Estresse cibernético ou fadiga da informação. Se você ainda não ouviu falar nestes termos, prepare-se para conviver com eles daqui para frente. Essa nova modalidade do estresse atinge principalmente profissionais que lutam contra o tempo para manterem-se sempre bem informados. Extremamente ligados, ficam madrugada adentro “garimpando” na Internet. Travam uma verdadeira luta interior tentando superar limites e vêem-se angustiados em empregos que não sabem por quanto tempo irão manter. Os resultados não poderiam ser piores: baixa na produtividade, inabilidade para tomar decisões, perda de memória, irritabilidade. A psicóloga e consultora da Manager Assessoria em Recursos Humanos, Susan Andrews, alerta: “a tendência para os próximos anos é que o volume de informação aumente ainda mais”. A boa notícia é que medidas corretivas, instituídas a tempo, podem corrigir o desvio.
Parece que, em vez de facilitar nossas vidas, como supostamente deveria fazer, os avanços tecnológicos estão provocando mais problemas de estresse, a ponto de levar a Organização das Nações Unidas a chamá-lo de “a maior epidemia mundial do final deste século”. A General Motors, por exemplo, declarou gastar anualmente mais dinheiro com as ausências médicas de seus funcionários por causa do estresse do que com todo o aço utilizado para a fabricação de seus carros no mundo inteiro.
Um estudo da Universidade de Manchester, na Inglaterra, constatou que a cada dia mais trabalhadores apontam as novas tecnologias como causa do mal-estar. Andrews não se surpreende. A consultora, que ministra cursos de gerenciamento de estresse para empresas (já os fez para a 3M, a Petrobrás e o jornal O Estado de SP) afirma: “A avalanche de informações gerada pelas novas tecnologias e até o “inofensivo” correio eletrônico têm causado mais estresse”. Ela observou que um em cada quatro executivos reclama de fadiga da informação. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais preocupante. Os americanos perdem, em média, 30 minutos todos os dias respondendo e-mails; e dispensam 40 minutos – apenas dez minutos a mais – para os relacionamentos pessoais diretos.
Se, nesta década, o volume de informações necessário para o desempenho de nossas funções estava dobrando em quatro anos, depois de 2000, vai dobrar em apenas seis meses, em cada área. Esta é a previsão de Andrews. Mas, quem vai conseguir acompanhar esse aumento de informação?
Dificilmente alguém poderá acompanhar todo esse processo. Segundo Cyro Masci, médico psiquiatra e membro da American Academy of Experts in Traumatic Stress, dos EUA, o maior problema é o fato de que a velocidade e o volume de conhecimento simplesmente ultrapassaram nossos limites biológicos, seja para nos inteirarmos de tudo o que acontece seja para reter as informações que nos chegam.
Masci nos dá um exemplo. “Estima-se que um médico – para estar atualizado – deva ler algo próximo a 18 artigos científicos espalhados por literalmente centenas de publicações, a cada santo dia. E isso somente dentro de sua especialidade, sem considerar os fatos totalmente novos e outras especialidades que compõem o conhecimento médico.”
Não perca mais tempo
Mesmo que tivéssemos todo o tempo do mundo (e não o temos), ainda assim o nosso cérebro precisaria de muitos anos para “digerir” toda essa informação. Os especialistas chegaram a um consenso sobre o assunto: é preciso selecionar o que realmente nos interessa. “Devemos capacitar as pessoas a receberem as informações com visão crítica”, afirma Masci, que sugere até mesmo a volta do ensino constante da Filosofia, como forma de desenvolvimento dessa postura. Assim, as pessoas teriam uma visão cada vez mais centrada e, conseqüentemente, estariam habilitadas a compreender informações realmente essenciais, uma vez que nossa capacidade biológica de receber e reter conhecimentos parece ter chegado ao seu limite.
Andrews também acredita que a saída é mesmo a filtragem da informação. Ela entende que esse processo de seleção deve ser orientado por meio do nosso sexto sentido, ou seja, a velha conhecida intuição. E garante que todos nós podemos desenvolvê-la por meio de um simples exercício de meditação, que descrevemos a seguir:
1° passo: Coloque uma música suave e desligue-se de tudo por apenas 10 minutos. Isto é o suficiente para você acalmar seus pensamentos e tranqüilizar suas ondas mentais.
2° passo: Deite numa posição em que o seu corpo fique totalmente reto, relaxado.
3° passo: Concentre-se na sua respiração. Inspire como se estivesse consumindo toda a energia vital do ar e expire como se estivesse liberando toda a sua tensão e cansaço do dia.
4° passo: Quando sentir-se mais tranqüilo, visualize que está exalando paz e harmonia ao seu redor.
Esse momento de completo desligamento do mundo exterior desenvolve a intuição ou sexto sentido, porque o indivíduo entra em contato profundo com o seu eu interior. Assim, ele sai fortalecido para atuar de forma eficiente e feliz.
Existem também estratégias de manutenção preventiva do estresse e da exaustão, “facílimas de serem praticadas”, orienta Masci. Se você realizar uma interrupção periódica pequena, algo como dois a cinco minutos a cada 60 minutos (no máximo 90), o dia renderá muito mais e você conseguirá realizar mais coisas, com menos estresse e maior eficiência. Ele explica que nessas paradas ocorre um aumento da “boa” energia, aquela que permite o equilíbrio entre as diversas áreas do cérebro.
Em resumo, aprenda a selecionar e filtrar as informações que lhe chegam. Caso contrário, vai se tomar um sério candidato às implicações físicas ocasionadas pelo estresse. E todos nós sabemos os seus desagradáveis efeitos, não é mesmo?
Para saber mais
Combatendo o inimigo, de Antônio Carlos Rodrigues de Moraes. Editora Gente
Serviço:
Susan Andrewa é psicóloga e conferencista da Maneger Assessoria em Recursos Humanos. Fone: (011) 263-9788. Fax: (011) 0800 177333
Cyro Masci é médico psiquiatra. Fone/Fax: (011) 4991-2122
Site: http://www.regra.com.br/cyromasci
E-mail: cyromasci@regra.net


