Controlando a Internet e outras fantasias

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Este artigo é sobre coisas que todo mundo pensa, mas são pouco discutidas.

Quando o assunto é a Internet, não existem experts. No máximo, devemos ter alguns milhares de micro experts. Eles têm alguma contribuição a dar, mas só por alguns momentos e dentro de uma área extremamente limitada. Aqueles que conseguiram assimilar de forma clara a totalidade da Internet, fazem comentários calculados, controlando-se para não parecerem exageradamente otimistas.

Embora a Internet não esteja além da compreensão, está completamente fora do nosso controle. Isso pode ser particularmente frustrante para aqueles que se orgulham de entender tudo. O fato mais desafiador é como a Internet é nova. Perguntamo-nos: Como deveríamos encará-la? O que deveríamos fazer com ela? Como deve ser usada, particularmente para meus negócios? É desconfortável, porque ela sempre dá um jeito de escapar. Para aqueles que gostariam que ela sumisse, sempre acaba aparecendo em algum lugar. Justamente agora, que já estávamos aprendendo a conviver com o poder do átomo e do silício, aparece mais um conhecimento a ser catalogado na nossa lista pessoal cada dia maior, diga-se de passagem (mesmo que você não queira).

Uma nítida indicação dessa frustração é o movimento para censurar materiais considerados impróprios para crianças (principalmente pornografia). Considerações éticas de lado, o bom-senso de gigantes como Disney e Time Warner indica que esse é um movimento que lhes beneficia. Várias técnicas estão sendo utilizadas para limitar o acesso à Internet, para reportar infrações e policiar a Web.

Mas lembre-se disto: enquanto os provedores de acesso podem implementar controles (e os próprios pais podem limitar o acesso ao computador), a Internet jogou-nos numa nova realidade que nunca havia sido confrontada pela Humanidade. Embora sempre tenhamos ouvido falar de “mídias de massa”, a Internet nos leva a um nível que é qualitativamente diferente da TV porque ela “superdemocratiza” a comunicação. (Para quem não sabe, o escândalo Bill Clinton e Monica Lewinski começou no Yahoo!.) Pela primeira vez, a comunicação foi retirada das mãos dos grandes conglomerados (editoras, TV rádio, jornais, etc.) e colocada na mão de 5 bilhões de habitantes da Terra. Esse número nem está tão distante assim: mesmo as projeções mais conservadoras apontam para cerca de 1 bilhão de pessoas conectadas após a virada do milênio.

Aqui vão alguns fatos fascinantes que, na opinião de John Graham, presidente da Graham Communications, mudarão a maneira como pensamos:

* A Internet está fora do controle de qualquer um. Ao contrário da mídia impressa ou eletrônica, a Internet não pode ser controlada, embora mecanismos de acesso sejam usados em pequeno número. De forma literal, a Internet é incontrolável porque não tem limitações. Assim que as pessoas começarem a dar-se conta disso, também vão começar as tentativas de restringi-la. A frustração surge quando finalmente compreendemos que a Internet é uma coisa completamente diferente. Não é apenas maior ou mais complexa. Ela está mais próxima do Universo do que do Sistema Solar. Aliás, pode ser que esteja mais para “buraco negro” do que qualquer outra coisa. A Internet é incontrolável. Sua falta de limites é justamente o que a torna genial. A sua tarefa é: não desperdiçar tempo tentando dominá-la, e sim, usá-la eficazmente.

* O conhecimento agora é universal. A emoção incrível que a Internet provoca é que ela transforma qualquer conhecimento em universal. O que Gutemberg começou, a Internet completa. Essa mudança dramática aconteceu de repente, simbolizada péla derrubada do Muro de Berlim. Foi justamente nessa época que a informação começou a ser percebida como um ativo pessoal ou comercial. Não demorou nada e já começamos a ouvir falar de uma tal de Internet. Com o seu advento, pelo menos do ponto de vista comercial, uma mudança fundamental, de proporções épicas, começou a tomar forma. Seu impacto ainda não é totalmente reconhecido pela maioria de nos. Mas pode ser definido numa sentença: o que você conhece é mais importante do que quem você conhece. Mesmo que os cínicos neguem, a informação é sim uma ferramenta para o sucesso empresarial. Pela primeira vez na História, a informação não pode mais ficar “presa”. Não é mais limitada às bibliotecas, universidades ou laboratórios. Graças à Internet, o capital intelectual é universal.

