Li em uma revista que a antiga União Soviética fazia aviões tão rápidos ou mais rápidos do que os aviões americanos, mas que numa guerra real eles não teriam chance.
Li em uma revista que a antiga União Soviética fazia aviões tão rápidos ou mais rápidos do que os aviões americanos, mas que numa guerra real eles não teriam chance. Achei a afirmação curiosa e fui tentar saber mais sobre a causa dessa afirmação. O articulista falava de algo tão simples quanto real. Ele dizia que os aviões soviéticos eram mais velozes porque eles tinham motores tão poderosos que “até um muro sairia voando, com tanta potência à disposição”. Muros, sabemos, não ganham guerras. E motores desse tamanho demandam tanto combustível que a) precisam de um avião com um tanque tão enorme de combustível que não sobraria muito espaço para radares, eletrônica, armas, essas coisas que aviões de guerra precisam ter;
b) não podem ficar muito tempo no ar e, portanto, têm sua utilidade reduzida exatamente quando as coisas começam a esquentar;
c) precisam de aviões-tanque por perto para seguirem voando e sendo úteis, sendo os aviões-tanque um problema porque são grandes, pesados e fáceis de destruir, complicando ainda mais um cenário cuja logística é, literalmente, infernal. É uma situação parecida com o velho varejo, do armarinho, do freguês de caderninho, do comprar por 50 e vender por 100. Dos tempos em que havia renda para pagar 100 e indústria disposta a oferecer essa margem toda ao varejista. Um cenário onde havia tanta renda, baixa competição e pouca demanda por qualidade/preço que qualquer um podia pilotar um muro e seguir voando por um bom tempo, sem medos de desastres aéreos ou de outra natureza qualquer.
Centavo a centavo – Consultores norte-americanos já falam em “walmartization”, ou seja, no processo de transformar o mundo em um lugar que briga por cada centavo, tantos dos fabricantes quanto dos consumidores, e força todos os demais setores a atuar da mesma forma. Quem conhece os terríveis departamentos de compras das grandes multinacionais entende o drama.
Assim, não podemos mais ter foco simplesmente nos resultados, mas sim, nos processos, uma vez que aviões (mesmo os que voam) podem não resolver nosso problema de competição. Precisamos de inteligência agregada a todas as nossas ações para sabermos quanto combustível estamos empregando, momento a momento, se estamos obtendo resultados reais ou dissipando nossos recursos até o ponto em que eles se esgotarão com nossa operação ainda no ar.
Precisamos, desesperadamente, atingir o equilíbrio entre energia e recursos gastos e o que podemos ou devemos gastar, na obtenção de resultados. Precisamos de bons sensores colocados em pontos estratégicos e monitoração constante – além de análise contínua de suas informações, algo muito claro para nós, em nosso acompanhamento constante das mutações ininterruptas que ocorrem no ambiente do novo varejo.
Novo cenário – Conforme-se: a luta por “mais por menos”, a tal walmartização, não vai desaparecer apesar de nossos desejos, promessas e rezas brabas. Veja essa frase, dita por uma consumidora em uma pesquisa sobre a Classe C: “Eu não compro porque é barato. Eu compro porque é bom e barato”. Isso só se consegue oferecer com sistemas que não acreditem que o avião vai bem simplesmente porque está voando rápido, mas acompanha o cenário de maneira completa e não se ilude com apenas alguns índices de sucesso.
Precisamos de um sistema que não siga por aí feliz com as vendas, sem perceber que logo ali, em geral contra o sol para que a gente não o veja, está um concorrente com um avião menos veloz do que o nosso, planejado para fazer o que todo o avião de guerra deve fazer: localizar, atacar, e sair inteiro, enquanto nossos generais pensam no que deu errado.


