bateria. O relacionamento é o nosso centro nervoso, nosso processador. Criamos valor com o nosso conhecimento, mas ele só se realiza quando o compartilhamos com a nossa rede.

Pilar nº 3 – Compaixão

Por compaixão, eu me refiro àquela qualidade pessoal que as máquinas não podem ter: a capacidade humana de demonstrar afeto, pelo contato visual, pelo toque, pelas palavras. A capacidade de sentir compaixão (ou empatia) é a suprema felicidade humana em qualquer circunstância, em casa ou no trabalho. Você não pode amar um computador, um software ou um livro como pode amar uma pessoa. Às vezes é de uma pessoa que você precisa.

A beleza da compaixão é que cada um de nós já a traz dentro de si. Nascemos com os braços estendidos para abraçar. Ao contrário do conhecimento e das redes, que construímos ao longo do tempo, sempre podemos dizer às pessoas o quanto elas são importantes para nós. Podemos mostrar um sorriso simpático e dar tapinhas nas costas. Podemos abraçar, podemos escutar em silêncio e, no final de uma história triste, dizer “Eu realmente sinto muito por você”.

No trabalho, nossa humanidade pode ser definida como a capacidade de nos envolvermos emocionalmente com o crescimento de outra pessoa. Se celebrarmos as realizações de alguém, ou se demonstrarmos genuína simpatia pelos seus problemas, essa simpatia é o que nos distinguirá das máquinas.

A forma como somos percebidos como seres humanos está se tornando um aspecto cada vez mais importante da nova economia. Houve um tempo em que as pessoas podiam se isolar e ficar matutando atrás de portas fechadas. Houve um tempo em que as pessoas antipáticas, mesquinhas e indelicadas se sentiam seguras achando que nada se podia fazer em relação ao comportamento delas. Mas na nova economia essa postura não é permitida. Por duas razões.

A primeira é a escolha. A escolha é a sentença de morte dos vilões. Suponha que, vinte e cinco anos atrás, você estivesse trabalhando numa área em que só existia um lugar para se tomar um café. O sujeito que servia era um nazista, mas, como não havia outra opção, você ia ao bar dele todos os dias mesmo detestando-o. Hoje, porém, talvez exista uma dúzia de bares num raio de cinqüenta metros. Se aquele sujeito lhe aborrece, você experimenta outros bares, arranja um mais agradável e se muda.

Da mesma forma, há vinte e cinco anos, quando você trabalhava para um chefe injusto ou grosseiro, não havia muitos meios de escolher outro emprego. Havia alguns anúncios no jornal de domingo, sua pequena rede de amigos e familiares – e era tudo. Você ficava naquele emprego porque achava que realmente não havia alternativa. Hoje, temos acesso a novos serviços. Com a Internet, temos mais agilidade e facilidade para descobrir oportunidades de emprego e para enviar nossos currículos. Isso não existia na geração de nossos pais. É óbvio que, mesmo com mais recursos, nem sempre é fácil conseguir trabalho por causa das crises econômicas e da grande concorrência. Mas também ninguém é obrigado a aturar, pelo resto da vida, um patrão cruel ou um cargo sem perspectivas. Se o seu chefe é inteligente, sabe que um profissional de valor consegue se reposicionar no mercado.

A segunda razão pela qual a nova economia é inóspita para o mau-caráter é o que eu chamo de Novo Telégrafo. No velho oeste, os cabos telegráficos – a tecnologia de comunicações da época – mudaram a estrutura do comércio. Eles obrigaram os comerciantes a serem honestos. Antes do telégrafo era muito fácil aplicar golpes. Minha avó Hattie, que tinha quase noventa anos quando eu era criança, me contou o caso de um parente que vendia um removedor milagroso – na verdade, sabão barato embalado como uma fórmula extraordinária. Quando alguém percebia o truque, ele simplesmente se mudava para o condado vizinho. Mas, quando veio o telégrafo, ele teve de largar o negócio porque a notícia de que era um impostor viajava mais rápido do que ele.

O mesmo fenômeno agora é global e em tempo real. Se alguém tenta lhe passar a perna, existe todo tipo de tecnologia avançada para fazer com que os outros saibam. Um mau empregador de verdade é o pior marqueteiro de si mesmo. Não importa o ramo de atividade – hoje você tem à disposição mais escolhas e mais informação. Portanto, se você não gosta de determinadas pessoas, fugir delas está mais fácil do que nunca.

À medida que o mundo se torna mais competitivo, nós disputamos também a emoção das pessoas. Nos negócios não é importante o que as pessoas pensam de você – mas é importante o que eles sentem a seu respeito. As pessoas têm fome de compaixão.

Para saber mais:”O amor é a melhor estratégia” de Tim Sanders (Ed. Sextante)

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