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Em 22 de junho, tive o grande prazer de assistir à palestra de um de meus gurus na época da faculdade, Philip Kotler, trazido ao Brasil pela HSM Cultura & Desenvolvimento, falando sobre O Novo Marketing na Nova Empresa. (A próxima palestra é imperdível: William Ury vai falar sobre Estratégias Inovadoras de Negociação. Mais informações, diretamente no site da HSM: www.hsm.com.br).

Fora o infalível show de competência dado pela organização da HSM, chamou-me atenção, mais do que o conhecimento do palestrante, a sua total devoção ao transmitir esse conhecimento. Tanto que ele não é daqueles arrogantes que só falam das suas próprias realizações, das suas pesquisas, de seus clientes, de todo mundo que ele conhece, etc., mas cita fontes fidedignas, como Oxford Associates, Gartner Group e mesmo outros autores e consultores da área – principalmente Adrian Slywotzky, autor do livro The Profit Zone. Só faz isso quem tem confiança em si mesmo, na sua capacidade e nos seus conhecimentos.

Infelizmente, isso é uma coisa que vejo com freqüência cada vez menor no cenário brasileiro. Temos assinantes que se negam a contar as suas histórias de sucesso, por medo que sejam “copiados pela concorrência”. Temos gerentes e diretores que pedem para receber a Técnicas de Venda em casa, para depois repassar “somente o necessário” aos seus subordinados. Temos palestrantes e consultores copiando material descaradamente (não só nosso, muitas vezes até de outros colegas ou mesmo de livros) – e sem citar a fonte, como se aquilo fosse criação deles. Conheço até um consultor famosíssimo, capa de Exame, que conta histórias extraídas de livros como se tivessem acontecido com ele mesmo na infância – e todo mundo na platéia acredita e chora.

Enfim, é uma cultura primitiva de achar que o conhecimento é perigoso e deve ser restringido, ou que deve ser manipulado e censurado, sob o pretexto de que as pessoas “não estão prontas” para assimilá-lo. Como resultado, vivemos cercados por uma multidão de ignorantes incompetentes – muitas vezes até extremamente bem-intencionados, mas miseravelmente deficitários em quesitos básicos, como pensar, por exemplo. Quantas empresas ensinam seus funcionários a pensar?

Dizem que a admissão da ignorância é, com freqüência, o primeiro passo em nossa educação. Está na hora de admitir que, como sociedade, não temos trabalhado muito bem esta área. A explosão de riqueza vinda dos países que investem continuadamente em educação é incontestável. Mas não acho que a solução seja ficar jogando a culpa no governo.

Quer um exemplo? Estive em Manaus noutro dia, dando uma palestra para a Fundação Rede Amazônica, presidida pelo Sr. Phelippe Daou, que, sem a ajuda do governo, promove a capacitação técnica de jovens amazonenses para o mercado de trabalho, dando inclusive auxílio financeiro e alimentação aos estudantes. O objetivo inicial era conseguir gente para trabalhar nas próprias empresas do grupo, mas, com o passar do tempo, os resultados foram tão bons que, agora, até os concorrentes contratam gente formada na Fundação. O Brasil seria muito diferente se tivéssemos mais histórias assim para contar.

Gosto muito de um ditado que diz: “Senhor, dai-me a coragem para mudar as coisas que podem ser mudadas, a serenidade para aceitar as coisas que não podem ser mudadas, e a sabedoria para distinguir umas das outras”. Moliére disse: “Somos responsáveis tanto pelo que dizemos como pelo que não dizemos” (e pelo que fazemos tanto pelo que não fazemos).

O talento que você tem hoje é um presente que Deus lhe deu. O que você vai fazer com esse talento é seu presente de volta para Deus. Faça com que seu talento seja canalizado para desenvolver o talento e a felicidade de outras pessoas também.

Meu lema é: “Você nasceu original. Não morra uma cópia”. Então, neste mês, seja você mesmo, ajude os outros a serem também, e Venda Mais!

Raúl Candeloro
Editor

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