Desistir é diferente de recomeçar

Mantenha o otimismo durante a crise

Muitas vezes, a visão positiva de alguma coisa nos leva a acreditar piamente que uma meta, projeto, venda ou profissão seja possível. Mas, quando isso demora a acontecer, qual é o momento de deixar esse objetivo de lado e partir para outro?

 

Vou tentar responder compartilhando meu próprio exemplo de vida. Formei-me em engenharia elétrica e trabalhei durante dois anos nessa profissão. Gostava do que fazia e me empenhava para crescer profissionalmente, mas os negócios não deslanchavam. Enquanto isso, eu lia livros sobre otimismo, motivação e crescimento pessoal e profissional. Fui me interessando pela área das ciências humanas e distanciando-me da engenharia até que surgiu a oportunidade de estudar nos Estados Unidos. Foi quando abandonei completamente minha profissão e voltei para os bancos de escola. Durante cinco anos, trabalhei e estudei até conquistar o doutorado em comunicação. A princípio, largar a engenharia parecia um enorme retrocesso. Fui criticado por minha família, amigos e colegas. Ninguém entendeu por que eu, com um futuro brilhante pela frente, tinha deixado tudo e voltado a estudar.

 

Olhando para trás, entendo melhor o que aconteceu. Não estava deslanchando na engenharia porque, após dois empregos e ter montado meu próprio escritório, eu me desmotivei. Quando experimentei minha profissão na prática, descobri que não era o que eu realmente queria. Os livros de crescimento pessoal que frequentemente lia acabaram despertando em mim uma vontade ardente de ser escritor e conferencista. No entanto, precisava me capacitar para desenvolver uma nova carreira e alimentar novos talentos, por isso voltei a estudar. Aquele retorno aos compêndios e professores não significava – como as pessoas pensavam e até eu, às vezes, acreditava – um atraso de vida, mas sim coragem e ousadia para recomeçar de outra forma.

 

Tente algo diferente

 

É preciso ter coragem para recomeçar: largar o conhecido e lançar-se rumo ao desconhecido. Desembarquei nos Estados Unidos para enfrentar não só uma nova área do conhecimento como também uma língua e uma cultura totalmente diferentes da minha. Na realidade, eu não estava desistindo, mas recomeçando com vigor renovado. Com a capacitação desenvolvida durante oito anos estudando e, mais tarde, lecionando em universidades estrangeiras, voltei. Aí sim deslanchei na carreira de professor, escritor e conferencista. Valeu a pena ter desistido de minha primeira profissão!

 

O que aprendi com isso? Que em um mundo volátil, em que as demandas do mercado estão em mutação, é necessário ser flexível. Principalmente agora, em que temos desafios constantes e crescentes, é importantíssimo ser tanto maleável quanto criativo. Olhe a natureza e aprenda com ela, como se adapta, como a correnteza dos rios, em vez de bater de frente com rochedos e montanhas, gentilmente dá a volta e chega aonde quer: ao oceano. Assim, nós também podemos ter nossas metas, objetivos e projetos ambiciosos, porém o caminho para chegar lá pode não ser a linha reta. Geralmente, nós nos apegamos a uma profissão ou a um jeito de fazer somente porque estamos acostumados a ele. Preferimos sofrer com o conhecido a lançarmo-nos ao novo. Mas é preciso ter coragem. Se a trilha que está percorrendo não o está levando aonde você quer chegar, pare! Tente algo diferente.

 

Não insista apenas por insistir

 

Voltando a minha própria experiência de vida, eu poderia ter seguido o conselho de meus familiares e amigos e persistido com a engenharia. Mas, hoje, sei que isso não me levaria aonde eu realmente queria chegar: à realização pessoal e profissional. A sua meta máxima, assim como a minha, é realizar-se como ser humano, não importa em que área. Portanto, mesmo que tenha se formado em uma determinada profissão, não permaneça nela apenas porque já se capacitou para isso. Lembre-se de que é possível mudar e até saudável ter pique para tentar algo novo, diferente. As pessoas mais bem-sucedidas que conheço têm duas características fundamentais: sabem quando é preciso persistir e quando é necessário desistir.

 

A persistência leva sim ao sucesso, mas apenas quando estamos tentando plantar algo que nos trará retorno. Não insista apenas por insistir nem seja cabeça dura! Se não estiver sentindo firmeza e motivação no que está fazendo agora, pare! Pense em alguma coisa que possa lhe dar mais prazer e produzir melhores resultados, mesmo que seja algo que exija trabalho extra para sua capacitação. Eu mudei de profissão com 30 anos. Achava que estava velho para uma mudança radical. Hoje, aos 60, acredito que foi a coisa certa a fazer. E, se for preciso, estou disposto a mudar novamente.

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