Critique a crítica

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Questione as críticas Circula na internet a história sobre um porta-aviões norte-americano que, à noite, em meio a uma tempestade, esteve prestes a abrir fogo contra um insolente navegador, que insistia em não mover seu barco do caminho do poderoso porta-aviões. O comandante do grande barco americano, por causa do mau tempo, somente conseguia ver um tênue facho de luz da intransigente embarcação. Ele insistia, pelo rádio, que o pequeno barco mudasse sua rota, caso contrário o teimoso navegador iria colidir contra a gigantesca embarcação e que ele, o soberano comandante, não tiraria sua poderosa arma de guerra um milímetro sequer de seu curso original. Depois de estar a um passo de acionar o botão fatal e mandar o pequeno barco pelos ares, finalmente o comandante ouviu do navegador à sua frente que ele não poderia sair do lugar em que estava, porque, na verdade, ele não era um navegador, e sim um vigia, e seu suposto barco se tratava de um farol marítimo, que estava lá para orientar navegadores desorientados, como o impetuoso comandante.

Questione sempre

Se a história é verdadeira ou não, eu não sei. Mas é verdade o fato de que muitas pessoas recebem uma informação, não apuram ou a criticam, e acabam por incorrer em interpretações equivocadas, levando-as a tomarem decisões comprometedoras.

Dá tristeza pensar que muitas confusões, intrigas e inimizades poderiam ser evitadas se o receptor da mensagem tivesse a humildade ou o discernimento de perguntar: o que você quer dizer com isso? Devemos estar sempre com os ouvidos atentos à crítica. Elas são poderosas para nos dar uma visão externa dos fatos que, muitas vezes, estamos cegos para ver.

Também não podemos deixar, em hipótese alguma, de fazer uma crítica à crítica feita. É isso mesmo, temos de cuidar ao decodificar corretamente a mensagem recebida (também conhecida como feedback), com o propósito de apurarmos se estamos diante de algo coerente, sensato, procedente ou de uma acusação infame, um comentário infeliz, distorcido ou ainda de uma interpretação equivocada do que fizemos ou dissemos.

O preço de não questionar

Deixar de decodificar a crítica pode resultar em frustração, desestímulo, desmotivação ou interrupção de algo que você vinha fazendo bem, com êxito, e que poderia levá-lo ao sucesso. Ora, eu sei que você não quer nada disso. Mas deixar de ouvir críticas é pior. Você não pode, sob o risco de se isolar, criar um mundo só seu e se recusar a aceitar o valor das críticas e feedbacks.

Então, o que fazer? É simples. Como já falei, critique a crítica. Pergunte ao seu interlocutor o que ele quer dizer com a fala ou gesto dele. Inicie um diálogo. Esse é o único caminho para o entendimento e o crescimento. Se tiver dificuldades em avaliar o que lhe foi posto, peça ajuda a um terceiro. Não feche a questão. Caso tenha dúvida, não fale a quem lhe disse algo que concorda ou discorda. Diga que vai pensar sobre o assunto. Agradeça. Não deixe de criar canais para a chegada da crítica. E assim, cresça!

Tenha consciência de que a comunicação clara entre duas pessoas é algo tremendamente difícil. Em um diálogo, não se iluda em achar que só existem duas pessoas a conversar. Nada disso. Se estou falando com alguém, do meu lado existem três pessoas, assim como do outro. E são elas: eu realmente como sou (às vezes, desconhecemos), quem penso que sou e quem o outro pensa que sou. Do outro lado, da mesma forma: a pessoa, quem ela pensa que é e quem penso que ela é. Caramba! Então, imagine a confusão. Quem está falando com quem na hora do diálogo?

Assim, para evitar toda a má interpretação e a conseqüente confusão, só criticando a crítica. E, por favor, se quiser, pode me criticar por isso.

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