* A ignorância também. A Internet dramatiza a prevalência da ignorância, porque qualquer um pode dizer qualquer coisa sobre qualquer assunto, a qualquer hora e em qualquer lugar de forma anônima. No passado, a habilidade de pensar de forma crítica sempre nos ajudou; agora, ela é essencial. O sonho de usar o método socrático de aprendizagem passa a ser uma realidade. Sem a habilidade de criticar novas idéias, não existe maneira de separar fatos de opiniões pessoais, identificando manipulações e informações falsas. Tanto isso é verdade que dizer eu li na Internet não tem a força que tem dizer eu li no Estado de São Paulo ou li no Wall Street Journal. Mas vai ser necessário um grande esforço para reaprendermos a analisar informações. A Internet apenas torna claro como estamos atrasados nesse ponto, e as conseqüências potencialmente desastrosas caso falhemos. O problema não é educar tecnologicamente as massas. Isto será resolvido com a queda dos preços e o desenvolvimento de softwares e hardwares cada vez mais amigáveis. O problema é saber pensar, mesmo, e ter a capacidade e a habilidade de analisar idéias.

* A Internet não é a “Superestrada da Informação” ela é a única estrada. Embora seja inquestionável que não haja outra estrada comparável à Internet, isso não significa que toda e qualquer empresa deve enfiar-se obrigatoriamente, desenvolvendo uma home page cheia de gráficos avançadíssimos em Java, junto com áudio e vídeo. Dezenas de milhares de consultorias estão lucrando com essa ansiedade dos empresários. Não é toda empresa que precisa de um site hoje em dia mas vai precisar em algum momento. Planejar corretamente é mais importante do que ter uma home page inútil. Acompanhando essa estrada, teremos muitas ruas laterais, incluindo as mídias que conhecemos tão bem. A Internet já está criando mudanças radicais. Malas diretas continuam sendo mandadas, mas o Netfax e campanhas de e-mail (o famigerado spam) expandem nossas possibilidades. Por causa disso, o Marketing Direto está sendo obrigado a melhorar, tornando-se mais criativo, dirigido e útil. O mesmo vai acontecer com a mídia impressa e a eletrônica. Isso significa a criação de novas oportunidades para comunicações bem pensadas e eficazes. Diz Graham: se fôssemos mapear as comunicações de Marketing, a Internet seria a estrada principal, com várias vias de acesso secundário e ruas entrecortando-a.

* A Internet nivela o jogo. Por causa da Internet, todos os indivíduos com acesso a um computador e uma linha de telefone podem se transformar imediatamente em editor, empreendedor ou formador de opinião. A “aldeia global”, uma analogia criada há duas décadas por Marshall MacLuhan, nunca capturou a imaginação das pessoas, a não ser um pequeno grupo de intelectuais talvez por pintar um quadro inocente e simplista que evitava as aspirações e as realidades deste novo milênio. Poucos se conectavam com o que parecia ser uma volta ao passado. Segundo Graham, a aldeia global era uma idéia interessante, mas errônea. A Internet nos conecta à nova realidade criando o que poderíamos chamar de “deslocamento”, e assim, o lugar onde você está não mais importa. Hoje, qualquer um pode interagir, comprar ou vender com qualquer um, em qualquer lugar, e a qualquer hora. A Internet oferece, tanto aos indivíduos quanto às pessoas, oportunidades ilimitadas de fazer negócios universalmente. O impacto de um mundo de deslocamento tem implicações enormes. No topo da lista, surge a queda de todas as barreiras, incluindo licenças, cotas, fronteiras, moedas, padrões nacionais, etc. Embora provavelmente nunca nos transformemos numa aldeia global, um mundo de deslocamento se recusará a tolerar comportamentos inaceitáveis por parte das nações. Porque um mundo conectado é um mundo superdemocratizado.

Existe uma ironia na Internet. De um lado, a tecnologia é incontrolável. Ao mesmo tempo, é justamente essa sua garantia; sua existência exige abertura. Na verdade, a Internet é o que ela faz. Pela primeira vez, não existe onde se esconder.

Enfrentamos, hoje, o fato de que a tecnologia é o destino do Homem. A Internet não é um monte de home pages ou Web sites. Não são os provedores de acesso, e nem o e-mail. Ela é a descontinuidade. É um conceito não somente novo, mas completamente diferente. As velhas analogias e lógica já não se aplicam.

Bem-vindos à nova realidade.

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